RUBENS BIZARRO ROMARIZ.
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“Não temo o fogo vivo que me adverte com a sua chama; livrai-me da brasa moribunda que se esconde sob a cinza. ( Tagor).
Ainda guardo na memória lembranças tantas, sensações diversas dos alunos com os quais vivi e convivi em salas de aula. A profissão de ser professor só será verdadeira se houver vocação. A criança é o instante em que o homem carrega a alma cândida, e o professor que souber cativar, colherá o que mais de belo existe em amizade – o carinho diário da convivência.
Certa vez, estava numa posição de sentido a olhar meus alunos de uma sexta série, resolvendo questões de Ciências, sendo que a última referia-se a uma mini- dissertação “Fecundação e Metamorfose dos Sapos.”
Colhia em cada face, daquelas crianças de doze anos de vida, as preocupações de cada um em acertar, de dizer tudo sem se esquecer de nada, apesar de que alguns dizem, esquecendo tudo.
Para esses, concluímos que não houve aprendizagem, sendo que as causas são múltiplas e que muitas vezes foge da nossa posição de querer saná-las. Porém, todos lutam, preocupam-se em fazer o certo, em lembrar-se de todas as fazes das observações das aulas práticas, cujas anotações guardam em seus cadernos.
É assim o homem motivado, querer subir na longa escada – “a escada do saber”. Por isso, deveríamos medir o homem pelo que sabe e capaz de fazer, e nunca pelo que diz que fala ou o que promete.
No caso, a “Metamorfose do Sapo”, é suscetível, pois as transformações são extrínsecas (de fora); já no homem a metamorfose é feita de dentro para fora ( intrínsecas) e, esta não pode ser vista apenas com o olho fotográfico. Foi quiçá, por essa razão, que me deixei vagar nesses pedaços de minutos, e assim vi: homens liderando sem serem líderes; homens chefiando sem serem chefes; homens orientando quando deveriam ser orientados; homens disputando quando já foram derrotados; homens falando quando deveriam calar.
Na metamorfose dos sapos o girino perde a cauda ao sair da vida aquática para habitar definitivamente na terra sólida. O homem, ao contrário, já nasce sem cauda e, segundo a teoria da evolução, perdeu-a ao longo de sua existência, o que para mim até certo ponto é incerto, pois muitos homens ainda a ocultam, encobrem, disfarçam ou camuflam a cauda fazendo a falsa imagem de que somos todos iguais.
Uma sociedade justa é aquela que cedo consegue perceber todos os homens, que ao longo de suas jornadas de vida formaram o seu caráter, suas filosofias de vida, suas posturas públicas. Quando, porém; essa mesma sociedade premia os homens sem se aperceber de suas caudas ocultas, então, é normal mais tarde pressentir as brasas vivas entre as cinzas de uma sociedade que não soube premiar seus melhores alunos.
Hoje pela via televisiva o homem esclarecido percebe quantos falam e dizem, quantos são apenas sofistas e ocultam-se nas vestes políticas para poderem continuar dominando as classes sociais, maiores e menos esclarecidas.
Um bom dia aos nossos leitores de crônicas do “O Liberal.” Sim, é verdade, as brasas moribundas se escondem sob as sobre as cinzas.
RUBENS BIZARRO ROMARIZ [E PROFESSOR APOSENTADO, CRONISTA E ESCRITOR. ESCREVE SEMANALMENTE PARA O LIBERAL REGIONAL



