A cana-de-açúcar e a pecuária ainda respondem por bem mais da metade das riquezas geradas no campo em toda a região de Araçatuba. A conclusão está no balanço anual de produtividade dos 40 EDRs (Escritórios de Desenvolvimento Rural) de São Paulo, divulgado recentemente pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
Os municípios da região estão divididos em três desses escritórios, localizados nas cidades de Araçatuba, Andradina e General Salgado, sendo gerenciados pela Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral).
O estudo mostra que, no intervalo de 2017 a 2018, a unidade de Andradina foi a mais bem colocada na região. Ocupando a 14ª posição, possui 62,9% da renda agropecuária concentrada na cana, enquanto a pecuária bovina de corte responde por 18,6%. Ou seja, 81,2% da riqueza nessa faixa da região – que, além de Andradina, engloba ainda Bento de Abreu, Castilho, Guaraçaí, Ilha Solteira, Itapura, Lavínia, Mirandópolis, Murutinga do Sul, Nova Independência, Pereira Barreto, Suzanápolis e Valparaíso – vem apenas dessas duas culturas.
O escritório de Araçatuba – que abrange também Alto Alegre, Avanhandava, Barbosa, Bilac, Birigui, Braúna, Brejo Alegre, Clementina, Coroados, Gabriel Monteiro, Glicério, Guararapes, Luiziânia, Penápolis, Piacatu, Rubiácea e Santópolis do Aguapeí – ficou na 16ª colocação. O cenário, no entanto, é semelhante ao de Andradina, com as duas culturas tradicionais à frente. Na regional de Araçatuba, cana e boi atingem 72,4% do valor produzido no campo. Apresenta um destaque considerado “pequeno” a produção de ovos (9,1%) concentrada em Guararapes.
Já o EDR de General Salgado ocupa a 21ª posição, concentrando sua atuação rural com 70% representados pelo sistema cana-boi. Essa repartição contempla os seguintes municípios da região de Araçatuba, além de General: Auriflama, Buritama, Guzolândia, Lourdes, Nova Luzitânia, Santo Antônio do Aracanguá, São João de Iracema, Sud Menucci, Turiúba e Nova Castilho. Outros municípios que a compõem são da região de São José do Rio Preto.
Esta região, aliás, foi um dos destaques da pesquisa. Em um ano, o escritório de Rio Preto pulou do oitavo para o quinto lugar. No topo, está Barretos. No segundo, terceiro e quarto lugares, vêm São João da Boa Vista, Itapeva e Presidente Prudente, respectivamente.

CARRO-CHEFE
Para o pesquisador científico da Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), Danton Bini, mais do que a importância de dois segmentos, o estudo constata a força do agronegócio como “sustentáculo” da economia regional. “São as divisas obtidas por essas grandes culturas que impulsionam a economia urbana através de impostos convertidos em investimentos públicos e do consumo varejista realizado pelos trabalhadores desses setores”, analisa Bini, que é doutor em geografia humana pela USP (Universidade de São Paulo).
Entretanto, o estudioso fala na necessidade de diversificação da produção rural. “Preocupa a baixa diversidade dessa riqueza gerada no campo, espantando-nos a pequena capacidade da agricultura familiar e a baixa oferta de produtos essenciais à segurança alimentar e nutricional da população regional”, observa ele.
Na análise do pesquisador, é necessária maior atenção dos agentes públicos e privados em relação aos incentivos para melhorar a oferta de frutas, legumes e verduras produzidos na região. “A pressão dos pequenos produtores na busca de subsídios que melhorem a capacidade técnica para o plantio de culturas estratégicas para a saúde pública regional deve ser aceita como paradigma de construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, finaliza.
ARNON GOMES
Araçatuba

