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segunda-feira, maio 16, 2022

NA SEGUNDA VISITA A ARAÇATUBA, ÁLVARO DIAS FALA NO COMBATE AO ESTÍMULO DA VIOLÊNCIA

Era final de tarde de sexta-feira, feriado de 7 de setembro. E mais do que isso: um dia depois do acontecimento mais chocante da campanha eleitoral até o momento, o atentado ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). Estava-se também a exato um mês da eleição para presidente. Ainda sem decolar nas pesquisas de intenções de votos, mas crente que as próximas semanas serão cruciais para uma subida, o presidenciável Álvaro Dias (Podemos) fazia, naquele dia, sua segunda visita a Araçatuba em menos de dois meses. Com o meio político ainda em choque após o ataque sofrido pelo líder da corrida presidencial, o senador pelo Paraná não deixou de abordar o tema violência.

Em entrevista exclusiva ao jornal O LIBERAL REGIONAL, pouco antes de iniciar sua participação na cerimônia de lançamento da campanha do candidato a deputado estadual Filipe Fornari, seu correligionário, Dias defendeu não só o combate à violência, mas também o estímulo à prática. “A violência deve ser combatida, seja qual for: contra candidato, eleitor, mulher, criança…”, afirmou. “Mas devemos combater também o estímulo à violência. Estimular à violência é também uma forma de violência e isso devemos combater”, declarou, ao ser questionado sobre como analisava o episódio envolvendo o adversário do PSL, que tem defendido ações mais incisivas no combate à criminalidade. Uma delas é a liberação do uso da arma de fogo, conforme disse em recente visita a Araçatuba.

Dias acredita que a insatisfação das pessoas com a atual situação do Brasil tem levado a manifestações de revolta. “Nós sabemos que há uma indignação no País, mas indignação não se pode confundir com raiva, com ódio, com intolerância… Isso tudo trabalha contra a democracia”, acredita o candidato do Podemos, que manifestou solidariedade a Bolsonaro e à família de seu oponente.

RETRATO
Para o presidenciável, a eleição deste ano é uma “fotografia do Brasil”.

Ele fez essa avaliação ao falar da situação de desigualdade com a qual os candidatos chegam à disputa eleitoral em decorrência de condições impostas pela legislação eleitoral para a concessão do tempo de propaganda no rádio e na tevê e obtenção de recursos para a campanha. No horário eleitoral gratuito, Álvaro Dias, cujo partido tem coligação formada com o PSC, PRP e PTC, conta com apenas com 33 segundos. Já o seu desafeto Geraldo Alckmin, candidato pelo PSDB, partido onde Dias militava anteriormente, dispõe de 6 minutos e 3 segundos.

“É uma eleição desigual, injusta e desonesta. Alguns candidatos com muitos recursos, outros com quase nada; alguns com muito tempo de televisão, outros não. Assim como desigual é o Brasil, com tantas desigualdades sociais, decorrentes da desigualdade de oportunidades”, analisou Dias. “Estamos vendo nesta eleição uma fotografia do Brasil. Temos que enfrentar essa realidade, acreditar na inteligência do povo e acreditar que o Brasil vai acordar. Precisamos abrir o olho para perceber que há muita coisa por de trás desse sistema eleitoral.”

Cativar eleitorado indeciso ainda é desafio
Em 27 de julho, quando esteve em Araçatuba ainda como pré-candidato, Álvaro Dias dizia que um de seus maiores desafios seria cativar o eleitorado indeciso. Pouco mais de um mês após a primeira vinda, esta luta persiste. Nas pesquisas de intenções de votos, o candidato do Podemos varia entre 2% e 3%, bem distante dos primeiros colocados. Porém, acredita que, apesar da proximidade da eleição, ainda haja grande número de indecisos, fatia do eleitorado que espera alcançar, mesmo tendo pouco tempo para propaganda na mídia eletrônica.

” A expectativa é cativar a população descrente. Eu imagino aí em torno de 60% dos eleitores indecisos. A partir de agora, deve ocorrer um acompanhamento do noticiário, dos debates e das propostas”, avaliou.

Ainda na visita, ele resumiu sua proposta de campanha no “rompimento com o atual sistema”. Segundo ele, nenhuma outra proposta terá sucesso com o modelo vigente, onde, em sua análise, a corrupção impera.

“Ele (o atual sistema) inviabiliza qualquer solução. Os candidatos que prometem solução para os problemas do País estão apenas concretizando um blá, blá, blá eleitoral. Não há mágica capaz de resolver os problemas do País se mantivermos este sistema corrupto que absorve todos os recursos da receita pública e afasta os investimentos externos que são fundamentais para alavancar o desenvolvimento econômico”, finalizou.

João Dória não ganhará a eleição, diz ex-tucano
Segundo colocado nas pesquisas de intenções de voto, o candidato ao Senado Mário Covas Neto (Podemos) também acompanhou a visita de Álvaro Dias. Ele defendeu uma relação republicana entre os governos, mesmo que haja diferenças partidárias. “Tenho dito o seguinte: o senador que for eleito é senador por São Paulo. Não importa o governador ou o presidente da República. Se o presidente não for do meu partido, eu, como senador, não posso virar as costas para São Paulo numa eventual disputa de interesse entre governo estadual e federal”, disse.

De qualquer forma, não deixou de cutucar o candidato a governador João Dória, que é do PSDB, partido onde militava e que teve seu pai, o ex-governador Mário Covas, como um dos fundadores. “Só uma coisa: o João Dória não ganhará a eleição”, afirmou ao ‘LIBERAL’. Covas Neto deixou o PSDB após divergências com o atual grupo que comanda o partido na capital, apesar de seu sobrinho, Bruno Covas, estar como prefeito pelo partido.

Ao defender o republicanismo, mais uma vez, citou o pai pai. Lembrou que ele foi governador na década de 1990, num período em que a capital tinha como prefeito Paulo Maluf, seu maior desafeto. “Mesmo assim, cada um defendeu a população que o elegeu. Tem que ter uma relação republicana.”

Arnon Gomes

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