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sábado, maio 21, 2022

Mais uma batalha vencida por Ian

ARNON GOMES – Araçatuba

“A união fez a força”. Essa famosa frase, apenas com o verbo conjugado no passado, resume bem mais uma batalha vencida por Ian Ferraz Lazzarini, de apenas 5 anos, de Araçatuba, que sofre de surdez total. No último dia 12, seus pais conseguiram juntar os recursos de que precisavam para, finalmente, comprar o processador externo para colocação junto ao aparelho de audição do menino, uma luta de praticamente cinco meses.

Após a ajuda financeira de amigos e familiares obtida nesse período, a meta do casal Márcia Angelo Ferraz Lazarini e Wanderley Sérgio Lazarini foi alcançada com a realização de um jantar beneficente na véspera do Dia das Mães. Mais de 500 pessoas compareceram ao evento. No final, a arrecadação de R$ 32,3 mil. Um valor pouco superior aos R$ 30,3 mil necessários para a aquisição do equipamento, que chegou à residência da família na semana passada.

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A fatia excedente será doada por Márcia a outras duas mães de garotos com desafio semelhante ao de Ian, moradoras de Bauru, onde o menino faz parte de seus tratamentos. Ambas precisam de cabo para aparelho de audição. “O que ficou a mais, nós vamos doar. Só usamos os R$ 30,3 mil do processador”, diz Márcia, que postou, em sua rede social, todas as notas referentes à compra do equipamento.

TRAJETÓRIA

A história de vida do garoto e a batalha para a aquisição desse processador foram contadas em reportagem de O LIBERAL REGIONAL publicada no último dia 22. Casados há 30 anos, Márcia e Vandeley adotaram Ian em 2012. A descoberta da doença do filho veio logo no primeiro dia. Desde então, ele passa por por tratamento no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o “Centrinho”, em Bauru, e é submetido a sessões com fonoaudióloga e de tratamento cognitivo, além de ter aulas com uma pedagoga a fim de aprimorar o aprendizado de forma lúdica.

No campo da audição, a primeira batalha vencida pela criança havia sido justamente a colocação do aparelho auditivo completo, avaliado em R$ 80 mil, que foi bancado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Não bastasse a surdez, Ian já venceu meningite e parada respiratória, problemas atribuídos aos 60 dias passados na UTI, devido ao nascimento prematuro, de 7 meses. O processador externo, motivo da mobilização dos últimos meses, foi necessário porque, no começo do ano, o garoto, que é hiperativo, o destruiu enquanto brincava.

Como a empresa fornecedora do aparelho encerrou a venda do processador de som Harmony para usuários de implante coclear CII e HiRes 90k em janeiro e a assistência técnica só vai durar até 31 de dezembro deste ano, não restou outra alternativa à família a não ser a compra de um novo acessório.

RAPIDEZ

A família poderia até esperar a compra pelo Sistema Único, mas o produto poderia levar até nove meses para chegar. O caminho escolhido pelo casal foi mais curto. Já na última segunda-feira, dois dias após o jantar, com o dinheiro em mãos, Márcia fez o pedido e, na quinta, o processador chegou à residência da família. Amanhã, Márcia, Vanderley e Ian estarão em Bauru para fazer a regulação do aparelho, procedimento necessário para que Ian possa escutar. “Não demorou nada. Foram dois, três dias para a chegada”, diz a mãe, feliz com o resultado.

Ela acredita que a recente vitória, em muito, ajudará na saúde de seu filho. Márcia comprou recentemente um kit aquático para Ian praticar natação, um dos esportes mais recomendados para crianças. “Esse aparelho não pode entrar na água, mas com o kit, pode. E o Ian precisa de muitas terapias para desenvolver a parte cognitiva. Então, escutando, tudo facilita”, explica. “Com o processador, ele vai poder escutar dos dois lados. Assim, vamos poder tratar melhor as outras deficiências dele. Tudo vai ficar mais fácil na vida dele”, completa.

Emocionada com a corrente de solidariedade que se formou em torno da causa, Márcia diz não ter palavras para agradecer. “Eu agradeço todos os dias, todas a noites… Não consigo nem nominar, porque foram pessoas da família, amigos e pessoas que eu não conhecia que nos ajudaram”, relata.

“Será uma gratidão que terei para o resto da minha vida e meu filho, um dia, vai saber disso tudo. Eu e meu marido não conseguimos acreditar como 500 pessoas compraram o convite para o jantar e, no tempo de hoje, recebemos tantas doações. Isso mostra o quanto o ser humano é bom”, finaliza.

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