Da Redação – Araçatuba
Ex-ministro da Agricultura do Governo Fernando Collor (1990 a 1992), o médico veterinário e empresário Antonio Mano Cabrera Filho, é irrestrito defensor do liberalismo econômico. Costuma dizer que “não há inovação e nem empreendedorismo sem liberdade econômica, sendo ela a mãe da inovação e das novas tecnologias.”
Segundo Cabrera, a liberdade econômica permite maior expectativa de vida, menor índice de desemprego, maior renda per capta, respeito aos direitos humanos, meio ambiente mais limpo, entre outros aspectos.
A convite do Ilan (Instituto Liberal da Alta Noroeste), ele vai realizar no dia 4 de agosto, no Mariá Plaza Hotel, em Araçatuba (SP), a palestra “Segurança jurídica da propriedade privada no agronegócio – Sua necessidade e o atual governo”. A pauta foi definida em função de invasões de terras produtivas por movimentos sociais serem um problema recorrente no Brasil, acentuado após o Governo Lula assumir a Presidência da República.
Sobre essa e outras questões, Cabrera concedeu entrevista exclusiva ao jornal O Liberal.
– O senhor sempre foi adepto do liberalismo econômico ou isso ocorreu em algum momento específico da sua vida?
Venho de uma família de empreendedores e a liberdade econômica sempre foi a nossa conversa cotidiana. Mas a trilogia dos livros de Mises, Hayek e Bastiat me influenciaram bastante (os austríacos Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek, mais o francês Claude-Frederic Bastiat, foram pensadores e economistas que influenciaram significativamente o campo da economia e da filosofia política, sendo que têm até hoje impacto significativo na defesa das ideias liberais, da economia de mercado e da liberdade individual, e as suas obras continuam sendo estudadas e discutidas até os dias atuais).
– Por que acredita que o liberalismo é a corrente econômica mais adequada para o Brasil?
Não tenho dúvida disto. A sociedade brasileira tem que traçar uma fronteira sobre o que pertence ao Estado e o que corresponde à sociedade civil. Hoje, o governo emite mais de 60 milhões de cheques todo mês. E esta conta não está fechando. É importante ensinar que a liberdade é inversamente proporcional ao poder do Estado.
Ou seja, a diferença entre o Estado Social e o Estado tirano é uma questão de tempo.
– Em algum momento (ou mais de um) da nossa história, o Brasil esteve verdadeiramente propenso ao liberalismo econômico? O governo Bolsonaro foi um desses momentos?
Sim, fiz parte do Governo Collor e promovemos uma grande liberalização na economia. Ficou extremamente conhecida a expressão “nossos carros são umas carroças”, quando foi feita a abertura da indústria automobilística. Vários outros setores tiveram as suas barreiras derrubadas, como o fim da Reserva de Informática. No agronegócio, liberamos todos os preços que eram tabelados, como o leite, carne e o pãozinho na padaria. E o Governo Bolsonaro caminhou nesta direção também.
– Cite um ou mais países de economia liberal que o senhor enxerga como modelo(s) para o Brasil?
Cingapura, Honk Kong e Suíça são exemplos de países livres e ricos.
– Como avalia estes primeiros meses do governo Lula, principalmente na área econômica?
Muito mal. As últimas ações são um grande retrocesso, como a reestatização da Eletrobrás ou o fim do Marco do Saneamento. É a volta do Estado Grade do passado, no qual tanta corrupção ocorreu no Brasil.
– O Estado mais interventor do governo Lula em relação a Bolsonaro é um retrocesso do Brasil frente à economia global?
Sim, e quem vai pagar esta conta com mais intensidade são os pobres. O Estado não gera riqueza, ele apenas tenta redistribuir, e assim mesmo, de forma muito mal feita. As ações econômicas de planejamento central já demonstraram que este caminho não leva à prosperidade.
– Como enxerga a questão agrária no atual governo e as ameaças constantes de invasões do MST?
Muito mal. O direito de propriedade é o principal alicerce de uma sociedade democrática. Não há prosperidade sem o respeito do direito de propriedade. O Brasil ainda é a única econômica agrícola que vive neste estágio de insegurança jurídica. Nossos concorrentes, como EUA, Europa ou Austrália, não têm um MST para atormentar a vida dos seus produtores.
– Como as entidades liberais, como o Ilan, podem e devem contribuir para fomentar o liberalismo?
Por meio da propagação de ideias. A grande luta do nosso tempo é a defesa de ideias que fomentem a liberdade. Uma boa ideia não tem fronteira e não há o que a segure. E o Ilan é uma peça fundamental nesta arena.
– O senhor fala com o mesmo entusiasmo de empreendedorismo, liberalismo econômico, fé e religiosidade. Elas caminham sempre juntas, uma complementando a outra na sua vida?
Sim, a liberdade econômica nasceu na Europa Cristã. Adam Smith era, antes de tudo, um filósofo moral. A liberdade econômica depende de uma moralidade entre os participantes desta sociedade. Afinal, Jesus, a principal figura do cristianismo, era um carpinteiro. Isto demonstra claramente a união da Fé e do Trabalho. Aliás, convido o leitor a entrar no site http://www.feetrabalho.com.br e aprender mais sobre isto.
Serviço
– Evento: Palestra “Segurança jurídica da Propriedade Privada no Agronegócio – Sua necessidade e o atual governo”
– Data: 04/08/2023 (sexta-feira)
– Horário: 19h30
– Local: Mariá Plaza Hotel (Sala Trattoria)
– Endereço: Rua Anhanguera, 3.909, Jardim Nova Iorque, Araçatuba (SP)
– Reservas: (18) 99146-1238

