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sexta-feira, junho 24, 2022

Passaporte não atinge seu objetivo e tira a liberdade de muitos

LUCAS ZANATTA

Não sou contra a vacinação, pois me vacinei. É necessário fazer essa primeira observação hoje, pois várias afirmações viraram tabus e não será diferente para algumas outras que farei aqui. Mas vou falar do passaporte vacinal, o qual busca criar ambientes livres da Covid19, o fundamento dessa ideia se dá na afirmação de que pessoas vacinadas não transmitem o vírus ou teriam baixa carga viral, assim sendo, nesses locais não há o risco de contaminação.
Assim se sustenta a obrigatoriedade do Certificado de Vacinação contra Covid19, afirmando a ideia de que o direito coletivo pode sobrepor ao direito individual (essa afirmação por si só já daria um grande e interessante debate). Portanto, seria justo retirar das pessoas não vacinadas a sua liberdade de escolha, trabalho, locomoção e até a guarda dos filhos, como foi a ameaça feita sem fundamentação legal nenhuma por juízes que mais parecem querer aumentar seus seguidores e militar sua opinião política do que realmente discutir o assunto com seriedade e legalidade.
Então, hoje, um trabalhador seja ele esteio financeiro ou não de sua família pode ser mandado embora por justa causa pelo simples fato de não querer se vacinar, pois acreditam que ele é um risco para seus colegas. Pessoas não vacinadas estão proibidas de adentrar ao Fórum, assim como em eventos esportivos, fazer prova de habilitação para CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e se depender do governador do Estado de São Paulo, muitas outras coisas mais.1011
Porém, em matérias publicadas no dia 07 dezembro 2021 nos sites Metrópoles e UOL, a Universidade de Harvard publicou na revista científica New England Jornal of Medicine uma pesquisa que comparava a diferença da capacidade de transmissão do coronavírus (em contaminar um terceiro) entre pessoas vacinadas e não vacinadas. A pesquisa afirma que a carga viral nos dois casos são iguais nos primeiros dias, a diferença é que pessoas vacinadas transmitem o vírus por 5 dias e as não vacinadas por 7 dias, concluindo que, INFELIZMENTE, PESSOAS VACINADAS TAMBÉM TRANSMITEM!! Os dois dias a menos é muito bom, mas são 5 dias iguais!
Conforme a pesquisa da Universidade de Harvard, uma pessoa com passaporte vacinal pode adentrar no hospital, por exemplo, e transmitir a Covid19, pois graças ao seu sistema imunológico, a vacina ou o dia da contaminação esta pessoa pode estar assintomática. Mas uma pessoa não vacinada, que possa já ter contraído o vírus ou não, está proibida de entrar. Entende porque o passaporte sanitário não cumpre sua função?!
A questão aqui não é discutir a vacina, pois eu já disse que me vacinei e acredito que a vacinação ajudou a reduzir muito a gravidade dos casos, o que está incomodando é a manutenção de uma política de obrigatoriedade de um passaporte sanitário baseado numa falsa premissa de proteção a coletividade. Quando um assunto sério é imposto com base em um argumento falso atrapalha toda a seriedade do assunto. Atrapalha o real combate ao vírus.
No combate a contaminação, a TESTAGEM RÁPIDA E CONSTANTE ainda é a forma mais eficiente de combater o vírus, desde de o início muitos médicos falaram e ainda falam sobre essa necessidade que pouco tem sido observada pela opinião pública e autoridades.
Hoje jornalistas, juízes, políticos, promotores, artistas falam com mais certeza sobre vírus do que médicos e profissionais da área da saúde, gerando mais dúvidas e conflitos. A ciência exige o contraditório e mesmo com a fácil percepção de que pessoas vacinadas podem se contaminar e transmitir essas exigências não perdem a força nem a narrativa.
O passaporte deve ser esquecido e as pessoas testadas, não é possível combater de verdade o vírus utilizando um método que não resolve o problema que se propôs resolver!

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Lucas Zanatta é formado em Administração e Direito. É vereador em Araçatuba

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