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Não basta mudar. É preciso induzir a mudança

EDUARDO FISCHER

Empresas devem se comprometer com a busca por uma economia sustentável e de baixo carbono

À medida que o mundo se depara com mudanças climáticas cada vez mais inquestionáveis, as grandes empresas precisam assumir o papel de protagonistas no engajamento das suas cadeias de fornecimento para mitigar o aquecimento global. Esse é o desafio do século e as empresas líderes de seus setores têm como obrigação incentivar suas cadeias para uma mudança urgente de atitude.

E para transformar mentes é necessário estabelecer uma nova ordem de prioridades na indústria e na vida cotidiana, trata-se da conscientização sobre as implicações das mudanças climáticas – que além de estarem diretamente associadas ao aumento no custo da operação e na redução da capacidade de produção são uma ameaça para os ecossistemas do planeta e também para os direitos fundamentais ao ampliar desigualdades e criar injustiças.

O papel das companhias é induzir iniciativas que façam a diferença para a humanidade. Para orientá-las, uma ferramenta em especial vem se mostrando estratégica: a Iniciativa com Objetivos Baseados em Ciência, ou Science Based Targets Initiative (SBTi), conduzida pelo CDP, United Nations Global Compact, World Resources Institute (WRI) e WWF, que identificam e promovem abordagens inovadoras para a fixação de metas ambiciosas e significativas de redução de emissões de GEE (gases de efeito estufa), impulsionando a transição rumo a uma economia de baixo carbono.

Sabemos que esse movimento ainda é tímido na América Latina e em especial no Brasil, mas isso precisa mudar. Em janeiro deste ano, a MRV se tornou a primeira empresa do setor da construção civil no país a assumir o compromisso de combate às mudanças climáticas junto à iniciativa SBTi. Naquele momento, apenas 46 empresas da América Latina haviam aderido à iniciativa, sendo somente 18 brasileiras.

A MRV é signatária do Pacto Global da ONU desde 2016 e sabe da necessidade de desenvolver ações em diferentes frentes, com metas claras, de médio e longo prazo, envolvendo inclusive toda a cadeia de fornecedores. Aliás, no ano passado, alcançamos uma redução significativa nas emissões indiretas. No caso das emissões indiretas por aquisição de energia, experimentamos uma queda de 24% nas emissões, em comparação a 2019. Seguindo a estratégia de fazer a transição energética na direção de fontes limpas e renováveis, em 2020 implantamos nossa primeira usina fotovoltaica para o consumo de obras, plantões de vendas e escritórios, em Uberaba (MG), com capacidade de 1 GWh/ ano, e iniciamos a instalação de mais uma, no estado da Bahia, com capacidade prevista de 480 MWh/ano.

Além disso, por livre iniciativa, integramos o Programa Carbon Disclosure Program (CDP), reportando informações solicitadas por fundos e investidores. Também estamos conectados ao Programa CDP Supply Chain, que nos apoia na definição de estratégias de engajamento dos fornecedores por meio da análise de riscos e oportunidades associados às mudanças do clima e à gestão de gases causadores de efeito estufa.

Em coerência com esses compromissos, em 2020, negociamos quase R$ 1,5 bilhão com nossa base de mais de 7.900 fornecedores responsáveis de serviços, matéria-prima, equipamentos, tecnologias e mão de obra, que são fundamentais às nossas rotinas. Também no ano passado, 100% dos 486 novos parceiros foram contratados com base em critérios sociais, e também em quesitos ambientais. Assim, buscamos expandir nossas próprias ações, construindo uma cultura de ações efetivas capazes de conter as mudanças climáticas.

Não há, outro caminho a não ser investir cada vez mais em iniciativas sustentáveis e nossa meta é levar toda nossa cadeia de fornecedores a fazer o mesmo.

* Eduardo Fischer é CEO da MRV, empresa do grupo MRV&CO, uma plataforma habitacional composta por marcas que oferecem a solução de moradia adequada para cada necessidade e momento de vida.

 

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