Home Cidades Araçatuba Inclusão em polo criado pelo Estado pode recuperar setor que enfrenta sucessivas demissões

Inclusão em polo criado pelo Estado pode recuperar setor que enfrenta sucessivas demissões

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Um ramo da indústria que, a exemplo de tantos outros, ainda não conseguiu deixar de sentir os efeitos da recessão iniciada em 2014 – o de celulose e papel – acaba de ganhar a esperança de dias melhores. Na última segunda-feira, o governador João Doria (PSDB), anunciou a criação de mais um polo de desenvolvimento industrial – medida que tem o objetivo de fomentar diferentes setores produtivos. Desta vez, voltado para os setores de papel, celulose e reflorestamento. Neste, que é o 12º polo, a região de Araçatuba está incluída, assim como ocorreu recentemente nos agrupamentos voltados para a produção calçadista e de bioenergia.
Com a inclusão da celulose em polo de investimento, a expectativa é de que o setor encontre caminhos para a retomada. Com excessão de maio, quando as empresas do setor na região contrataram mais do que demitiram, os últimos meses foram de números negativos na geração de postos de trabalho. No mês passado, o saldo foi -0,45 vagas, enquanto abril e março fecharam com -3,33 e -0,44, respectivamente, de acordo com o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
O anúncio do governador foi feito durante a divulgação daquele que, segundo o Estado, será o maior investimento recebido pela região de Bauru nos últimos 20 anos. Na oportunidade, a Bracell tornou pública a expansão de sua fábrica de celulose em Lençóis Paulista, que demandará investimentos de R$ 7,5 bilhões.
Na oportunidade, Doria e a secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, anunciaram a inclusão de Bauru no polo do setor, que ainda terá mais 14 regiões. Além de Araçatuba e Bauru, constam 171 municípios das seguintes regiões: Barretos, Baixada Santista, Campinas, Central, Franca, Itapeva, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Metropolitana de São Paulo e Sorocaba. Da região de Araçatuba, integrarão o polo as cidades de Andradina, Araçatuba, Birigui, Coroados e Lins.
FORÇA
Na região, esse segmento ganhou força há oito anos, com o início das operações da MWV Rigesa, uma das principais empresas de embalagens do Brasil. A construção dos 27 mil metros quadrados da unidade, na época, resultou de um investimento de 11 milhões de dólares. A escolha de Araçatuba se deu em função da infraestrutura do município, do acesso imediato às principais rodovias do Estado, dos serviços públicos oferecidos, da qualidade da mão de obra, além da logística para suprimento de matéria-prima, acesso a portos, a mercados e a clientes.
Segundo a Acia (Associação Comercial e Industrial de Araçatuba), a Rigesa foi vendida há um ano para um empresa inglesa, mas continua suas atividades normalmente na cidade.
OBJETIVO
Quando anunciou a criação dos primeiros onze polos de incentivo à indústria, Doria disse que o programa abrange pelo menos seis pilares: simplificação tributária e regulatória; financiamento competitivo (voltado ao adensamento da cadeia produtiva); tecnologia e inovação; qualificação de mão de obra; infraestrutura e serviços; e ambiente de negócios e desburocratização. De acordo com o Estado, toda essa política tem o objetivo de otimizar as iniciativas públicas a fim de adensar e integrar as cadeias produtivas. Com isso, espera-se chegar ao aumento da produtividade na indústria, atraindo investimentos, impulsionando a inovação e a geração de empregos e renda, reunindo, na mesma região geográfica, políticas para determinado setor produtivo.

 

País é um dos maiores produtores de papel

A escolha da celulose como polo de desenvolvimento se deve ao fato de o Brasil ser o segundo maior produtor mundial de celulose e está entre os dez principais produtores de papel do mundo.
A Bracell, por sua vez, é uma das maiores produtoras mundiais de celulose solúvel e celulose especial no mundo, com duas operações principais no Brasil em Camaçari, na Bahia, e em Lençóis Paulista, em São Paulo.
Além de suas operações na fábrica no Brasil, a Bracell possui um escritório de administração em Cingapura e unidades de vendas na Ásia, Europa e Estados Unidos.
Sobre o investimento anunciado, Doria disse, por meio de sua assessoria: “Isso consolida mais um investimento resultante das viagens internacionais que realizamos desde janeiro”. Ele se referia ao encontro realizado em Davos, na Suíça, em 23 de janeiro, com Anderson Tanoto, Diretor Mundial do Grupo RGE – do qual a Bracell faz parte.
“Nossos grandes competidores não estão no Brasil. Nossos competidores estão fora do Brasil. São Paulo, em nome do Brasil, compete internacionalmente, por isso fazemos missões internacionais objetivas, dirigidas, tecnicamente bem elaboradas”, finalizou o governador.

 


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