Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Na década de 1970 o lançamento de novos automóveis em Araçatuba era muito mais do que uma ação comercial: transformava-se em um grande espetáculo. A concessionária Chevrolet promovia apresentações automobilísticas que reuniam centenas de pessoas para assistir a demonstrações de habilidade, velocidade e precisão ao volante.
Em 1975 a cidade passou a receber equipes especializadas comandadas, inicialmente, pelo piloto Euclides Pinheiro e, posteriormente, por Carlos Cunha. As exibições eram cuidadosamente ensaiadas para destacar o desempenho dos veículos por meio de manobras ousadas, que surpreendiam o público. O palco dessas apresentações era a tradicional Praça Olímpica, hoje Praça Hugo Lippe Júnior. Diante de uma multidão, os pilotos realizavam curvas fechadas, frenagens bruscas, giros e a manobra que mais impressionava os espectadores: conduzir o automóvel equilibrado sobre apenas duas rodas. A precisão e o controle arrancavam aplausos e despertavam a admiração de adultos e crianças.
Entre as atrações mais lembradas estava o Cinca Show, realizado com o modelo Cinca Chambord. As apresentações aconteciam em frente à tradicional Padaria Olímpica, conhecida na época como a “Padaria do Português”, tornando-se um dos acontecimentos sociais mais aguardados da cidade.
Famílias inteiras compareciam aos espetáculos. Em uma época sem internet e redes sociais, esses eventos representavam uma importante forma de lazer e convivência, reunindo a comunidade em torno de momentos de emoção e entretenimento. Embora tenham desaparecido com o passar dos anos, essas apresentações permanecem vivas na memória dos araçatubenses. Para muitos, elas representam um tempo em que Araçatuba parava para ver carros desafiarem as leis da física e transformarem habilidade, coragem e tecnologia em um espetáculo inesquecível.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, memorialista e autor do Livro: “Memórias de Araçatuba”.

