Em ano de crise, economia regional tem o segundo maior crescimento do Estado

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Em um ano marcado pela crise econômica, como decorrência da pandemia do novo coronavírus, a economia de Araçatuba apresentou o segundo maior crescimento dentre as regiões administrativas do Estado de São Paulo. A informação está em estudo divulgado ontem pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) que mostrou uma elevação de 2,8% no PIB (Produto Interno Bruto – a soma de todas as riquezas produzidas durante 12 meses) no ano passado em comparação com o mesmo período de 2019.

Conforme o levantamento, a soma da produção total de bens e serviços chegou, ao fim de 2020, a R$ 26,8 bilhões ante R$ 24,1 bilhões ao término do ano anterior. Outro resultado positivo para a região foi que todos os setores da economia tiveram participação no resultado. A maior expansão foi da indústria (8,2%), seguida da agropecuária (2,9%) e serviços (1,5%).

O desempenho regional só não foi superior ao da Região de Franca, que cresceu 6,4% período. Também obtiveram resultados de destaque, segundo a pesquisa, as regiões de Ribeirão Preto (2,6%), Barretos (2,6%) e Marília (2,3%). Juntas, essas localidades, incluindo Araçatuba e Franca, registraram alta superior à média estadual, que ficou em 0,3%.

Ao todo, a economia cresceu em 11 das 16 regiões paulistas. Apresentaram decréscimos apenas as regiões de São José dos Campos (-2,5%), Itapeva (-2,2%), Sorocaba (-0,7%), Presidente Prudente (-0,4%) e Bauru (-0,4).

ANÁLISE

Procurado pela reportagem de O LIBERAL REGIONAL, o economista Marco Aurélio Barbosa de Souza, especialista em economia regional e local, avaliou como “extremamente positivo” o desempenho de Araçatuba no ano passado. “Nota-se que, em um ano de recessão (queda do PIB) nacional, a região se destacou no Estado e apresentou a segunda maior taxa de crescimento entre as regiões do estado”, analisa o professor universitário. Ele ressalta que, em 2019, quando não havia o fator pandemia, o crescimento econômico regional foi de 0,1%.

Para o estudioso, os dados divulgados pela Fundação Seade mostram o que ele chama de “certa resistência” da economia local ao “forte choque provocado pela crise pandêmica que, do ponto de vista econômico, foi uma das maiores recessões desde 1930”. Isso porque, além do crescimento do PIB, a geração de emprego com carteira assinada cresceu nas maiores cidades (Araçatuba, Birigui, Penápolis e Lins), com exceção de Andradina.

Barbosa observa que o grande impulso regional ocorreu no último trimestre do ano, ou seja, entre os meses de outubro e dezembro, quando a taxa de elevação do PIB foi de 6,2%.

Em termos comparativos, cita o professor, no último trimestre de 2019, a expansão do PIB foi de menos de um dígito, de apenas 0,7%. “Portanto, o expressivo crescimento econômico regional nos meses de outubro, novembro e dezembro levaram os resultados do ano de 2020 para um patamar de destaque no ranking estadual”, avalia o economista.

INDÚSTRIA

Questionado pela reportagem sobre o protagonismo da indústria no resultado regional, Barbosa afirma que a maior contribuição foi dos segmentos industriais vinculados ao setor do agronegócio e produção alimentícia, que tiveram suas demandas duplamente impulsionadas ao longo de 2020: pelos mercados interno e externo.

Entre os exemplos apontados pelo estudioso estão empresas frigoríficas que têm unidades produtivas na região, as usinas de açúcar e álcool, fábricas de alimentos como a multinacional Nestlé e a Predilecta, que têm importantes unidades produtivas na região.

EXPECTATIVA

Barbosa finaliza, dizendo que os dados apresentados nessa quarta-feira podem favorecer a atração de investimentos, nortear novos empreendimentos e ajudar a região a ampliar sua participação no PIB estadual nos próximos anos, fortalecendo em seu processo de desenvolvimento econômico.

 

 

PIB paulista cresceu 0,5% entre dezembro e janeiro

 

De acordo com a Fundação Seade, entre os meses de dezembro e janeiro, o Produto Interno Bruto – PIB paulista cresceu 0,5 % com evolução positiva no setor da indústria (2,5%) e decréscimo nos serviços (-0,4%) e agropecuária (-4,0%).

Na comparação com igual mês do ano anterior, o PIB apresentou acréscimo de 3,9%, com aumento na indústria (8,0%), nos serviços (3,6%), e recuo de -10,5% na agropecuária.

PIB + 30

Entre janeiro e fevereiro, a economia paulista cresceu 1,1% e, dessa forma, mantém sua trajetória de recuperação, continuando em patamar superior aos níveis anteriores à pandemia.

No acumulado de 12 meses, o PIB+30 de fevereiro apresentou resultado positivo de 1,0%. Já na comparação de fevereiro de 2021 com igual mês do ano anterior, o indicador registrou evolução de 5,3%.

O PIB+30, que representa cerca de 97% do Produto Interno Bruto, permite observar as estatísticas preliminares da economia do Estado de São Paulo.

PROJEÇÕES

A projeção do Seade para o PIB paulista em 2021, realizada com informações até janeiro, sofreu poucas alterações, ficando entre 3,6% e 6,7%, com média de 5,4%. Para a economia brasileira, a projeção para o PIB em 2021 sofreu pequena redução, com mínima de 3,6%, máxima de 3,9% e média de 3,8%. Com informações da Fundação Seade

 

 

PIB Regional

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