Diego Fernandes – Araçatuba
Os 37 voluntários do Unisalesiano que foram para Porto Alegre (RS) para auxiliar as vítimas das enchentes que atingiram todo o estado gaúcho retornaram para Araçatuba na madrugada de domingo (2). O grupo saiu da Capital Gaúcha por volta das 5h da manhã de sábado (1) e chegaram às 3h de domingo (2) na sede do Centro Universitário. Foram 17 dias de trabalho voluntário no Rio Grande do Sul. Eles foram recebidos sob escolta da Polícia Militar e com fogos de artifício no retorno.
Em Porto Alegre, foram aproximadamente mil atendimentos médicos realizados pela equipe do Unisalesiano, que continha médicos, enfermeiros, estudantes de medicina e enfermegem, além de médico veterinário.
Nesta segunda-feira (3) pela manhã, foi feita uma coletiva de imprensa que contou com o Dr. Ângelo Jacomossi, que coordenou os trabalhos, além do Dr. Lucas Caroli Cruz, preceptor, e outros quatro acadêmicos que participaram da missão, além do coordenador do curso de medicina, Dr. Antônio Poletto, e de membros da direção do Unisalesiano, como o Padre Paulo Vendrame e o Pró-Reitor André Ornellas.
De acordo com o Dr. Ângelo Jacomossi, muitos atendidos estavam em tratamento de doenças crônicas e acabaram perdendo medicamentos e prescrições médicas para problemas como hipertensão, dentre outros.
“Nós chegamos em um momento onde as pessoas haviam acabado de ser resgatadas e estavam em abrigos temporários, como escolas, ginásios. Eram pessoas com doenças agudas, respiratórias, doenças crônicas não controladas, pessoas que estavam sem suas medicações que foram perdidas. Inicialmente estávamos represcrevendo o tratamento de doenças crônicas que havia sido interrompido”, disse o médico.
Ele também comentou que, a partir da segunda semana, foi feita uma interação maior com as pessoas, e citou o número de cerca de mil atendimentos entre médicos e de enfermagem, e também de psicologia e veterinário. Porém, afirmou que os números precisos ainda estão sendo catalogados.
Para o Dr. Lucas Caroli Cruz, a incerteza do sucesso no trabalho no momento da ida fez crescer a satisfação de missão cumprida com a qual o grupo de voluntários retornou.
“A gente estava em uma situação bastante adversa como um todo, a gente não sabia o que poderia encontrar. Tivemos uma surpresa boa com o trabalho que fizemos”, disse o médico, que afirma que volta mais generoso desta missão. “A generosidade, o impulso de ajudar aqueles que precisam, sendo eles pacientes ou não. As pessoas que estiveram naquela situação estavam frágeis a tal ponto, que cada ajuda que fosse mínima seria valiosa, e isso a gente acaba não percebendo no dia a dia”, completou.
Formação Acadêmica
Antes da partida, a aluna do 11º semestre de medicina, Beatriz Parpinelli Scarpin, conversou com a reportagem do jornal O LIBERAL e falava da esperança que tinha em poder colocar seus conhecimentos em prática ajudando pessoas. No retorno, ela voltou a conversar com a reportagem e disse que estava disposta a ajudar de qualquer forma, mas que de fato, muitos precisavam de ajuda médica, de fato.
“Precisam de cuidados em saúde. Nós organizamos a questão de saúde deles, as medicações, o acompanhamento desses pacientes. O nosso conhecimento técnico em saúde foi usado. E com o passar dos dias, com a cabeça mais leve, a gente conseguiu cuidar de pessoas, jogar baralho, fazer uma maquiagem, essa parte também foi muito importante”, afirmou Beatriz, que afirmou que segue mantendo contato com os pacientes para seguir com a ajuda. “A gente tem o contato de algumas pessoas e eu pretendo manter com certeza, poder ajudar mais de outras formas, poder ajudar mais à distância, e estar presente na vida deles”, seguiu.
Já para a aluna do 7º semestre de enfermagem do Unisalesiano, Beatriz Dessotti, contou que uma criança de 14 anos atendida pelos voluntários não tinha mais ânimo para realizar nenhuma atividade e, quando saíram de lá, ele já estava novamente praticando exercícios, se alimentando e mais feliz, tudo por um contato mais humano proporcionado pelos voluntários.
“Essa criança de 14 anos não saía da cama, respondia só sim ou não para as perguntas, não tinha fome, não tinha vontade de fazer nada, a mãe estava muito preocupada. A gente sentou, conversou, entendeu que ele precisa de alguém que o entendesse e, em conjunto com dois profissionais de medicina, conseguimos tirar ele da cama, e ele foi fazer atividade física, jogou ping pong. Depois a mãe dele veio no particular e nos agradeceu”, disse.
Ambas as acadêmicas, além de outros dois alunos voluntários que também estiveram presentes na entrevista, agradeceram a iniciativa e a oportunidade dada pelo Unisalesiano de viverem essa experiência enriquecedora para os seus respectivos currículos acadêmicos.
Já o coordenador do curso de medicina, Dr. Antônio Poletto, se emocionou durante a entrevista e afirmou que outros alunos queriam ter ido na missão, porém, não foi possível, e agradeceu ao trabalho realizados pelos voluntários no Rio Grande do Sul.

