Diego Fernandes – Araçatuba
O mês de junho registrou uma queda de 1,93% no IGP-M, que é o Índice Geral de Preços – Mercado, sendo que já vinha de queda também no mês de maio. No ano, a baixa é de -4,46% e em 12 meses é de -6,86%. Essa baixa interfere no valor dos alugueis, já que boa parte dos contratos renovados são reajustados com base neste índice.
O que poderia ser uma boa informação para os locatários, com preços de alugueis mais acessíveis, pode ser ruim para o mercado de locações e atingir também os proprietários. Em Araçatuba, a demanda por alugueis relacionada aos estudantes, principalmente, pode ficar prejudicada pela falta de investimento no setor pelas más condições econômicas, segundo avaliou o presidente do CreciSP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), José Augusto Viana Neto.
Para ele, o fato de o IGP-M vir em queda pode desestimular investidores e causar uma falta de oferta por imóveis em Araçatuba e região, o que, ao invés de diminuir, pode aumentar o preço dos alugueis para locatários.
“Eu acredito que o aluguel vai continuar aumentando pela escassez de imóveis. Evidente que isto tem um reflexo muito grande para a sociedade. Em Araçatuba principalmente tem muitas escolas, muitos alunos de fora, que dependem de locação. Uma boa negociação entre locador e locatário pode incentivar o proprietário a não vender essas propriedades, porque não temos imóveis para alugar”, afirmou. “Ainda se esses poucos investidores resolvem vender essas propriedades e investir em outros setores, para aquele que depende de aluguel vai ficar muito pior, porque os imóveis restantes vão ficar supervalorizados”, seguiu.
O presidente do CreciSP acredita que a melhor forma de chegar a um meio termo entre proprietário e locatário é a negociação individual.
“As partes devem se entender em valores que fiquem adequados para ambos. A melhor forma é ter uma negociação entre locador e locatário para evitar atritos futuros”, afirmou.
Mau negócio
O dirigente do CreciSP acredita que o investimento em imóveis para locação não é um bom negócio no Brasil atualmente, justamente por causa da baixa nos rendimentos.
Para Viana Neto, muitos dos investidores estão buscando outros meios, como por exemplo, a bolsa de valores, ou outros tipos de negócio para investir por causa da queda no IGP-M.
“A queda no IGPM irá refletir de forma dramática no mercado de locações, não só de Araçatuba, mas de todo o Brasil. Investidores não temos porque a locação no Brasil não é um bom negócio, a locação residencial. Porque o locatário quando ocupa o imóvel acaba tendo mais direito sobre a propriedade do que o proprietário. E o outro fato importante é que agora vem o IGP-M muito baixo, o contrato que for feito com base no IGP-M vai ter que reduzir a locação, quem for renovar o contrato agora vai ter que baixar o aluguel em 6,86% e todos nós sabemos que o custo de vida aumentou”, explicou.
Segundo ele, o aumento nos aluguéis ocorrido no ano passado foi algo temporário, e a queda atual já vem ocorrendo desde o início da pandemia.
“Esse aumento de valor de aluguel que teve no ano passado foi temporâneo, porque os alugueis vinham em queda na pandemia, vários alugueis foram reduzidos para permitir que as pessoas continuassem morando, para quem é dono do imóvel a situação está difícil”, disse. “Com esse episódio de queda no rendimento do proprietário, muita gente vai vender o imóvel e investir em outro lugar, em bolsas de valores, comércio, ou algo assim, porque fica inviável”, completou.
Queda
De acordo com especialistas, as quedas do IGP-M foram impulsionadas pela queda dos preços dos combustíveis nas refinarias.
O preço do óleo diesel encolheu 13,82% e o preso da gasolina caiu 11,69%.
“Afora tal contribuição, os preços de importantes commodities agropecuárias seguem em queda, como: milho (-14,85%) e bovinos (-6,55%)”, segundo o coordenador do Índice de Preços, André Braz.



