TRANSTORNO - Pacientes esperam várias horas por atendimento em pé e sob forte calor

Pacientes esperam até 5 horas e meia por atendimento no pronto-socorro em Araçatuba

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Moradores que dependem do atendimento oferecido pelo pronto-socorro municipal de Araçatuba estão sofrendo nos últimos dias com a lotação do local. Com a alta demanda, pacientes chegam a ficar 5 horas e meia no aguardo de atendimento. A ala de pediatria é uma das mais problemáticas, onde pessoas ficam por horas com filhos pequenos no colo, de pé, e no calor, aguardando o chamado.
A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL esteve na tarde desta terça-feira (9) no pronto-socorro e se deparou com muita gente no local, a recepção com o seu ar condicionado quebrado em pleno calor de 36 graus, e pessoas aguardando em pé para atendimento e muitas com filhos no colo.
A maior parte das reclamações vêm da ala de atendimento pediátrico. A reportagem conversou com Mariana Camilly Ferreira, moradora do Residencial Beatriz. Ela relata que ficou 5 horas e meia aguardando por atendimento. Após chegar por volta das 11h, ela só foi atendida perto das 16h30 e ainda estava aguardando a medicação para a filha, Lorena, de 7 meses, enquanto falava com O LIBERAL REGIONAL.
“Fiquei esperando umas 5 horas mais ou menos, cheguei aqui era umas 11h, e até agora eu estava esperando medicação pra minha filha, ela tem 7 meses e ainda estou aqui esperando, aguardando”, disse. Ela seguiu: “Quando eu cheguei, falei o que estava acontecendo com a minha filha, ela falou que tinha que esperar e aguardar porque tinha muitos pacientes na minha frente. Tinha gente com suspeita de covid e minha filha passando mal, tossindo, vomitando”, comentou.
Mariana conta que ficou boa parte do tempo de pé, com sua filha no colo. Até o momento em que conversou com a reportagem, ela ainda aguardava a aplicação de medicação na menina.
“Ainda estou esperando, tem que esperar, é difícil ficar aqui com uma menina no colo, é complicado”, lamentou.
Outra mãe que precisou levar o filho de 10 anos no pronto-socorro, nesta terça-feira (9), Gislene Rosa, afirmou que a UBS que atende o seu bairro, o Hilda Mandarino, está sem atendimento pediátrico. Ela já estava há mais de 2 horas aguardando quando conversou com a reportagem, todo esse tempo para conseguir uma autorização para um teste de covid-19.
“A gente vai à procura na UBS e não tem, no caso do meu filho eu precisava de um papel para fazer um teste de covid, precisei vir ao Pronto-Socorro e está lotado. Preciso só de uma autorização para fazer um teste na UBS. As UBSs não atendem e estão sobrecarregando o pronto-socorro”, afirmou.
Gislene também conta que não é a primeira vez que sofre com o tempo de espera para atendimento no local. Na semana retrasada, ao levar uma neta ao local, ficou mais de 4 horas aguardando atendimento e acabou desistindo.
“Semana retrasada eu vim com a minha neta e fiquei 4 horas e meia para ser atendida porque ela tinha sido mordida por um gato, desisti e levei ela embora. Chegou à noite, ela com fome, eu desisti e fui embora, de tanta gente que tinha, tanta criança”, contou.
A moradora pede ao município a volta do atendimento com pediatras na UBS do bairro Umuarama, a mais próxima de sua casa.
“A questão é a UBS voltar a ter o atendimento, porque quando não tem você vai tentar marcar uma consulta é só para daqui dois meses ou então manda pro AME. UBS não está tendo médico”, reclamou.

Questionamento
Devido ao alto número de reclamações relacionadas ao atendimento do pronto-socorro, o vereador Evandro Molina (PP) também foi até o local nesta terça-feira e cobrou a secretária de saúde do município, Carmem Guariente, sobre os problemas com o atendimento.
Segundo o parlamentar, os pacientes precisam de condições mais humanas de atendimento no local.
“Hoje encontramos pessoas com 5 horas e meia aguardando o primeiro atendimento. Encontramos o ar condicionado não funcionando, pessoas de pé porque não tem nem espaço, não é nem questão de não ter a cadeira, não tem espaço para colocar as cadeiras para acomodar esses pacientes e, de fato, o pessoal que está aqui é que realmente precisa, não está por luxo, está aqui porque não tem condições de pagar uma consulta particular”, ressaltou.
O parlamentar acredita que o grande problema está no tamanho do prédio. Para ele, o local não comporta mais a população de Araçatuba, que chega próxima de 200 mil habitantes. Ele crê que é necessário um novo espaço para acolher os atendimentos de urgência e emergência.
‘Hoje esse prédio aqui não comporta mais a população de Araçatuba. Hoje todos procuram o pronto-socorro porque o da Santa Casa não é portaria mais, então todos vêm aqui e daqui são transferidos e aqui também atende toda nossa região e por isso não comporta. Precisa de imediato providenciar um outro local para este atendimento”, pediu o parlamentar.

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