VALOR - Sena: "Acho algo muito prazeroso e saudável reunir os familiares confinados na sala de estar para a declamação de um poema

Em tempo de distanciamento social, livro é o amigo mais próximo, afirma poeta

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Com a pandemia do novo coronavírus e as consequentes medidas de distanciamento social, a leitura passou a ser uma companheira para se passar o tempo na vida de muita gente. Isso é confirmado pelos próprios números. Um exemplo disso foi constatado em junho do ano passado, quando as vendas de obras literárias registraram alta de 69,1% em relação ao mês anterior, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Diante desse contexto, a Academia Araçatubense de Letras promove, nesta semana, o bate-papo “Poesia em tempo de pandemia”. A reunião será realizada em ambiente virtual ( https://meet.google.com/cca-rfih-feb), na terça-feira, a partir das 19h30. Para falar com os participantes durante o evento, foi convidado o poeta, professor, contador de histórias e autor de peças de teatro Peilton Sena, de Santos (SP). Sena é autor dos livros “Momentos” (1995) e “A força dos versos” (2006) e já conquistou vários prêmios literários. É também membro da Academia Santista de Letras, instituição que completa 65 anos em 2021.

Ontem, três dias antes da reunião, o palestrante concedeu esta entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL. Nela, Sena fala sobre a valorização da literatura no momento atual, a formação de novos leitores e como a educação pode contribuir para a melhora nos índices de leitura no Brasil.

 

Qual a importância da Literatura em tempo de distanciamento social?

A literatura é a arte da palavra. Aqueles e aquelas que esculpem as palavras nas páginas de um livro nos possibilitam uma imersão onírica. Creio que a leitura de um bom livro nos aponte caminhos e, por meio de suas histórias, podemos nos reconhecer e, assim, amenizarmos nossas dores e angustias. Nesses tempos de pandemia, em que nos vemos obrigados a manter um distanciamento social, muitas vezes, o livro é o amigo mais próximo que fica em silêncio quando fechado, mas dialoga conosco e nos transporta para outros mundos e outras vivências quando o lemos. Porque a leitura tem esse poder de nos proporcionar momentos de diversão e relaxamento em tempos de tantas incertezas, sofrimentos e preocupações. Acho algo muito prazeroso e saudável reunir os familiares confinados na sala de estar para a declamação de um poema ou a leitura em voz alta de uma crônica, um conto ou o debate de bom um texto. Experimentem!

 

De que modo a adesão maior dos escritores ao mundo digital pode contribuir para a formação de novos leitores?

Acredito que tornando mais acessível a produção literária a muito mais pessoas. Hoje, temos de crianças a idosos, leitores ativos, novos ou experientes, dedicando cada vez mais tempo ao mundo virtual. Com o advento da internet, a leitura digital tornou-se um caminho cada vez mais irreversível. Haja vista a quantidade de redes sociais, blogs, páginas virtuais e e-books. Essa adesão se faz necessária porque o perfil dos leitores está mudando. Se isso é bom ou ruim, e se, de fato, trará mais pessoas para o mundo das letras, só o tempo dirá.

 

Apesar dos índices de leitura no Brasil ainda serem baixo, podemos dizer que houve avanços nos últimos anos?

Sim, porém um avanço muito tímido. O Brasil ainda figura na lista dos países em que menos se lê. Pesquisas apontam que o brasileiro lê, em média, 4,96 livros por ano, sendo que só 2,43 dessas obras foram terminadas. É uma pena porque a leitura é muito importante não só para o desenvolvimento intelectual e cultural do ser humano enquanto indivíduo, como para o desenvolvimento cultural e social de um país. Um livro não tem qualquer poder sobre o mundo. Mas as pessoas que leem têm muito.

 

A Escola tem conseguido cumprir o seu papel na reversão desse quadro?

Como professor posso afirmar que a escola tem empregado grandes esforços no tocante a reversão desse quadro. Porém, não podemos esquecer que as nossas escolas estão inseridas numa sociedade em que as práticas leitoras são pouco incentivadas e desenvolvidas. Incentivar o gosto pela leitura é de responsabilidade da escola sim, mas não só dela. Família e sociedade têm papel fundamental nessa tarefa. Até porque um dos fatores que influencia a leitura é o incentivo de outras pessoas. Deve existir sempre alguém que estimule outro alguém a gostar de ler. O professor é o primeiro mediador, o bibliotecário é outro, mas não podem nem devem ser os únicos. Não podemos esquecer que o ato de ler é uma bem-aventurança que deve ser compartilhada por todos. Afinal, como dizia Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e livros”.

 


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