Por Alceu Batista de Almeida Júnior
Vocês sabiam que, na década de 1940, Araçatuba se destacava por possuir uma das maiores frotas de aviões particulares do Brasil, chegando a ser apontada como a maior do País?
Essa é uma das histórias marcantes da memória de Araçatuba, cidade que, desde os seus primeiros tempos, demonstrou vocação para o pioneirismo e para a incorporação de novas tecnologias. Em uma época na qual o transporte aéreo ainda era privilégio de poucos, possuir um avião particular representava não apenas um sinal de prosperidade, mas também uma demonstração de ousadia e espírito empreendedor. Entre os personagens que ajudaram a construir essa história estava Adolfo Corazini, piloto e mecânico de aeronaves que atuava no antigo Aeroporto do Santana, importante referência da aviação araçatubense naquele período.
A fotografia que acompanha este relato registra uma aeronave que pertenceu a Corazini e que guarda uma trajetória singular, ligada a diferentes personagens e à própria história da aviação brasileira. Segundo os relatos preservados, o avião foi fabricado na Polônia. Corazini afirmava que apenas duas aeronaves daquele modelo haviam sido produzidas, característica que tornava o aparelho especialmente raro. Essa informação, embora mereça confirmação documental, acrescenta um elemento de interesse à história da aeronave e de sua passagem por Araçatuba.
Após o falecimento de Adolfo Corazini, o avião passou às mãos de Danilo Machado, proprietário da ORGABIL, empresa instalada no aeródromo do Country Club de Araçatuba, outro espaço associado ao desenvolvimento da aviação local. Posteriormente, Danilo vendeu a aeronave ao comandante Rolim Amaro, empresário e fundador da TAM, que a destinou ao acervo do Museu Asas de um Sonho, mantido pela companhia em São Carlos, no interior paulista. O museu reuniu importantes exemplares da história da aviação, contribuindo para preservar a memória de aeronaves e de personagens que marcaram o setor no Brasil.
Um dos registros mais expressivos dessa história é a fotografia datada de 1945, na qual aparece o Monsenhor Victor Ribeiro Mazzei realizando a cerimônia de batismo do avião. A imagem constitui um precioso testemunho de uma época em que a aviação despertava fascínio e simbolizava progresso, modernidade e novas possibilidades de comunicação e deslocamento. Mais do que a história de uma aeronave, esse registro nos remete a uma Araçatuba que, ainda nas décadas iniciais de seu desenvolvimento, já se projetava por sua relação com a aviação. Pilotos, mecânicos, empresários e entusiastas contribuíram para estabelecer essa tradição, que merece ser reconhecida e preservada como parte do patrimônio histórico e cultural do município.
Resgatar essas lembranças é reencontrar personagens, lugares e acontecimentos que ajudaram a construir a identidade de nossa cidade. Araçatuba também tem sua história escrita nos céus!
Alceu Batista de Almeida Júnior é advogado, memorialista e autor do Livro: “Memórias de Araçatuba”.

