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    Home»Cidades»Araçatuba»EDUCAÇÃO E LUSOFONIA
    Araçatuba

    EDUCAÇÃO E LUSOFONIA

    By jornalistacrispim6 de março de 2022Nenhum comentário3 Mins Read
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    António Montenegro Fiúza

    «Última flor do lácio, inculta e bela
    És, a um tempo, esplendor e sepultura
    Ouro nativo, que na ganga impura
    A bruta mina entre os cascalhos vela

    Amo-te assim, desconhecida e obscura
    Tuba de alto clangor, lira singela
    Que tens o tom e o silvo da procela
    E o arrolo da saudade e da ternura (…)»
    Soneto “Língua Portuguesa” – primeira parte , Olavo Bilac, poeta brasileiro

    Para quem se dedica (em reverente prosternação) aos idiomas, com especial focalização para a Língua Portuguesa, as suas particularidades e o seu potencial unificador e educativo, as comemorações de 21 de Fevereiro não poderiam passar em branco, afinal, trata-se do Dia Internacional da Língua Materna, o qual é celebrado mundialmente, desde 2000.
    Ao contrário da Língua de Camões, que é a sétima mais falada no mundo e que cresce exponencialmente, várias línguas, idiomas e dialetos correm o risco de se extinguir, pelo contato com outros povos e pela aculturação gradual de termos, modos de viver, de pensar e, porque não, de ser. Com tudo isso, a riqueza cultural do nosso planeta, bem como a diversidade, encontram-se em grande risco.
    Embora, no espaço da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, os países se encontrem unidos por laços idiomáticos, a profusão de línguas e idiomas mantém-se: em Angola, fala-se o umbundu, o quimbundo, o congo, o chócue e, pelo menos, mais dezena e meia de idiomas próprios; no Brasil, 274 línguas nativas diferentes, enriquecem o cardápio idiomático; em Cabo Verde, o crioulo, embora seja único, reverbera-se em cada uma das 9 ilhas habitadas, apresentando contornos de diferenciação; na Guiné – Equatorial, o mais recente a integrar a comunidade da CPLP, falam-se o espanhol e o francês, fangue, bubi, balengue, ibo e vários outros; o crioulo da Guiné – Bissau, do qual origina o cabo-verdiano, junta-se ao manjaco, ao fula, ao mandinga, ao balanta, ao papel e ao mancanha; em Moçambique, são faladas mais de 50 línguas, mas apenas 40 são reconhecidas pelo Centro Linguístico do país; mesmo Portugal, é dono de uma grande diversidade de dialetos, subsistindo ainda o Mirandês, pertencente a um grupo asturo-leonês; de São Tomé e Príncipe, chegam o forro, o angolar, o principense e resquícios de línguas do grupo bantu; em Timor, para além do tétum, mais 15 línguas nacionais são utilizadas.
    A toda essa abundância linguística, juntam-se as Línguas Gestuais Nacionais, utilizadas em cada um desses países e a Língua Portuguesa que a todas une, em plena irmandade.

    «(…) Amo o teu viço agreste e o teu aroma
    De virgens selvas e de oceano largo
    Amo-te, ó rude e doloroso idioma

    Em que da voz materna ouvi: Meu filho
    E em que Camões chorou, no exílio amargo
    O gênio sem ventura e o amor sem brilho.»
    Soneto “Língua Portuguesa” – última parte , Olavo Bilac, poeta brasileiro

    António Montenegro Fiúza é CEO – Chief Executive Officer do Grupo Lusófona Brasil

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