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segunda-feira, maio 16, 2022

Os 4 A’s da liderança

 

Ana Emília Yamashita

A diferença entre chefe e líder, entre mandar e fazer junto, entre ser distante e próximo faz parte de discussões recorrentes das organizações que buscam alta performance ou até mesmo de pessoas que, independente de seus cargos nas empresas, desenvolvem papel de influência na sociedade.

A bola da vez é ser líder e buscar incorporar todas as suas variantes para que se seja percebido como tal. A popularização é tanta que já vemos no mercado de trabalho os mais variados tipos de liderança, tamanha a “gourmetização” da palavra.

Muitos profissionais para se mostrarem atuais e não correrem o risco de perder suas posições buscam incorporar tais direcionamentos como quem veste uma roupa.

E qual o resultado de só buscar o modismo e ser algo que vem de dentro para fora? Muita gente que apenas imita o que imagina ser esperado, mas não é legítimo e não transmite a autoridade da mesma forma que alguém que traz a sua liderança lapidada pelos quatro A’s. E uma categoria inteira corre o risco de ser nivelada por baixo, tamanha a adesão e variação, que logo surge novamente a necessidade de agrupar em novas categorias, para que outras conformações surjam juntamente com novos “comportamentos tendências”.

Mas pensando na atualidade, quais seriam as características dos dois macros grupos líder e chefe? No primeiro, vemos as características funcionais do líder pré-estabelecido, que tem inteligência emocional, é empático, sabe dar feedback e todas aquelas 10 características que estão aos montes em artigos por aí. Na segunda, estão os chefes “com roupa de ir” em liderança, tentando se encaixar, forçando comportamentos que imitam aos dos líderes, buscando a todo custo não perderem oportunidades e serem empáticos.

Daniel Goleman referência em inteligência emocional começa o seu livro Liderança – A Inteligência Emocional na Formação do Líder de Sucesso com uma pergunta: “ O que é mais importante para a liderança que obtém resultados: QI (quociente de inteligência) ou QE (quociente emocional)? O paradoxo é que ambos importam, mas de formas bem diferentes”.

Pensando nisso, temos aqui os quatro A’s da liderança, pura e simples: autoconhecimento, autogestão, autoconfiança e aprimoramento. Eles ajudam a entender o que há de melhor em cada um, e permitem gerir melhor as emoções e acontecimentos, fortalecendo a autoconfiança para que a pessoa permaneça sempre atualizada no mercado. E desta forma, poderá exercer a liderança, que conectada com a sua essência e junto com o conhecimento que adquire sobre o assunto, sobre seus desafios e sua realidade, são capazes de posicionar o indivíduo em lugares estratégicos na vida, nas empresas e corporações. E desta forma, aqueles que se propõe a cargos de liderança não serão mais agrupados em caixas comparativas e avançarão na linha evolutiva deste termo.

Discorrendo sobre os quatro A’s, temos em primeiro lugar o autoconhecimento – quanto mais a pessoa se dedica a entender como ela funciona racional e emocionalmente, mais conseguirá entender o que é preciso para incorporar as mudanças necessárias. Destaque para aperfeiçoamento da capacidade de ouvir, ser empático e conseguir delegar, entendendo sua própria configuração emocional, bloqueios, apegos, aversões e também o que faz sentido e o que pode ser inovado.

A autogestão serve para conseguir equilibrar o que acontece dentro e fora de si, e dessa maneira tomar as decisões mais acertadas, buscando o equilíbrio para a forma de pensar, agir e se comunicar.

Com tais reflexões, buscando equilibrar fatores internos do ser com o externo, é possível se tornar mais autoconfiante para exercer a liderança, pois, as coisas passam a ficar menos pessoais e afetadas na área emocional, com menos suscetibilidade a fazer escolhas acaloradas e impulsivas. O resultado é um agir para tomadas de decisões mais assertivas e conscientes.

Para todos os três anteriores, o aprimoramento deve ser constante, uma vez que o mundo muda a todo momento, as pessoas são as mais diversas possíveis e só ilumina quem leva luz para dentro de si e busca iluminar-se. Aquele que muito mais do que copiar e imitar age de forma íntegra e autêntica se conecta mais, é mais satisfeito e tem os melhores resultados.

Todos já somos líderes em algum nível, esta é uma habilidade que podemos treinar e modelar, mas assim como na aviação, antes a máscara de oxigênio deve ser colocada em você para que depois seja possível ajudar o outro.

Ana Emília Yamashita – mentora, coach e analista comportamental, atua no Instituto da Expressão.

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