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Pai e filho lançam livro sobre doença do alcoolismo para crianças

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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

A última Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), de 2015, apresentou dados preocupantes sobre infância/adolescência e o consumo de álcool no Brasil: a primeira experiência da garotada foi aos 12 anos, em média, e 55% dos estudantes do 9º ano fundamental (13 a 15 anos) citaram ter experimentado bebida.
Pensando nas crianças e na família, que tem muita dificuldade de discutir o assunto em casa, o advogado Paulo Leme Filho e seu pai, o médico Paulo de Abreu Leme, eles próprios vítimas de alcoolismo em determinada fase de suas vidas, escreveram o livro a quatro mãos.
Abstêmios há mais de 20 anos (o pai, por mais de 30), os dois já tinham publicado juntos “A Doença do Alcoolismo”, em que apresentam o problema sob a ótica de uma enfermidade, portanto, com possibilidade de tratamento e recuperação, e não uma questão de moralidade ou caráter. Agora, eles voltam ao tema através de um personagem de ficção: Diogo.
Os autores narram a trajetória do menino da infância (12 anos) à faculdade (18/19 anos) – em que o álcool e a droga (maconha) compõem um enredo que levam o personagem à rua. Na obra, que pode ser lida pela criança e pelo adulto juntos, um curioso Diogo experimenta cerveja pela primeira vez com a aprovação do avô, que não vê mal nenhum em ver o neto “tomar um golinho”.
A mãe até não aprova o gesto, mas deixa passar. A rotina de beber continua na escola, apesar de ser um bom aluno, e depois, com os amigos e no ensino superior, em dia de aula ou festas, atrasando sua vida acadêmica e profissional.
Distante dos pais e do irmão, Diogo é aconselhado em casa a consultar um médico, que explica a doença (que ele, o próprio médico, sofreu) e sugere ao doente buscar o apoio de pessoas que se recuperaram, permitindo-lhe concluir a faculdade e voltar a conviver com os familiares.
Os autores afirmam que o objetivo do livro é chamar a atenção de meninos e meninas, de 10 a 12 anos, e de seus pais e familiares, por intermédio da leitura e de forma direta, mostrando as causas, os desdobramentos e o tratamento da doença. A edição conta ainda com desenhos que mostram as diversas fases da vida de Diogo até a decisão de não beber mais.
De acordo com os autores, dois fatos contribuíram para a decisão de escrever a obra: a leitura de livros para os dois filhos de Paulo (de 7 e 8 anos), aproximando-os da linguagem da literatura infantil, e a convicção de que o “estrago” causado pelo alcoolismo pode ser minimizado se tratado com antecedência.
Em vez de censura, o texto traz reflexão
Ao comentar a nova publicação, Paulo Leme Filho esclarece: “O livro não tem a pretensão de censurar ou condenar quem bebe em excesso e, sim, provocar a reflexão na família. É um diálogo com a criança e com o futuro dela”.
De acordo com o advogado, a questão do alcoolismo é um tema complexo, de natureza cultural até, em que, na grande maioria dos casos, a conversa se fecha na família por ser considerada chata ou incômoda.
Ele argumenta que, a partir das estatísticas, fica claro que o álcool está cada vez mais presente na vida do jovem, com riscos à saúde e à formação profissional. “Quando mais cedo a família identificar o problema, melhor será a recuperação. No caso do livro, um simples copo de cerveja foi o início de um problema que causou danos ao Diogo. Ou seja, a cerveja servida numa festinha de família pode representar um risco à criança mais na frente”, alerta Paulo Leme Filho.

Serviço:
Quem mal tem ?
Scortecci Editora (32 páginas, R$ 25,00)
Onde comprar: http://www.scortecci.com.br

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