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    Home»Cidades»Araçatuba»O meu primeiro audiolivro: A Arte da Guerra
    Araçatuba

    O meu primeiro audiolivro: A Arte da Guerra

    By dfernandesmr11 de maio de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    *Marcelo Teixeira

    Durante o treino de corrida de rua, em um pouco menos de hora e meia, ouvi um audiolivro pela primeira vez: A Arte da Guerra. Há mais de 2 mil anos, um general e filósofo chinês chamado Sun Tzu escreveu um pequeno tratado que os generais liam antes das batalhas. Hoje, esse mesmo texto aparece nas prateleiras de executivos, líderes de equipe e consultores de gestão. O que isso nos diz? Que a natureza humana — com as suas ambições, medos e disputas — mudou muito menos do que gostaríamos de admitir.

    A lição inaugural de Sun Tzu é quase contraintuitiva: a suprema arte da guerra é vencer sem precisar lutar. Transposta ao universo corporativo, essa máxima revela algo que poucos gestores praticam: o confronto direto é, quase sempre, o sinal de um planejamento que falhou. Empresas que constroem marcas sólidas, relações de confiança e diferenciais genuínos raramente precisam “destruir” a concorrência — simplesmente ocupam o espaço antes que o adversário perceba o movimento.

    Mas como vencer sem batalhar? Sun Tzu responde com uma das frases mais citadas da filosofia oriental: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas.” O autoconhecimento, aqui, não é exercício de autoestima — é diagnóstico estratégico. Equipes que ignoram os seus pontos cegos, líderes que desconhecem as fragilidades de seus próprios processos e organizações que subestimam os seus concorrentes estão, nas palavras do militar chinês, destinadas à derrota antes mesmo de entrar em campo.

    Sun Tzu nos ensina, ainda, que a estratégia deve ser como a água: fluida, adaptável, capaz de contornar os obstáculos sem perder a sua força essencial. No ambiente de trabalho contemporâneo, marcado por mudanças de mercado cada vez mais velozes, a rigidez organizacional é um suicídio lento. As empresas que prosperam são aquelas que conseguem redirecionar recursos, reorganizar equipes e revisar planos sem perder a coesão interna — o que Sun Tzu chamaria de Lei Moral, a harmonia de propósitos entre líder e equipe.

    O general também alertava sobre os três defeitos fatais do líder: a imprudência, a covardia e o orgulho irritável. Reconhecemos esses perfis facilmente: o gestor que decide sem ouvir, o que evita decisões difíceis até a crise ser irreversível, e o que confunde crítica com ameaça pessoal. Nenhum deles sobreviveria a um conselho de guerra — e raramente sobrevivem às reuniões trimestrais.

    O que Sun Tzu nos deixa, afinal, não é um manual de agressividade, mas um convite à lucidez. Em qualquer trincheira — militar, corporativa ou cotidiana — vence quem pensa antes de agir, conhece o terreno antes de pisá-lo e lidera pelo exemplo antes de exigir pelos resultados. A guerra, como a vida, é menos sobre força bruta e mais sobre sabedoria aplicada no momento certo.

    A propósito, gostei da experiência de ouvir o livro.

    *Marcelo Teixeira é jornalista profissional diplomado e integrante da Academia Araçatubense de Letras, onde ocupa a Cadeira 11

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