Home Cidades Araçatuba Missão de Doria na China garante contrato de R$ 25 milhões para empresa de Birigui

Missão de Doria na China garante contrato de R$ 25 milhões para empresa de Birigui

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ARNON GOMES – BIRIGUI

A sensação é de efeito contrário. Considerada já há algum tempo uma pedra no sapato do comércio de calçados produzidos em Birigui, a China acaba de se tornar parceira de uma das maiores empresas do polo calçadista infantil, a Kidy. A indústria acaba de fechar contrato no valor de R$ 25 milhões com uma empresa chinesa para a exportação de seus produtos. O acordo foi formalizado na última segunda-feira, primeiro dia da visita do governador João Doria (PSDB) ao país do Oriente em missão comercial, acompanhado de empresários paulistas.
De acordo com ele, este foi o primeiro resultado da ação. O acordo prevê distribuição e venda dos itens produzidos na região. Em vídeo gravado na China, ao lado do governador, um dos sócios da Kidy, Ricardo Gracia, disse: “Para nós, empresários, é importante esse posicionamento do Governo de São Paulo, através do Investe SP, que nos dá segurança de buscar novos parceiros e investimentos para novos negócios”.
Em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL, ontem à tarde, o presidente da Kidy, Sergio Gracia, explicou que a parceria consiste numa “joint venture” – união de empresas já existentes com o objetivo de realizar uma atividade econômica por determinado período. “Criamos uma rede de varejo com a China. Vamos fornecer calçados da marca Kidy para lá”, disse Sergio, ressaltando que a medida acompanha o processo de internacionalização da empresa.
Hoje, a Kidy exporta para 42 países. Mas, no caso da China, há um diferencial. Trata-se da maior da fabricante e exportadora mundial de calçados. Oitenta por cento da produção calçadista vem de lá. Uma das dificuldades do setor, em Birigui, está justamente ligada à concorrência com os produtos chineses.
Sergio, por sua vez, acredita que formalização da parceria pode ser atribuída a uma observância do empresariado chinês na mudança do hábito de consumo de seus clientes. “Perceberam que a classe média de lá não quer produtos domésticos, os ‘made in China’. E a bandeira brasileira é muito carismática por lá, por conta de toda a cultura brasileira que é divulgada por lá”, avalia o empresário biriguiense. “Estamos muito otimistas”, afirma.
SUPERAÇÃO
A notícia da parceria ocorre num momento em que a indústria calçadista de Birigui tenta superar uma grave crise. Conforme o último balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, divulgado no mês passado, em junho, 649 postos de trabalho com carteira assinada foram fechados na cidade. Foi o pior desempenho dentre as cidades da região. Desse total, 492 postos (o equivalente a 75,9%) apenas na indústria de transformação. O resultado é consequência do momento delicado da indústria de calçados, principal atividade do setor produtivo do município. Em todo o Estado de São Paulo, somente no sexto mês do ano, as fábricas de calçado eliminaram 916 empregos formais. Nos últimos doze meses, foram 5.068.
Com a parceria da Kidy, há a expectativa de aumento na geração de empregos no setor. Isso, o próprio governador admitiu ao falar da conquista no vídeo ao lado de Ricardo Gracia. “É o Governo de São Paulo cumprindo seu dever de estimular o desenvolvimento econômico e geração de empregos no Estado”, declarou o governador.

 

Investimentos em energia também são tratados

Ontem, Doria se reuniu com Li Bianqu, diretor da TBEA, para tratar de oportunidades de investimentos em São Paulo para a gigante chinesa do setor de energia. A empresa tem interesse em investir em linhas de transmissão e distribuição de energias hidrelétrica e solar no Brasil. “Tenho certeza que esse encontro ser o início de uma duradoura relação de amizade, cooperação e de desenvolvimento de oportunidades. Queremos criar uma nova era na relação comercial entre São Paulo e China”, disse Doria.
A comitiva paulista, que também teve a participação do Secretário da Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles, foi recebida por executivos da empresa chinesa. Foram apresentados vídeos sobre a Missão China – quarta missão empresarial de São Paulo no mercado externo neste ano – e as oportunidades de negócios no Estado, além de painéis e maquetes sobre as áreas de atuação da TBEA. A empresa é especializada em energia limpa e já forneceu equipamentos para mais de 60 países, entre eles os Estados Unidos da América, Rússia, Paquistão e Tajiquistão.

ETANOL
O governador e o secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, reuniram-se com Lu Jun, presidente da China National Cereals, Oilsand Foodstuffs Corporation (COFCO), maior trading do setor agropecuário no mundo, para discutir, entre outras coisas, a abertura do mercado chinês para o etanol paulista, o aumento da exportação de proteína animal e a expansão das operações portuárias.
“Tivemos uma fantástica reunião com a COFCO, um grande parceiro comercial do Brasil. Penso que podemos aumentar os negócios com São Paulo nos próximos meses”, comentou Doria.

 

Missão China é a maior de todas

A Missão China é a quarta missão empresarial de São Paulo no mercado externo e a maior de todas. Em busca de investimentos para o Estado de São Paulo, o governador, junto com um grupo de empresários e cinco secretários de Estados (Agricultura e Abastecimento, Desenvolvimento Econômico, Fazenda e Planejamento, Transportes Metropolitanos e Relações Internacionais), desembarcou no dia 5 de agosto, em Pequim onde fica até dia 11, com agenda também nas províncias de Xian e Xangai.
A missão é liderada e foi organizada pela InvestSP, a agência de promoção de exportações e investimentos do Estado de São Paulo.
Além de estimular a geração de negócios para as principais cadeias produtivas do Estado, a Missão China 2019 está levando para empresas e investidores chineses as oportunidades de investimentos disponíveis em São Paulo. São 21 projetos disponíveis, sendo 16 de concessões e 5 de Parcerias Público Privadas, que totalizam R$ 37,6 bilhões em receitas que podem chegar aos cofres de São Paulo.
A Missão China 2019 conta com o apoio e suporte financeiros da AstraZeneca, Bank of Communications, Bank of China, CRRC, LinkLatters, Pinheiro Neto Advogados e PwC.

 


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