Home Cidades Araçatuba Elevação frequente do preço do asfalto preocupa empresários e prefeituras

Elevação frequente do preço do asfalto preocupa empresários e prefeituras

6 minutos de leitura
Compartilhe esta notícia!

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

O asfalto faz parte do cotidiano dos prefeitos, tanto para recapeamento como para pavimentação nova. Porém, há algum tempo a elevação constante dos preços preocupa gestores públicos e empresários do setor. Já tem empresa deixando de participar de licitação devido à instabilidade do mercado. Teme apresentar preço e não conseguir manter, arcando com prejuízos. O problema atinge pequenos e grandes municípios. Várias empresas do setor enfrentam problemas financeiros devido ao desequilíbrio dos preços.
Nesta semana, a prefeitura de Araçatuba assinou contrato de financiamento de R$ 26 milhões para execução de várias obras, entre as quais recapeamento e pavimentação. O secretário de Planejamento Urbano e Habitação, Tadeu Consoni, admitiu que é preciso ficar atento às variações do preço do asfalto para não haver problema na execução das obras. Tadeu explicou que entre o projeto inicial e o início de uma determinada obra (toda tramitação, processo licitatório e emissão da ordem de serviço) pode demorar quatro meses. Sem acompanhamento preciso e até mesmo previsão de aumentos, uma obra pode ser comprometida e até mesmo parada.

AUMENTO ELEVADO
Nessa semana a Confederação Nacional de Transporte (CNT) divulgou os números do estudo “Impactos da Qualidade do Asfalto sobre o Transporte Rodoviário”. No estudo, a CNT faz uma análise técnica sobre o asfalto, identifica a atuação dos diversos atores que participam desse mercado e avalia, ainda, a evolução dos preços na comparação com o preço do barril do petróleo praticados no mercado internacional.
Entre setembro de 2017 e fevereiro de 2019, o preço do asfalto teve aumento de 108% no Brasil. Enquanto isso, o do barril do petróleo, do qual o produto é derivado, subiu cerca de 33,3%. Para se ter ideia do descolamento de preços existente, na comparação de outubro de 2018 e fevereiro de 2019, o asfalto ficou 27% mais caro, enquanto o barril do petróleo ficou 22% mais barato.
Com esta escalada dos preços, muitos municípios, que trabalham com poucos recursos, tiveram de reduzir o ritmo da recuperação das vias urbanas.

EMPRESARIADO
O empresário Carlos Gilberto Zanata, da Ultrapav, uma das mais tradicionais empresas do setor na região, disse que já deixou de participar de licitação exatamente devido à instabilidade de preços. Zanata disse que mesmo com a experiência de longos anos, na obra da Avenida Juscelino Kubitschek, ainda não fechando as contas, vai ter prejuízo. Quando assinou o contrato para início da obra, ele comprou 50% do asfalto necessário. Porém, nos meses seguintes foram dois aumentos consecutivos, que atrapalharam o planejamento. Por conta disso, deixou de participar de novas licitações da Prefeitura. Ele ainda está avaliando se vai participar das novas licitações.
Segundo o empresário, tudo vai depender dos valores apresentados pela Prefeitura nos editais de licitação.

COMPARAÇÃO
De acordo com Zanata, um metro quadrado de pavimentação custa entre R$ 60,00 e R$ 70,00, dependendo do solo e outras questões técnicas. Ele disse que um metro de cerâmica porcelanato (piso) custa menos de R$ 50,00. “Não dá para entender”, desabafou o empresário.


Compartilhe esta notícia!