PEDRO CÉSAR ALVES
Quando falamos em dinamismo no futebol, estamos nos referindo à velocidade, fluidez e intensidade com que o jogo é disputado. É uma característica fundamental do esporte, pois torna a partida emocionante, imprevisível e atraente para nós – que somos os espectadores. Sabemos que o dinamismo é impulsionado por jogadas rápidas, transições de velocidade entre defesa e ataque, dribles, passes precisos e chutes ao gol, entre outras ações que mantêm o jogo em movimento constante. E esse ‘movimento constante’ cria emoções! Vibrações!
No entanto, a introdução do VAR (Video Assistant Referee) ou do Árbitro de Vídeo trouxe consigo algumas questões e controles em relação ao dinamismo do futebol – (penso eu: prejudicial, do ponto de vista do espetáculo, mas positivo do ponto de ser justo!). O VAR é uma tecnologia que permite que uma equipe de arbitragem revise lances duvidosos com o auxílio de replays de vídeo antes de tomar uma decisão final. Embora o objetivo principal do VAR seja reduzir erros de arbitragem e garantir decisões mais justas, seu uso também pode levar a uma interrupção no fluxo do jogo.
Uma das principais críticas que nós torcedores temos em relação ao VAR é a demora em rever os lances (misericórdia – acaba com o espetáculo futebolístico!). Em algumas situações, o árbitro central precisa parar o jogo por um período considerável para analisar os replays e tomar uma decisão. Isso pode quebrar – melhor, quebra o ritmo do jogo, frustra os jogadores e os torcedores, e, em alguns casos, gera debates prolongados sobre a validade ou não das decisões tomadas pelo VAR.
Para tentar minimizar o impacto negativo na dinâmica do jogo, as entidades que regulam o futebol têm trabalhado para aprimorar o uso do VAR, estabelecendo diretrizes mais claras sobre quando e como ele deve ser empregado. Também tem se esforçado para acelerar o processo de revisão (muito lento ainda!) e garantir que as decisões sejam tomadas o mais rápido possível, a fim de evitar que o jogo fique parado por muito tempo.
E fiquei pensando em possíveis sugestões que viriam ajudar a agilizar o VAR tornando-o mais dinâmico: a) a equipe de arbitragem poderia contar com mais assistentes ‘adicionais’ na sala do VAR para agilizar o processo de revisão; b) investir em tecnologia, com análise de vídeo automatizada e inteligência artificial; c) limitar o número de revisões por equipe em cada partida pode ajudar a evitar interrupções desnecessárias e atrasos excessivos (como acontece em outros esportes, como o vôlei); d) protocolos mais claros e específicos para o uso do VAR (pode ajudar a reduzir o tempo de revisão); e) melhorar a comunicação entre o árbitro central e o equipamento do VAR é essencial para evitar mal-entendidos e acelerar o processo de revisão (uso de dispositivos de comunicação mais eficientes); f) investir em treinamento contínuo para os árbitros e assistentes do VAR (ajudando-os a tomar decisões mais rápidas e precisas durante as revisões); g) replays com mais ângulos que facilitem as tomadas de decisões de forma mais rápidas – logo, mais câmeras no campo; h) revisão somente de lances capitais (gols, pênaltis, expulsões – que já se vai notando…). Tais pontos podem ajudar a manter o fluxo do jogo durante a maior parte do tempo.
No entanto, vale destacar que o uso do VAR ainda está em evolução (e ainda bem, não é mesmo?) e sua implementação pode variar de acordo com as competições e associações de futebol em todo o mundo. A busca por um equilíbrio entre a precisão das decisões e a preservação do dinamismo do 4jogo continua sendo um desafio para qualquer esporte – e para o futebol não é diferente.
– Prof. Me. Pedro César Alves

