Diego Fernandes – Araçatuba
A Associação Esportiva Araçatuba divulgou nota nas redes sociais informando que vai definir nesta quarta (21) se aceita ou não a proposta de um grupo de empresários de constituição de uma SAF (Sociedade Anônima de Futebol) para o clube. A proposta chegou através do Grupo Pluri e teria sido feita por empresários ligados ao agronegócio do Mato Grosso do Sul.
De acordo com a nota divulgada, a diretoria da AEA participou de reunião no Mariá Plaza Hotel, em 10 de janeiro, onde foi representada pelo presidente do clube, Rodrigo Silva, e o presidente do Conselho Deliberativo, Márcio Romano. Na reunião estavam presentes representantes do grupo, que fizeram a proposta de constituição de uma SAF para o clube canarinho.
Após a apresentação, a proposta foi encaminhada ao corpo jurídico da Associação Esportiva Araçatuba para análise detalhada.
De acordo com a nota, estavam presentes representando o Grupo Pluri, o presidente do Araçatuba FC SAF, Johnny Chiamente, o Diretor de Patrimônio da Secretaria de Esportes de Araçatuba, Vlademir Luís Poerschke (Careca); o empresário do ramo agropecuário Bruno Rondon Tavates; e o empresário e advogado João Laluce Neto.
A proposta apresentada pelo Grupo Pluri possui prazo final até o dia 26 de janeiro, porém, a diretoria da AEA informa que está realizando a proposta está em “análise minuciosa” do departamento jurídico, e a decisão oficial deve ser anunciada em reunião marcada para esta quarta-feira, dia 21.

Proposta
A proposta dos investidores da SAF seria de R$ 30 milhões a serem investidos no futebol da AEA por 10 anos. Com esse dinheiro, além de investimentos e montagem do time de futebol, a intenção é a de construir um Centro de Treinamento.
De acordo com a proposta, a intenção da SAF é colocar, neste período, a AEA na Série A1 do Campeonato Paulista – série que não disputa desde 2000 – e na Série B do Campeonato Brasileiro, algo que seria inédito para o clube.

Campeonato Paulista
Enquanto decide pela formação ou não da SAF, a AEA prepara o grupo de jogadores e segue realizando contratações e se preparando, visando a disputada da Série A4 do Campeonato Paulista, que começa no próximo dia 31 de janeiro.
A AEA estreia contra o Grêmio Sãocarlense, no estádio Luís Augusto de Oliveira, em São Carlos, no sábado, dia 31, às 19h. O primeiro jogo em casa, no Adhemarzão, é na segunda rodada, contra o Tanabi, no dia 7, às 15h30.
Até agora já foram anunciados oficialmente 14 jogadores: o goleiro Rafael Mello; o lateral-direito Dedé; o zagueiro Nicolas Carmo; os volantes Caio Henrique, Bruno Baiano; os meias Alegria, Gabriel Bonet, João Lucas, Yohan, Kayque Santos; os atacantes Jean Richard, Patrick Majeski, Alison Padilha, Eduardo Cerdan.
Foram anunciados também o técnico José Oliveira, auxiliar técnico Jeferson Félix, o médico Dr. Filipe Fornari, e as renovações do preparador de goleiros Luiz Otávio, e do preparador físico Andrezinho.
O clube também anunciou a Kappa como novo fornecedor de material esportivo e está anunciando seus contratados com as novas camisas feitas pela marca.
Sobre o modelo SAF
A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é um tipo específico de empresa, criado pelo Congresso em 6 de agosto de 2021, por meio da Lei 14.193/2021. A legislação estimula que clubes de futebol migrem da associação civil sem fins lucrativos para a empresarial. A Lei da SAF, como ficou conhecida, incentiva a mudança para este formato de clube-empresa, que dispõe de normas de governança, controle e meios de financiamento específicos para a atividade do futebol.
Clubes podem ser fundados diretamente com essa estrutura, podem ser convertidos de associação civil para SAF ou podem fazer a cisão de seu departamento de futebol, com a transferência de todos os ativos relacionados à atividade futebolística para a empresa.
Uma vez que a companhia é constituída, é possível vender parte majoritária, minoritária ou todo seu capital para um novo proprietário.
Historicamente, a maioria dos clubes de futebol no Brasil se estruturou como associação civil, uma organização privada, sem fins lucrativos, formada pela união de sócios. Essas pessoas elegem representantes para Conselhos Deliberativo e Fiscal, além de um presidente.
A SAF abriu a possibilidade da venda parcial ou total do futebol para novos proprietários. Podem ser empresários, fundos de investimentos e até a abertura do capital na Bolsa de Valores – opção ainda não tentada por nenhum clube brasileiro, mas comum em outros países.
No futebol, a associação civil costuma ter estrutura parecida com a do governo. Sócios elegem representantes para o Conselho Deliberativo, uma espécie de Legislativo, e para a diretoria, que se assemelha ao Executivo. O presidente é a cabeça da chapa.
O presidente da diretoria recebe um mandato por um período de tempo, geralmente entre dois e quatro anos, com ou sem direito à reeleição, e tem a companhia de vice-presidentes estatutários. No futebol brasileiro, essas figuras não são remuneradas e só ficam no comando temporariamente.
No caso de uma SAF, o proprietário tem poder de decisão de maneira definitiva. Quem compra parte ou todo um clube-empresa só deixará o negócio, salvo em ocasiões extraordinárias, no dia em que vender a sua participação sobre a empresa para outra pessoa, empresa ou fundo.

