RUBENS BIZARRO ROMARIZ
rb.romariz @gmail.com
“Como hábito aos domingos vou à feira livre comprar verduras e frutas. Domingo próximo passado, vi uma senhora bem vestida, parada ao lado do Correio, carregando seu cachorrinho todo enfeitado de tranças coloridas. Então, por brincadeira perguntei: – Não que me vender esse cachorrinho?
Ela me respondeu de pronto: – O Popó jamais eu vendo. Vendo sim o meu marido, quer compra-lo? De imediato respondi pode ficar com seu marido.
O dia amanheceu lentamente. A cidade acordava preguiçosamente, e a rua despida de pessoas anunciava o dia de domingo. Ia eu em direção à banca de revistas, sem pressa com a calma de quem tem a alma na palma da mão, se não fossem aquelas duas mulheres inquirindo o Zé na esquina:
– Mas, Zé você não ganhou a “Cesta Básica” que o prefeito deu? Olha vá agora, na prefeitura buscar o sua. A doação foi dada para todos os escolhidos.
O seu Zé encostou a bicicleta no poste do sinaleiro e saiu acelerado atrás do seu presente. Enquanto o Zé não voltava, as duas mulheres continuavam a filosofar a linguagem única de ganhar ou perder:
-Então Maria, esse Zé não sabe fazer nada se eu não mandar. Quando nos casamos, nem café sabia fazer. Homem é assim mesmo, disse a outra. Falam muito, mas quem os ensina tem que ser nós, as mulheres. Será que o prefeito tem mulher?
Continuei caminhando em direção á banca de jornal e deixei de continuar a ouvir as conversas entre as duas mulheres que, com certeza, continuavam a apontar os defeitos dos homens. Entretanto, o fato me fez pensar sobre as mulheres do passado ao presente. Foram elas as maiores domesticadoras dos animais da nossa Terra.
Tenho hoje absoluta certeza de que o papagaio, o gato, o galo, o jumento, o boi, o camelo, o cachorro ficaram mansos pelas mãos de uma mulher. Bem, isso deve ter acontecido há milhares de anos atrás, apesar de que nunca foram citadas por Darwin ou Lamarck, nos pareceres sobre as origens das espécies.
… E o homem? Bem, os homens foram os últimos dos animais a serem domesticados. É certo que levou muito tempo, afinal possuem os músculos mais fortes, porém guardam um cérebro sempre com um pouco de ferrugem, coisa herdada pelo DNA que veio de Adão.
O único homem que conseguiu sobrepor-se à mulher foi, talvez, o “Tarzan das Selvas”, pelo fato de viver como ermitão, cativou o leão, o elefante, a zebra, o crocodilo, a macaca “Chita”. Certo também que teve que matar alguns, para provar a aprendizagem dos outros.
Bem, foi assim até quando surgiu a “Jane”. Essa com certeza colocou fim às conquistas do famoso “Rei das Selvas.” O Tarzan de hoje, domesticado pela beleza da Jane, já nem mais consegue trepar em uma árvore com segurança, quanto mais cativar um coelho. Perdeu a flecha com a pontaria, só pensa em correr atrás da Jane que o domesticou.
O processo da domesticação do Tarzan requereu hábitos como: Pendurar roupa lavada nos galhos mais altos para secar, fazer a feira pela floresta em busca de frutas, preparar mamadeiras para o “Bói” e o principal, obedecer a todos os pedidos da Jane. É certo que em troca, Jane preparava belos pratos, psicologia hoje usada para domesticar qualquer homem.
Minha conclusão é que o “bicho homem” foi o último animal a ser domesticado pelas mulheres.
Lógico, nós homens protestamos e não queremos admitir, mas sabe que a sua mulher o domesticou.
Segundo Darwin o homem tinha um rabo. Pois bem, a mulher fê-lo descer da árvore, domesticou-o cortando o rabo e chamou-o de esposo. O de hoje atende-a pelo som de “Meu Bem” ou “Meu Amor”, concordam comigo?
Ah! Se algum esposo vier me contestar, será porque a sua mulher assim o ordenou.
Um bom domingo a todas as mulheres e aos homens domesticados que me leem.
Uma boa sexta-feira depois carnaval, afinal agora estamos na quaresma onde o Brasil começa de fato o ano de 2024, como sempre depois do carnaval.
RUBENS BIZARRO ROMARIZ É PROFESSOR APOSENTADO, ESCRITOR E CRONISTA. ESCREVE SEMANALMENTE PARA O LIBERAL REGIONAL



