Close Menu
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Facebook X (Twitter) Instagram Pinterest Vimeo
    O LIBERAL REGIONALO LIBERAL REGIONAL
    Festa das Ações LR1
    Trending
    • Centro Dia do Idoso de Birigui terá atendimento em novo endereço durante reforma
    • Vereadores discutem inclusão de professores de educação infantil no quadro do magistério municipal
    • Rua América do Sul terá interdição para conclusão das obras da Pompeu de Toledo
    • Araçatuba recebe oficina de cinema gratuita do programa Pontos MIS no dia 15 de setembro
    • Araçatuba discute proteção à infância e à adolescência em conferência municipal
    • Araçatuba entrega espaço para acolhimento e proteção de mulheres em situação de rua e de violência
    • Equipe de obras reforça limpeza e manutenção em vários pontos de Andradina
    • Birigui avança na revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo
    Festa das Ações LR1
    O LIBERAL REGIONALO LIBERAL REGIONAL
    Home»Cidades»Araçatuba»MEMÓRIAS DE ARAÇATUBA – A história de Janico e Maria Pupo
    Araçatuba

    MEMÓRIAS DE ARAÇATUBA – A história de Janico e Maria Pupo

    By dfernandesmr1 de outubro de 20251 comentário2 Mins Read
    Share Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Reddit Telegram Email
    Share
    Facebook Twitter LinkedIn Pinterest Email

    Alceu Batista de Almeida Júnior

    Entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970, Araçatuba conheceu um personagem bastante peculiar: Francisco Pereira de Souza, mais conhecido pelo apelido de Janico. Nascido no Rio Grande do Sul, recebeu esse apelido em razão de sua semelhança física e de comportamento com um personagem interpretado pelo humorista Canarinho na televisão. O apelido caiu no gosto popular e o acompanhou por toda a vida.

    Janico vivia com sua companheira, Maria Puppo, formando um casal simples e divertido. Para sobreviver, sustentavam-se com a coleta de papel e papelão pelas ruas da cidade. Moravam em um barraco localizado na esquina da Rua Silva Jardim com a Cussy de Almeida e tinham como inseparável mascote a cadelinha Fofoca, que os acompanhava em todas as andanças.

    O relacionamento entre Janico e Maria era intenso, mas também marcado por brigas e momentos turbulentos. Em um acesso de raiva, Maria chegou até a atear fogo no barraco em que viviam. Apesar disso, permaneciam juntos e eram figuras conhecidas de toda a cidade. Janico circulava sempre com um grande saco às costas, onde guardava os recicláveis recolhidos, o que lhe rendeu entre as crianças o temido apelido de “Homem do Saco”. Muitos acreditam que a lenda urbana de que esse “homem” pegava crianças pode ter se fortalecido a partir da imagem de Janico.

    Era comum ver o casal pelas ruas, empurrando a carrocinha carregada de materiais, com a inseparável Fofoca acomodada dentro dela. Mesmo diante das dificuldades, eram lembrados pelo bom humor e pelas cenas curiosas que protagonizavam. Durante o carnaval, participavam do irreverente “Bloco dos Miseráveis”, desfilando com a carrocinha enfeitada e com Fofoca em destaque, arrancando aplausos e gargalhadas por onde passavam.

    Outro traço marcante do casal era o gosto pela bebida. Quando Janico exagerava na dose, cabia a Maria colocá-lo dentro da carrocinha e levá-lo para casa, em uma cena que misturava comicidade e ternura.

    Francisco Pereira de Souza, o popular Janico, faleceu em 5 de julho de 1972 e foi sepultado no Cemitério Recanto de Paz, no Jardim Rosele. Curiosamente, com o tempo, seu túmulo passou a ser visitado por inúmeras pessoas, que ali deixam placas de agradecimento por supostas graças alcançadas. Assim, a memória desse homem simples, mas marcante, permanece viva no imaginário afetivo de Araçatuba, transformando-o em uma figura quase lendária da cidade.

    Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email
    Previous ArticleBirigui teve mais de 5 mil inscritos para as casas da CDHU
    Next Article Vestuário, calçados e acessórios são os itens mais procurados para compras em Brechós 
    dfernandesmr

    Related Posts

    Birigui

    Centro Dia do Idoso de Birigui terá atendimento em novo endereço durante reforma

    13 de setembro de 2026
    Araçatuba

    Vereadores discutem inclusão de professores de educação infantil no quadro do magistério municipal

    13 de setembro de 2026
    Araçatuba

    Rua América do Sul terá interdição para conclusão das obras da Pompeu de Toledo

    12 de setembro de 2026
    View 1 Comment

    1 comentário

    1. lucas on 2 de outubro de 2025 17:16h

      Quando a Memória Silencia o Racismo: A História de Janico e Maria contada por um olhar branco

      A crônica publicada no site Liberal Regional sobre o casal Janico e Maria Puppo, parte da série Memórias de Araçatuba, parece, à primeira vista, um afetuoso resgate de figuras populares da cidade. Narrada por um homem branco, o texto retrata a vida de um casal negro e pobre que viveu à margem da sociedade local nos anos 1970. Porém, uma leitura mais atenta revela os limites de uma memória construída a partir de um olhar que não enxerga — ou opta por não enxergar — as camadas de opressão racial e social que atravessaram aquelas vidas.

      “Janico era um sujeito franzino, de fala mansa, humilde. Sua companheira, Maria Puppo, era o oposto: mulher forte, decidida, geniosa, às vezes até agressiva. Juntos, moravam num barraco improvisado entre as ruas Silva Jardim e Cussy de Almeida.”

      A descrição é quase caricata: ele, o homem dócil; ela, a mulher “geniosa”. Ambos são retratados com traços que beiram o estereótipo do “pobre folclórico”, do “personagem urbano pitoresco”. O autor se esforça para criar uma narrativa simpática, quase cômica, como se o sofrimento deles fosse apenas pano de fundo para uma crônica leve e curiosa.

      “O casal virou atração carnavalesca com o ‘Bloco dos Miseráveis’. Maria enfeitava a carrocinha usada por Janico para transportar papelão, e colocava a cadelinha Fofoca como destaque do desfile.”

      Essa tentativa de “humanização” — por meio do humor, da criatividade do casal, de sua relação com a cadela — camufla uma realidade brutal: duas pessoas negras vivendo em extrema vulnerabilidade, sobrevivendo da coleta de lixo, expostas ao preconceito e à exclusão. Mas, em vez de denunciar essa estrutura de desigualdade, o texto romantiza a miséria.

      Não há, em nenhum momento, uma problematização sobre o porquê de pessoas negras estarem relegadas à margem da sociedade. A raça sequer é mencionada. Isso é significativo — e sintomático. Em um país onde a pobreza tem cor, não racializar uma história de exclusão é perpetuar o silenciamento histórico das violências estruturais.

      “As crianças tinham medo de Janico. Ele era o ‘Homem do Saco’. Tinha quem dissesse que ele pegava crianças. Eu, particularmente, nunca soube de nenhum caso concreto.”

      Ao repetir esse boato, o autor ajuda a perpetuar um estigma que recai justamente sobre corpos negros e pobres: a ideia do homem perigoso, do “outro” ameaçador. Ainda que ele relativize a informação (“nunca soube de nenhum caso concreto”), o simples fato de incluí-la na narrativa reforça um imaginário social racista e punitivista.

      Mais adiante, ele menciona que após a morte de Janico, seu túmulo passou a ser visitado por pessoas que atribuíam a ele “graças alcançadas” — um fenômeno comum em várias periferias brasileiras, onde a figura do “santo popular” emerge como forma de reconhecimento simbólico a pessoas que, em vida, foram marginalizadas.

      “Em seu túmulo foram colocadas placas em agradecimento por milagres alcançados. Tornou-se uma figura quase mítica na memória afetiva da cidade.”

      Mas novamente, esse reconhecimento é simbólico, não estrutural. Transforma o negro pobre em “santo”, “lenda urbana”, “mito afetivo” — sem jamais confrontar o sistema que o condenou à pobreza e ao esquecimento em vida.

      O que está por trás desse tipo de narrativa?

      A escolha do autor — um homem branco, escrevendo para um jornal tradicional — revela uma estrutura maior: quem tem o poder de contar as histórias e moldar a memória coletiva? Mesmo quando o foco são pessoas negras e pobres, são suas histórias realmente contadas por elas, ou mediadas por olhares distantes, que suavizam a dor e evitam qualquer confronto com as estruturas de poder?

      A crônica sobre Janico e Maria, embora bem intencionada, escapa de qualquer análise crítica sobre:

      O racismo estrutural que empurrou o casal para a informalidade e a exclusão.

      A estigmatização racial que transforma um homem negro em figura ameaçadora para crianças.

      O lugar social da mulher negra, retratada como “agressiva” e “geniosa”, sem contexto.

      O silenciamento das vozes negras na construção da memória local — já que a história deles só ganha legitimidade quando contada por um homem branco, décadas depois.

      Reply
    Leave A Reply Cancel Reply

    Facebook X (Twitter) Instagram
    © 2026 Desenvolvido por mSanders Tech.

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.