Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Entre os pioneiros que ajudaram a construir os alicerces de Araçatuba, destacam-se o Coronel Antônio Gomes do Amaral e sua esposa, Faustina Maximiniano do Amaral. Embora os seus nomes sejam lembrados diariamente por milhares de moradores, por meio da Rua Antônio Gomes do Amaral e da Escola Municipal Faustina Maximiniano do Amaral, poucos conhecem a importância histórica desse casal para o desenvolvimento da cidade. Antônio Gomes do Amaral era natural da região de Monte Alto, próxima a Jaboticabal, importante centro cafeeiro paulista no início do século XX. Depois de constituir família com Faustina, dedicou-se à agricultura, tornando-se proprietário rural e formando patrimônio ligado à produção de café.
Acompanhando a expansão econômica em direção às novas fronteiras agrícolas do oeste paulista, o casal transferiu-se para Araçatuba em 1911, quando a cidade ainda dava seus primeiros passos como núcleo urbano impulsionado pela chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Ao se estabelecer no município, construiu uma das residências mais conhecidas da época, localizada na esquina das ruas Luís Pereira Barreto e Tiradentes. O imóvel tornou-se importante referência arquitetônica e, ao longo das décadas, desempenhou diferentes funções públicas. Posteriormente, sediou o primeiro Fórum de Araçatuba, abrigou o Centro Social São José e, mais tarde, passou a integrar o patrimônio imobiliário da região central, onde atualmente funciona uma agência bancária. A antiga residência simboliza a transformação de Araçatuba de pequeno núcleo urbano em importante centro regional.
O legado do casal, entretanto, ultrapassou a esfera familiar. Antônio e Faustina foram responsáveis pela doação da área destinada à implantação do Cemitério da Saudade, um dos mais tradicionais espaços de memória do município. Naquele período, Araçatuba contava apenas com um precário cemitério indígena localizado nas proximidades do final da Rua Rangel Pestana. Com o crescimento da população, tornou-se necessária a criação de um novo campo-santo e a contribuição do casal permitiu ao município estruturar adequadamente esse importante serviço público. A participação da família Amaral na vida pública de Araçatuba continuou através de seus descendentes.
Um dos filhos do casal, José Gomes do Amaral, tornou-se o segundo prefeito do município. Durante sua administração, destacou-se pela implantação do Cemitério da Saudade, cuja área havia sido doada por seus próprios pais, consolidando uma das obras mais importantes da infraestrutura urbana daquele período. O Coronel Antônio Gomes do Amaral faleceu em 1931. Faustina viveu por mais algumas décadas, falecendo na década de 1960. Ambos encontram-se sepultados no Cemitério da Saudade, no tradicional jazigo da família Amaral, cuja arquitetura lembra uma pequena capela e está localizado nas proximidades do segundo portão da Avenida da Saudade.
A memória do casal foi perpetuada também por homenagens públicas. Antônio Gomes do Amaral recebeu o nome de uma importante rua do bairro Santana. Segundo a tradição local, a homenagem foi proposta por Dona Ida de Almeida e seu esposo, Dr. Luís de Almeida, em área que originalmente integrava antigas propriedades da família. Faustina Maximiniano do Amaral teve seu nome eternizado na Escola Municipal de Educação Básica Faustina Maximiniano do Amaral, no Conjunto Habitacional Castelo Branco, levando às novas gerações a lembrança de uma mulher que participou, ao lado do marido, da formação da cidade.
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, memorialista e autor do Livro: “Memórias de Araçatuba”.

