ENTRE AS PÉTALAS – A FLOR.
RUBENS BIZARRO ROMARIZ.
rb.romariz@gmail.com
“O principezinho atravessou o deserto e encontrou apenas uma flor. Uma flor de três pétalas, uma florzinha à-toa.”
- Bom dia, disse o príncipe.
- Bom dia, disse a flor.
- Onde estão os homens? Perguntou polidamente:
– Um dia, vira passar uma caravana:
- Os homens? Eu creio que existem seis ou sete. Vi-os há muitos anos.
“ Mas não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes.” ( do livro “ O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry.
Discute-se a eleição do presidente do Brasil. Alguns declaram medo do futuro, outros nem almejam o futuro. Os Estados Unidos da América do Norte tem um presidente aloprado. A facção terrorista Estado Islâmico colocam as bombas sob o mesmo corpo e fazem as explosões matando inocentes. A Índia e o Paquistão preparam suas bombas atômicas, enquanto a Coréia do Norte prepara a sua. No Brasil os morros fazem a guerra nas capitais e todos têm medo. A América Central produz a cocaína, e abastece o mundo que se prepara para a Terceira Guerra Mundial com bombas atômicas.
Depois, as cidades foram destruídas, o campo foi devastado pelo sopro dos ventos atômicos. Quase toda a população desapareceu, os que sobraram perderam o sentido da vida e autoestima. O trabalho não mais existe, os poucos animais morriam de fome e… A Terra sofria o abandono das vidas.
Certo dia choveu, depois choveu muito e entre restos de escombros surgiu um botão que foi descoberto por uma criança que brincava. A criança contou á mãe que, entretanto, não se interessou. No outro dia, a criança contou para o professor a sua descoberta. O professor parou para ouvir, e foram ao local para conversar com a flor que estava murcha pelo calor. A criança ofereceu água e a flor levantou-se. O professor fez uma cerca para proteger a flor e depois surgiram mais flores que guardaram sementes O vento levou as sementes e formaram-se diversos jardins. O professor tinha então muitos alunos que faziam descrições sobre as flores, enquanto muitas eram colhidas para embelezarem as salas.
As cidades voltaram a existir, as escolas também, os alunos também, os professores também. Fizeram-se novas eleições e, os homens se dividiram em grupos rivais e, os exércitos explodiam bombas e tudo novamente estava destruído. No solo áspero, restaram apenas escombros e, encerrados no solo ficou apenas uma semente. Ainda há uma esperança de vida enquanto existir uma criança, um professor e uma flor.
“ Os homens não tem raízes… Eles não gostam das raízes…”
Essa crônica dedico com lembranças de minha infância, de todas as flores colhidas que eu levava para a minha professora Edite nos meus nove anos.



