O último trimestre do ano gera sempre grande expectativa em quem está procurando emprego por conta das contratações temporárias. Elas aumentam entre outubro e novembro para atender a movimentação das compras das festas de fim de ano, sendo este o período em que se registra a maior geração de vagas formais no varejo (há maior admissão que desligamento).
Em todo o Estado, estima-se que até 25 mil vagas sejam geradas, 6 mil a mais que o mesmo período de 2016. A informação foi divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que afirma que o comércio varejista mostra uma tendência de recuperação de vagas formais.
De acordo com César Braga, presidente da Associação dos Lojistas do Calçadão de Araçatuba (Alca), a expectativa de crescimento existe, tanto nas contratações quanto nas vendas, mas o lojista está pensando de forma lúcida. “Não adiante esperar muito, mas realmente estamos na expectativa de crescimento nas vendas, um acréscimo de 5% com relação ao ano passado. A expectativa de contratação também é positiva, pois em dezembro o comércio funciona em horários especiais”, destaca Braga.
Os setores devem concentrar maior parte das contratações temporárias, conforme a FecomercioSP, são de vestuário, tecidos e calcados (50%), supermercados (25%) e as demais vagas temporárias deverão ser abertas pelas atividades de eletrodomésticos, eletrônicos, lojas de departamentos, lojas de móveis e decoração, farmácias e perfumarias.
Entre as principais razões para o aumento na geração de vagas temporárias está a sólida recuperação das vendas do comércio varejista, que cresceram 3,6% no acumulado do primeiro semestre. Nos últimos três anos o mercado varejista perdeu, com a recessão, 140 mil empregos formais entre janeiro de 2015 e junho deste ano. Com o recente aumento da demanda, os estabelecimentos tendem a repor o quadro de funcionários.
Confiança
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) cresceu 12% em setembro deste ano em comparação a igual mês do ano passado. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e indicam que o índice atingiu 104,8 pontos agora em setembro, mantendo-se acima da zona de indiferença (100 pontos), o que, na avaliação da CNC, indica otimismo por parte dos comerciantes.
O presidente Alca confirma o estado de confiança do empresário do comércio e aponta outros fatores que levaram a este resultado. “Vários saques do FGTS, antecipação do décimo terceiro em algumas prefeituras do Brasil, antecipação do décimo terceiro dos aposentados. Por conta disso tudo, sentimos que o consumidor está mais presente nas lojas”, afirma Braga.
Segundo a assessoria econômica da Federação, as condições presentes hoje são bem menos adversas, em termos de confiança e mesmo de resultados econômicos, do que aquelas vigentes há um ano. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), e seu subíndice de perspectivas de contratação de funcionários, por exemplo, registraram crescimento em torno de 20% em relação ao ano passado.
O próprio mercado de trabalho do comércio varejista paulista já mostrou sinais reação. A perda de vagas no primeiro semestre de 2017 foi metade da verificada no mesmo período de 2016, e a geração de empregos com carteira assinada acumulada em julho e agosto deste ano (13.682 vagas) foi quase o dobro do registrado em 2016.
FERNANDO VERGA – Araçatuba

