Da Redação – Araçatuba
Segundo dados da Fundação Seade, a Região Administrativa (RA) de Araçatuba encerrou o segundo trimestre de 2024 com um crescimento acumulado de 2,7% no PIB em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, este desempenho, embora positivo, não alcança a média estadual, que foi de 3,1% no acumulado do ano, indicando que a região está em ritmo inferior ao observado em outras áreas do estado.
No segundo trimestre de 2024, o PIB da RA de Araçatuba apresentou um aumento de 1,8% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, enquanto o crescimento estadual foi de 4,1%, mais que o dobro do percentual registrado em Araçatuba. Esse descompasso evidencia as dificuldades da região em acompanhar o dinamismo econômico de outras áreas mais desenvolvidas, como as regiões de São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, que registraram expansões de 4,7% e 6,6%, respectivamente, no mesmo período.
PIB da região de Araçatuba no 2º Trimestre de 2024 alcança R$ 9,2 bi
No segundo trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) da Região Administrativa de Araçatuba alcançou o valor nominal de R$ 9,2 bilhões, elevando o total do primeiro semestre do ano para R$ 17,2 bilhões. Em comparação, em 2023, o PIB anual da região foi de R$ 35,7 bilhões.
Segundo o professor Marco Aurélio Barbosa de Souza, economista e especialista em indicadores econômicos regionais, docente da Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba (FAC-FEA), o valor nominal do PIB representa um importante atrativo para investimentos e negócios, pois reflete a magnitude da atividade econômica e a capacidade de consumo da região. “O PIB não é apenas um número, mas uma vitrine que demonstra o potencial econômico local. Quanto maior o valor, mais atraente a região se torna para investidores e empreendedores, especialmente quando esse valor vem acompanhado de crescimento sustentável,” destaca Souza.
Ele também enfatiza a importância de se fomentar todos os componentes que formam o PIB — o Consumo Agregado, os Investimentos Agregados, o Consumo do Governo e as Exportações (PIB = C + I + G + X – M) — como pilares para o desenvolvimento econômico regional. “Os investimentos, sejam públicos ou privados, têm um papel estratégico especial, pois ampliam a capacidade produtiva da economia e criam efeitos encadeadores positivos, que impulsionam o crescimento em diversos setores,” afirma o economista.
Souza salienta ainda que, enquanto o consumo e o gasto governamental são componentes importantes, os investimentos agregados representam um motor de crescimento a longo prazo, pois estimulam a criação de infraestrutura, tecnologia e inovação. A partir de uma base produtiva mais robusta, a região pode não só aumentar sua contribuição ao PIB estadual, mas também se tornar um centro atrativo para novos negócios e oportunidades econômicas.
Participação econômica e desafios regionais
Apesar de ter uma economia com grandes potencialidades, a participação da RA de Araçatuba no PIB estadual ainda é limitada, representando apenas 1,1% do total de São Paulo, de acordo com os dados mais recentes. Esse número evidencia a necessidade de políticas de fomento econômico para que a Região Administrativa de Araçatuba aumente sua relevância no contexto estadual.
O economista e professor Marco Aurélio Barbosa de Souza, especialista em dados e indicadores econômicos locais e regionais e docente da Fundação Educacional Araçatuba (FAC-FEA), ressalta que a Região Administrativa de Araçatuba possui um grande potencial de crescimento, mas carece de uma estratégia sólida para atrair investimentos e captar recursos, tanto estaduais quanto federais. Ele destaca a importância de fortalecer a integração entre os municípios da Alta Noroeste, visando à elaboração de um Plano de Desenvolvimento Econômico Regional. Além disso, Souza alerta para a necessidade de melhorar a representatividade política da região, que atualmente sofre pela ausência de deputados estaduais e federais nativos, o que enfraquece a capacidade de articulação política para captação de recursos e desenvolvimento regional.
Segundo Souza, a RA de Araçatuba possui vantagens competitivas em setores como agronegócio, bioenergia, energias renováveis, segmentos industriais específicos e turismo, que podem ser impulsionados por programas de incentivo e inovação. “Para que o potencial econômico da região seja plenamente aproveitado, é fundamental que o governo estadual preste mais atenção à Alta Noroeste, promovendo investimentos através do Investe SP e direcionando recursos para setores estratégicos”, afirma o economista.
Ele propõe a criação de uma Agência de Desenvolvimento Regional para a RA de Araçatuba, com a missão de planejar e executar políticas públicas focadas no desenvolvimento econômico local e na captação de recursos estaduais e federais. Essa agência atuaria como um centro de articulação estratégica, abrigando um escritório de projetos focado na implementação de iniciativas prioritárias para o desenvolvimento macrorregional. Sua missão seria coordenar ações, elaborar projetos e direcionar políticas públicas que aumentem a visibilidade da região junto aos investidores, posicionando-a de forma competitiva no cenário econômico estadual. Tais iniciativas não apenas aumentariam a atratividade da região para novos investimentos, mas também fortaleceriam a economia local, impulsionando o crescimento sustentável e criando novas oportunidades para a população da Alta Noroeste.

