FERNANDA COLLI
Tantas tragédias e medos ocorrendo diariamente que se torna normal nos tornarmos pessoas repletas de incertezas e muito medo. Não nos cumprimentamos, não nos abraçamos e raramente nos comunicamos com quem não faz parte de nosso círculo de trabalho ou familiar. Não nos vemos mais.
Em um dia qualquer, aproveitei para assistir Avatar, e mais que depressa já me emocionei ao relembrar que o povo Na’vi, povo nativo de Pandora não pronunciavam “eu te amo”, mas sim “eu vejo você”, e o tempo agora me permitiu refletir sobre a verdade tão escancarada dita em uma obra que fez história no cinema.
Ver o outro é a essência do que é o amor. Quando enxergamos o outro, nós o reconhecemos como nosso semelhante, vamos além da superfície, deixamos o TER de lado para embarcarmos numa viagem no SER do outro.
Quando “vemos o outro”, significa algo mais que o enxergar fisicamente; significa ver um olhar amoroso, se conectar mesmo com as diferenças.
Quando vemos o outro vemos também sua dor e a vontade de ajudar parece ser maior que tudo até mesmo de possíveis diferenças; vemos no outro também seus potenciais e pensamos logo em enaltecê-los custe o que custar.
Ver o outro significa aceitar tudo o que eu vejo, mesmo que aquilo não me agrade e esteja bem longe se encaixar nos padrões e molde que acredito.
Ver o outro é ser sua luz, sua alma, sua sinceridade, e tudo isso sem julgamentos, culpas, expectativas ou projeções.
Quando eu vejo você consigo sentir a profundidade de todas suas experiências. Quando eu digo “eu vejo você” não significa que eu estou olhando você. É algo muito mais profundo que isto; é você deixar de lado todo o julgamento de lado para enxergar você de verdade, até porque agora eu consigo me ver.
Eu vejo você é sinônimo de você existe e é importante pra mim. Eu te respeito, eu te valorizo e toda minha atenção está com você, eu vejo você e me permito descobrir suas necessidades, vislumbrar seus medos, me aprofundar nos seus erros e aceitá-los. Eu aceito você como você é, e você faz parte de mim.
Que mundo melhor se enxergássemos uns aos outros com a profundidade deste significado.
Fernanda Colli é pedagoga, psicopedagoga, Arte Educadora, presidente do Conselho Municipal de Cultura e membro da Academia Araçatubense de Letras.



