FUI TESTEMUNHA DA HISTÓRIA: o desastre da falta de auditoria dos votos

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GISLAINE TARGA

Na noite do dia 26 de outubro de 2014 aconteceu o que ninguém podia imaginar. Uma candidata totalmente improvável, chamada de “poste” na época, ganhou as eleições presidenciais depois da apuração ficar suspensa por uma hora a mando do STF. O oponente da época, cotadíssimo para ser o presidente do Brasil, perdeu de virada quando o sistema voltou ao ar. Se você não tinha mais de 10 anos na época, não deve saber nada disso!
O parágrafo acima esconde conteúdo demais, história demais, mas vou me ater ao que interessa: a falta que nos fez um sistema auditável de votos.
Fora toda a decepção de milhões de brasileiros, a onda de revolta se deu através de uma matéria publicada poucos dias depois, informando que os oponentes já tinham informações do vencedor do pleito horas antes da apuração final das urnas. Como isso poderia ser verdade? E é daí, exatamente deste instante, que os brasileiros realmente deixaram de acreditar nas urnas eletrônicas.
Como confiar em um sistema onde apenas 23 pessoas puderam acompanhar a “apuração”? Na verdade acompanharam um programa cuspir um número numa tela, informando o vencedor do pleito. Somente isso. Uma tela. Uma tela que derrubou o que deveria ser o maior ato democrático do planeta, com a participação de mais de 142 milhões de pessoas aptas a votar! 23 pessoas que, teoricamente trancadas numa sala (nunca saberemos de fato), deram o destino final a todo nosso sistema eleitoral. Nessas circunstâncias, temos todo o direito de desconfiar de tudo.
A falta de verificação, formas de checagem, conferência, auditoria, aferição, a falta de uma dessas coisas ou de tudo, nos deixa frustrados e impotentes. O sistema é perverso, nos castiga, nos desanima e quase nos faz desistir. Não fosse a nova leva de deputados eleitos em 2018, certamente o assunto jamais seria trazido à baila novamente.
Um sistema auditável não significa “voto impresso”. Voto impresso já foi debatido por esse STF que aí está (pois é) e o consideraram inconstitucional (!!). Ora apelam para a inconstitucionalidade das coisas, ora para o preço delas. E assim já se vão mais de 6 anos, com tudo isso que você viu ocorrer aí pelo meio, mas continuam a impedir a conferência simples do processo eleitoral.
Voto auditável é o mesmo tipo de votação que você já conhece, porém com o acréscimo de uma impressora, que acoplada à urna eletrônica, imprimirá seu voto e o lançará em uma urna física, inviolável e intocável pelo eleitor, após este ver e confirmar o seu voto impresso numa cédula, através de um visor podendo ser apurado, em caso de necessidade de forma manual ou eletromecânica, com o devido apoio tecnológico.
Urna Eletrônica com Impressora Acoplada: O eleitor não toca na cédula impressa, somente a confere através do visor inviolável que aparece em primeiro plano na foto acima.

O TSE “alegou” inúmeros problemas com as impressoras e uma verdadeira batalha se deu no cenário jurídico para impedir a volta do voto impresso. Até o momento, tudo é feito para impedir a impressão do voto, seja por qual motivo for. Enquanto estamos nos primórdios das discussões, a Argentina confere votos através de códigos de barras, por exemplo. Sinceramente, não deve ser tão difícil assim!
Mas estão a impedir essa recontagem, se necessária, a todo custo e, novamente, temos todo o direito de desconfiar de todas as manobras e piruetas que dão para evitar essa auditagem. E é justamente esse comportamento agressivo e destoante, que vai totalmente contra a transparência esperada dentro do processo eleitoral, que nos chama a atenção.
Confira os nomes daqueles que gritam contra a auditoria dos votos. Confira suas histórias, seu passado, quantas vezes foram eleitos continuadamente. Confira e você verá o bastante para entender que, ou lutamos agora pelo voto auditável ou, nas eleições de 2022, pode ser que vejamos novamente o STE parar tudo por uma hora e, misteriosamente, o candidato mais popular da história recente do país poderá perderá para um poste, um bêbado ou um vagabundo.

Gislaine Targa – Administradora e Fundadora do Mães Pelo Escola Sem Partido


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