ESPERA - Clientes estão esperando mais por veículos após chamado no aplicativo em Araçatuba

Número de motoristas por aplicativo tem queda de 75% em Araçatuba

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DIEGO FERNANDES – ANDRADINA

A oferta de motoristas de aplicativo sofreu uma queda nos últimos meses em Araçatuba. Pessoas que utilizam este tipo de locomoção notaram que a espera por um veículo tem maior e, em alguns horários, principalmente durante as madrugadas, a oferta de veículos é baixa no município e praticamente inexistente nas cidades da região.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL buscou neste sábado (10) pela manhã no aplicativo da Uber, uma das empresas que mais mantém motoristas em todo o Brasil, veículos disponíveis em Araçatuba. Foram encontrados seis motoristas operando o serviço por volta das 10h, todos eles no centro, e nenhum em outras cidades mais próximas como Birigui e Guararapes.

De acordo com números das plataformas, houve uma queda de aproximadamente 75% de pessoas atuando no transporte por aplicativo em Araçatuba desde o início do serviço. O município, que chegou a ter 1.200 motoristas em 2018, no primeiro ano de operação dos aplicativos por aqui, agora está com cerca de 300 pessoas prestando o serviço.

O representante da Associação dos Motoristas por Aplicativo de Araçatuba e Região, Tiago dos Reis, também comenta que o número de motoristas no grupo da associação caiu de 250 para 150 e que essa queda tem sido constante. Ele cita vários fatores que contribuíram para esta queda no número de pessoas que prestam o serviço, e um dos principais seria a taxa de comissão paga a algumas plataformas por corrida.

Reis afirma que no começo pagava-se 10% para algumas plataformas e agora este pagamento chega a 42%, diminuindo a margem de lucro dos motoristas. Além disso, outros fatores como aumento no preço dos combustíveis e aumento do valor do seguro dos veículos, também causou a desistência de vários trabalhadores que atuavam na área e que tinham a prática como complementar ou, até mesmo, como única forma de obter renda.

“Manutenção do veículo é muita cara; combustível sobe sem um política de controle; quem loca carro não consegue pagar os mais de 2 mil reais por mês de aluguel; limpeza do carro mais cara, internet para celular mais cara, enfim no conjunto da obra estamos pagando pra trabalhar, sendo explorados pelas grandes operadoras multinacionais”, afirmou Tiago dos Reis.

Segundo o representante da categoria, atualmente, para os passageiros é cobrado o valor de R$ 1,55 por quilômetro rodado, sendo que deste valor, R$ 0,43 são repassados às operadoras, sobrando para os motoristas a quantia de R$ 1,02.

“Só o custo de combustível da algo entorno de R$ 0,40 o km. Sobra R$ 0,60 o km pra tirar lucro, manutenção do carro, seguro, limpeza, internet, etc”, afirmou Reis, levando em consideração o preço médio do litro do etanol em Araçatuba, que neste sábado estava em torno de R$ 3,89.

Segundo Reis, muitos motoristas que tiravam o seu sustento destas plataformas estão passando por dificuldades e aumentando suas dívidas por causa da inviabilidade na prestação do serviço atualmente.

“É desumano e incompatível está política de tarifa onde vários pais de família destruíram seus carros por falta de manutenção, outros perderam seus carros para o banco pois não sobrar nada de lucro. Ao contrário, muitos estão vivendo de rotativo de especial do banco, cartão de crédito e empréstimos, se afundando a cada dia mais em dívidas, é triste e desesperador ver amigos motoristas passando por isso”, lamentou.

Ele ainda reclama da falta de reajuste de tarifas por parte das operadoras, que segundo ele é o mesmo desde o início dos serviços em Araçatuba, em fevereiro de 2018.

“O serviço de aplicativos está completando 3 anos e 6 meses os motoristas não tiveram nenhum reajuste nas tarifas de repasse, isso mesmo, nenhum! A conta não fecha assim. Pra você ter uma ideia estamos fazendo corrida de carro com valor mais baixo que ônibus da TUA”, reclamou Reis fazendo comparação com o serviço de transporte coletivo de Araçatuba.

A reportagem entrou em contato com duas das operadoras do serviço, Uber e 99, porém não recebeu resposta até o fechamento desta edição.

 


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