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Mais de 130 pessoas atuam dentro da Santa Casa e complementam atendimento

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ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

A Lei 7.352, sancionada pelo presidente José Sarney, em 1985, instituiu o Dia Nacional do Voluntariado – 28 de agosto. O dicionário Aurélio Buarque de Hollanda define: “Voluntário é aquele que procede espontaneamente, sem coação, movido pela vontade própria”. Um definição técnica e fria. Para Rachel Foiser Sgarbosa, presidente da Campanha Feminina de Combate ao Câncer (antiga Rede Feminina) há mais de 20 anos, tem outra definição e bem mais próxima do que realmente é o voluntariado. “É a pessoa que separa um tempo de seu tempo para se doar”. São pessoas que personificam a frase do poeta Martins Fontes: “Como é bom ser bom”. Hoje, mais de 130 pessoas atuam como voluntárias e a tendência é este número aumentar expressivamente.
“A Santa Casa de Araçatuba foi fundada em 20 de março de 1927, sob a denominação Hospital Sagrado Coração de Jesus. A criação da entidade resultou da formação de um grupo de representantes da comunidade araçatubense, com o objetivo de oferecer atendimento médico-hospitalar gratuito aos doentes carentes”, diz o site instituição de saúde. Como se observa, a ação voluntária nasceu com a Santa Casa.
A instituição cresceu muito, recebendo mensalmente milhares de pacientes de várias cidades da região. Diariamente, mais de duas mil pessoas passam pelo hospital. Os tempos são outros. Há preocupação com segurança de funcionários e pacientes. Além disso, as rígidas normas da Vigilância Sanitária impõem maior controle sobre o acesso de pessoas ao hospital. Independente das boas intenções de cada um, é preciso manter o controle.
Por isso, em fevereiro, após detectar aguns problemas, o novo administrador, advogado Mauro Inácio da Silva, de comum acordo com a diretoria, decidiu criar normas para atuação dos grupos voluntários e assistência religiosa. Os grupos interessados precisam apresentar um projeto e documentos. O trabalho é acompanhado pela Comissão de Voluntariado que é presidida pelo colaborador Gustavo Henrique Alves.
Temporariamente foram suspensos os trabalhos de grupos voluntários, permanecendo apenas a Rede Feminina de Combate ao Câncer e a Pastoral da Saúde. Agora já são mais três grupos organizados e mais dois projetos estão sendo analisados. Para o administrador Mauro Inácio da Silva, a atuação voluntária é muito importante, pois contribui para a proposta de humanização do atendimento. “Os voluntários fazem uma humanização para o paciente. Eles motivam a saúde do paciente. É um aconchego no momento que o paciente está em debilidade”, disse doutor Mauro citando a importância de cada um dos grupos voluntários que atuam dentro da Santa Casa.
Para Gustavo Alves, ao regulamentar a atuação dos grupos voluntários, é possível até mesmo redirecionar serviços, para que não tenha duplicidade. Segundo ele, é possível usar esta força de vontade das pessoas em servir e propor ações. Hoje, os cinco grupos credenciados e que atuam na Santa Casa têm serviços diferenciados. Oferecem medicamentos, alimentos, conforto espiritual, recreação, lazer e música. Ainda há espaço para novos serviços.

 

Pastoral da Saúde dá conforto espiritual aos pacientes
No começo da Santa Casa, a Irmã Gertrudes Pereira observou que era preciso cuidar não apenas das enfermidades do corpo, mas também da alma. Por isso, formou grupo para acompanhar os pacientes, dando amparo religioso e material. Hoje, a Pastoral da Saúde tem 26 voluntários, que atuam diariamente em regime de escala. São agentes pastorais de quase todas as paróquias de Araçatuba. A presidente é Marilene de O. Boer Casonato e a secretária é Jandira K. Fugikura dos Santos.
Os agentes de plantão diariamente percorrem os leitos do hospital para orações. Há também a participação de padres, quando necessário.
Na segunda-feira estavam de plantão Jandira Fugikura dos Santos e Sandra Druzian. Elas explicaram que além do atendimento religioso, há também apoio material. “O hospital é regional e recebe pacientes de várias cidades. Muitos vinham sem roupas adequadas e produtos de higiene pessoal. Assim, como a distribuir vários tipos de materiais, como toalhas, escovas de dente, creme dental, sabonete e outros produtos”, disse Jandira Fugikura.
O trabalho é direcionado também à maternidade. Muitas mães chegam sem roupas para o bebê que vai nascer. A Pastoral da Saúde se encarregada de fornecer um kit que peças básicas. Os produtos são obtidos por meio de trabalhos voluntários. (AC)

A5 Dia do Voluntariado (36)APOIO – Jandira Fugikura e Sandra Druzian, da Pastoral da Saúde, conforto com orações, roupas e produtos de higiene pessoal

 

Campanha Feminina atua na Santa Casa há seis décadas
A Campanha Feminina de Combate ao Câncer atua na Santa Casa de Araçatuba há 60 anos. Foi criada com o objetivo de apoiar pacientes com câncer. O grupo foi inspirado no trabalho da Fundação Antônio Prudente, que durante muitos anos teve à frente Carmen Prudente. Com dezenas de voluntárias, a Campanha de Combate ao Câncer tem trabalho subdividido. Há as pessoas que trabalham na arrecadação e organização de evento e aquelas que atual diretamente no atendimento aos pacientes. São oito mulheres que fazem este trabalho três vezes por semana.
Segundo Rachel Foizer Sagarbsa, a Campanha tem a feijoada anual como uma das principais fontes de renda. No entanto, há contribuições mensais e “sempre aparece alguém para uma doação espontânea”, diz a presidente, explicando que todo o trabalho é registrado e há até um escritório de contabilidade contratado para fazer o trabalho.
Sempre com um sorriso no rosto e tratando os pacientes pelo nome, o que revela conhecimento, dona Rachel trabalha na distribuição de produtos, basicamente suplementos alimentares e medicamentos. Além disso, fornecem requisição para a Rede de Farmácia Princesa. “Tudo é fornecido mediante prescrição profissional, de médico ou nutricionista”, explica a voluntária Rachel.
O foco do trabalho da Campanha Feminina é os pacientes atendidos no Centro de Tratamento Oncológico (CTO) – quimioterapia e também do Centro de Radioterapia. No caso de adultos, o trabalho é direcionado aos pacientes de Araçatuba. Porém, isso não significa que alguém que precisa muito, deixa de ser atendido pelo menos uma vez, mesmo morando em outra cidade. Já todas as crianças são atendidas, independente de onde moram.
Atualmente a Campanha Feminina está com 2.015 pacientes cadastrados e 36 crianças atendidas. Além de medicamentos, suplementação alimentar e outros produtos de uso do paciente, a Campanha está colaborando na reforma de dois quartos do hospital. O investimento é de R$ 80 mil.
Na segunda-feira estavam trabalhando no atendimento Rachel Foizer Sgarbosa, Fernanda Soares Villela, Monique Lopes, Maria Goreti Sundfeld Goulart, Emiliane Zepponi, Renata Benez Rocha, Sueli Martinho dos Santos e Maria Tereza Marques. (AC)

a5 Dia do Voluntariado (22).JPGREDE FEMININA – Grupo de voluntárias trabalha no atendimento aos pacientes entregando suplementação alimentar e medicação

 

Grupo Evangélico leva música às entidades
O Departamento de Evangelização da Igreja Congregação Cristã no Brasil desenvolve trabalho voluntário há 16 anos. Integrantes do departamento percorrem hospitais e unidades prisionais para levar uma mensagem de amor ao próximo. Na Santa Casa de Araçatuba o trabalho começou este ano. O grupo musical faz concerto no Hospital do Rim, na Radioterapia e no 2º andar da Santa Casa.
O ancião da Igreja Congregação Cristã no Brasil, Nelson Dias dos Santos, explicou que o trabalho visa levar apoio a quem está em situação de flagelo. Por isso o trabalho é feito também com moradores de rua.
No hospital, segundo o ancião, a proposta é levar conforto a quem está se submetendo ao tratamento. Na manhã desta terça-feira (27), o grupo apresentou-se no serviço de Hemodiálise do Hospital do Rim. Normalmente a apresentação às sextas-feiras, das 16 às 18 horas.

a5 Dia do Voluntariado (53).JPGMÚSICA – Pacientes submetem-se à hemodiálise ao som suave da música, criando um clima diferente no hospital

Grupo Cor&Amor leva alegria à pediatria
O Grupo Cor&Amor – Palhaços da Alegria foi constituído por iniciativa de um grupo de jovens. Na Santa Casa estão credenciados 29 voluntários, que vão atuar divididos em três grupos. Segundo Gustavo Alves, o Cor&Amor atua exclusivamente na Pediatria. A proposta é levar alegria às crianças internadas.
Para atuar na Santa Casa, o Grupo Cor&Amor atendeu todos os critérios estabelecidos e está levando alegria às crianças com a presença de palhaço. Além desta atividade, há preocupação também com a evangelização.
A atuação do grupo é aos sábados no período vespertino. (AC)

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ALEGRIA – Cor&Amor leva clima descontraído às crianças internadas na Pediatria
REPRODUÇÃO
Atamor retoma trabalho com diferentes ações na Santa Casa
O Atamor foi criado no dia 24 de dezembro de 2016, após Cíntia Lopes Morales ser curada de um câncer de mama. O filho, Ícaro Morales, idealizou o grupo, que atuou por muito tempo no Centro de Tratamento Oncológico. Agora, já dentro das novas normas, o grupo retomou o trabalho com forças renovadas. No total são 73 pessoas credenciadas, mas são mais de 150 voluntários que ajudam de diferentes formas.
Ícaro e Cíntia Morales explicam que são cinco equipes com atividades bem definidas. As equipes 1 e 2, atuam com alimentação e amparo emocional aos pacientes. A equipe 3 tem os personagens da Disney que já se tornaram referência do grupo. Já a equipe 4 trabalha para elevar a autoestima dos pacientes, com doação de perucas, doação de lenços, próteses de mama, tampa-traqueostomia, confecção de perucas de lã e gorros de crochê e oferece a oficina de automaquiagem. Já a equipe 5 vai levar entretenimento aos pacientes do Hospital do Rim.
O grupo está motivado e atua às quintas-feiras, sextas-feiras e sábados. Os integrantes do grupo afirmam que a proposta é levar um pouco de alegria e conforto a quem está se submetendo a tratamento. Cíntia Lopes Morales, inspiradora do grupo, afirma que o seu testemunho é no sentido de mostrar aos pacientes que é preciso ter fé.
Nesta terça-feira estavam no local Ícaro Morales, Cíntia Lopes Morales, Elisa Lucas Pinheiro, Edna Tardivel Stiegele e Cíntia Adriana Nogueira. (AC)

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TRABALHO – Grupo Atamor tem 73 pessoas credenciadas e que atuam na Santa Casa

Administrador defende disciplina no acesso à Santa Casa
A assistência religiosa em entidades civis e militares de internação coletiva está garantida no inciso VII do artigo 5º da Constituição Federal de 1988. No entanto, a instituição pode estabelecer critérios. Antes de tomar a decisão de disciplinar o acesso, o administrador da Santa Casa, advogado Mauro Inácio da Silva avaliou várias situações. Segundo ele, mas de duas mil pessoas passam pelo hospital diariamente. “É preciso ter o controle de quem está passando pelos nossos corredores”, disse.
Segundo Mauro Inácio, atualmente a maioria das instituições adota critérios de acesso. “Ninguém entra a hora que quer e quando quiser em uma penitenciária”, exemplificou. “Aqui temos equipamentos de elevado valor, temos de zelar pela segurança de funcionários e pacientes, recebemos pacientes do sistema carcerário e tem ainda a questão da infecção hospitalar”, acrescentou, justificando a necessidade de maior rigor no acesso às dependências do hospital.
Doutor Mauro disse que algumas ações foram implementadas, como a exigência de cadastramento dos voluntários, tanto para atendimento ao paciente como assistência religiosa.
Recentemente a Santa Casa adotou o uso de pulseiras com o nome para identificar o paciente. “Dentro de um mês teremos também catracas eletrônicas”, disse o administrador da Santa Casa.

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CUIDADOS – Mauro Inácio da Silva diz que controle de acesso é necessário na instituição


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