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quinta-feira, agosto 18, 2022

EDUCAÇÃO E LUSOFONIA

António Montenegro Fiúza*

«A língua portuguesa é uma construção conjunta de todos aqueles que a falam – e é assim desde há séculos. A minha língua – aquela de que me sirvo para escrever -, não se restringe às fronteiras de Angola, de Portugal ou do Brasil. A minha língua é a soma de todas as suas variantes. É plural e democrática.» José Eduardo Agualusa, in “Por uma Irmandade da Língua”, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa»
Nascido em Angola, José Eduardo Agualusa apresenta um modo muito próprio e vanguardista de encarar a Língua Portuguesa e a Lusofonia; identifica-a com as suas raízes e ramificações, como a soma das sua diversas partes, mas transcendo-a, numa evolução constante e diária.
Valoriza cada um dos seus agentes e das suas gentes, pessoas humildes que sem se aperceberem, fertilizam a língua, fazem-na crescer e desabrochar em milhentos novos dizeres e palavras.
«A sua imensa riqueza está nessa diversidade e na capacidade de se afeiçoar a geografias diversas, na forma como vem namorando outros idiomas, recolhendo deles palavras e emoções. Aprisionar a língua portuguesa às fronteiras de Portugal (ou de Angola ou do Brasil) seria mutilá-la, roubar-lhe memória e destino.», idem
Livre de dominados e dominadores, de superiores e inferiores, o espaço da Língua Portuguesa cria-se e recria-se de forma livre, fazendo uso da música, do teatro, da dança urbana, numa participação democrática e desprendida de fronteiras, temores ou tabus.
José Eduardo Agualusa conta estórias de Angola: terra de coissãs e bantos, povos agricultores, caçadores e coletores, país de diversidade e de riqueza natural e cultural. Um dos maiores países de África, o 2º mais populoso no espaço Lusófono, com mais de 32 milhões de falantes, que enriquecem a Lusofonia, todos os dias, no seu falar e no seu cantar, com os ritmos quentes do semba.
Numa realidade cuja democracia ainda é neonata e frágil, «A Literatura é, deve ser, sempre, um espaço de reflexão, portanto, não pode pôr nada de lado. E a Literatura trata da vida, trata da sociedade, trata do homem, trata das grandes questões que preocupam a humanidade. Então, toda a Literatura, nesse sentido, é política [e] deve ser de intervenção», José Eduardo Agualusa .
E assim, de mãos dadas, a Literatura e a Língua Portuguesa transformam-se, numa simbiose fascinante, quase impercetivelmente, mas de modo constante e progressivo.

António Montenegro Fiúza é CEO – Chief Executive Officer do Grupo Lusófona Brasil

1 – https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/por-uma-irmandade-da-lingua/3882
2 – https://www.wook.pt/wookacontece/novidades/noticia/ver/agualusa-escrever-continua-a-ser-um-deslumbramento-video/?id=140826&langid=1

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