SEM COMPROVAÇÃO - Mesmo com eficácia questionada, muitos medicamentos são ministrados AGÊNCIA BRASIL

Mesmo contestados, medicamentos são prescritos para tratamento de covid-19

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ANTONIO CRISPIM – ARAÇATUBA

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, que causa a covid-19, a comunidade científica, médicos e a população envolvem-se em discussões sobre o tratamento. O que é eficaz e o que não funciona. Um ano depois, ainda não existe resposta positiva. E diante das dificuldades, médicos iniciam o tratamento precoce da doença, mesmo sem diagnóstico fechado. Pelo menos em Araçatuba quem procura as unidades de saúde apresentando quadro sugestivo da doença é encaminhado para exame, cujo resultados sai quase 10 dias após a consulta. Neste intervalo de tempo, a prescrição padrão é azitromicina, dexametasona 4mg e dipirona. Os medicamentos são para cinco dias. Acabam antes do resultado do exame, que pode ser negativo.

A discussão quanto ao tratamento é antiga. Desde quando o presidente Jair Bolsonaro apresentou a cloroquina como opção de tratamento, o consumo do medicamento explodiu. Diante do elevado consumo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baixou norma exigindo prescrição médica para compra do remédio. Até mesmo os pacientes que faziam uso continuo tiveram de enfrentar o problema. Isso sem falar no preço, que disparou. Fala-se em até 1.000% de aumento.

Diante da falta de resposta da comunidade científica com um medicamento comprovadamente eficaz, foram surgindo outros produtos igualmente usados em larga escala, como a azitromicina, ivermectina, Annita (remédio que tem nitazoxanida na composição, indicada para o tratamento de infecções como gastroenterites virais causadas por rotavírus e norovírus entre outros), além da cloroquina e hidroxicloroquina (derivado da cloroquina).

A Organização Mundial da Saúde e outros organismos igualmente importantes não recomendam o uso da cloroquina e seu derivado. No entanto, um dos mais renomados infectologistas do país e que já esteve à frente de comitê de enfrentando à doença, ao ser infectado, iniciou o tratamento. A sua receita de cloroquina acabou sendo publicada. A justiça lhe garantiu o direito de indenização pelo profissional que fotografou o receituário. Na mesma época, o prefeito de São Paulo anunciou o uso da cloroquina no tratamento de casos de covid.

Há muitas controvérsias em relação ao tratamento precoce e mesmo com o uso do kit covid, como ocorreu em Porto Feliz, cidade que no ano passado esteve no centro de muitas publicações pelo suposto uso do kit covid distribuído pelo prefeito Doutor Cássio, reeleito com 92%. Porém, foram distribuídos 1,5 mil kits e a cidade tem mais de 50 mil habitantes. Até a última a segunda-feira (22), o município registrava 47 mortes pela doença. Com pouco mais de 4.000 casos, tem índice de mortes de 1,16%, inferior ao do estado (2,8%), mas, comparada com a população, não se diferencia das localidades vizinhas. De acordo com fontes do governo paulista, foram 7,7 mortes por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. Inferior a Sorocaba (19,1 mortes por 100 mil) e Itu (14,1), maiores cidades da região, próximo a Tatuí (9,2) e superior a Capivari (3,7), Boituva (3,5) e Tietê (4,9). Destas cidades apenas Sorocaba iniciou o tratamento com o kit covid, mas sem cloroquina.

 

DEMORA NOS EXAMES

O ideal é o paciente iniciar o tratamento após o resultado do exame. Mas em Araçatuba, devido à demora, o tratamento é imediato. Um paciente que procurou a redação disse que passou pelo médico na segunda-feira (15) e já ficou em isolamento. O teste foi agendado para quinta-feira (18) e o resultado saiu na outra semana. Ele continuou isolado e tomando os medicamentos prescritos. Ele considera isso um tratamento precoce, ou seja, antes de confirmar a enfermidade. Mas isso ocorre em todas as cidades. Na dúvida, inicia o tratamento. É um padrão que está sendo seguido.

 

PACIENTES INTERNADOS

Há algum tempo a reportagem vem procurando saber quais os medicamentos são ministrados aos pacientes internados. Porém, médicos e hospitais não falam sobre o assunto. Diante disso a reportagem obteve informação de um paciente quanto aos medicamentos que tomou no período de internação. Ele se recorda da azitromicina, ciprofloxacino e ivermectina. Ou seja, a ivermectina, tão questionada, foi ou está sendo usada em hospitais.

 

INCERTEZAS

Como até agora não há comprovação científica de medicamento eficaz contra o vírus, os tratamentos são voltados às consequências, procurando melhorar a função respiratória. E expressiva parcela da sociedade consumiu de maneira precoce medicamentos como a ivermectina, cloroquina e outros.

 

POSIÇÕES

O presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein divulgou na quinta-feira (25) um pronunciamento gravado em vídeo. No pronunciamento, ele faz apelo para que a população mantenha as recomendações cientificamente comprovadas contra a pandemia da Covid-19.

“Alguns cansaram de adotar essas medidas e jogaram a toalha. Outros, se apegaram a fake news, que disseminam tratamentos de prevenção, sendo que não há, até agora, qualquer medicamento, chá ou receita caseira que evite a contaminação pelo vírus”, disse o Dr. Sidney Klajner.

 

MUNICÍPIOS

Na maioria dos municípios foram colocados medicamentos à disposição para prescrição dos médicos. Os principais medicamentos colocados à disposição são: Azitromicina, Amoxicilina, Prednisona, Loratadina, Dipirona, Paracetamol, Metocloropramida, cloreto de sódio nasal, Tamiflu, Levofloxacino, Hidroxicloroquina,, Ivermectina e AAS, entre outros.

 

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