Basta fazer uma busca simples na internet para se descobrir que o calendário de datas comemorativas é vasto, ainda mais se levar em consideração os calendários internacional, nacional, estadual e municipal. Unindo todos eles você descobrirá que existem mais situações para serem celebradas do que os 365 dias do ano. Há data para se comemorar ou conscientizar sobre quase tudo, como o Dia do Gordo (10 de setembro).
É difícil saber encontrar referências sobre a origem da data, e se ela tem caráter mundial ou nacional. Independentemente de sua abrangência, o fato é que, ano a ano, o Dia do Gordo ganha destaque. A idéia é conscientizar as pessoas em relação ao respeito que se deve ter por quem está acima do peso.
Seja referente a profissões, lugares, acontecimentos, eventos, problemas de saúde etc., grande parte das datas comemorativas não recebe a devida atenção, sendo, inclusive, motivo de chacota. Nesse sentido, e infelizmente, o Dia do Gordo nem sempre é compreendido como uma data para reflexão sobre a condição de quem apresenta sobrepeso ou obesidade, mas deveria.
PESQUISA
O médico cardiologista Flávio Salatino, de Araçatuba (SP), lembra que, via de regra, a obesidade não é uma situação agradável, e pode ser prejudicial à saúde. “Mas isso não significa que a pessoa obesa deva ser motivo de piada preconceituosa ou desrespeitada por causa de seu condicionamento físico”, comenta.
Salatino lembra que mais da metade dos brasileiros está acima do peso e quase um quinto da população tem diagnóstico de obesidade. Os dados são de pesquisa do Ministério da Saúde, que revelou ainda que, em dez anos, a população obesa no Brasil subiu 60%. E se engana quem acha que o problema está restrito à obesidade, se engana. O excesso de peso aumentou 26,3% na última década.
A psicóloga Arli Rossi entende a data como uma oportunidade de propagar o quanto é possível ser feliz e saudável mesmo acima do manequim 38. “Devemos aproveitar esse dia para desconstruirmos o preconceito. Até porque, hoje, para quem aceita sua condição de sobrepeso ou obesidade, ser chamado de gordo não é mais uma ofensa, um xingamento. Essas pessoas assumem que são gordas e vivem muito bem com essa aceitação”, explica Arli. A profissional de psicologia lembra que há algum tempo a “ditadura da moda” é questionada por homens e mulheres, e, atualmente, há diversos padrões de beleza, incluindo o plus size. Por isso, o Dia do Gordo também é uma oportunidade para consolidar a alteração dos padrões de beleza estereotipados.
SAÚDE
Voltando à pesquisa do Ministério da Saúde (mais de 53 mil pessoas foram ouvidas em todo o país), o cardiologista Flávio Salatino afirma que o cenário pode não ser tão desanimador, pois ela trouxe dados positivos que indicam uma mudança de hábitos. A população com mais de 18 anos, por exemplo, está praticando mais atividade física no tempo livre e o refrigerante está perdendo espaço à mesa.
De forma geral, Salatino orienta os gordinhos a cuidar da saúde, sem a necessidade de ter copo de modelo. “O importante é que você se sinta bem com o seu corpo, e que a sua saúde não seja afetada negativamente pelo sobrepeso ou obesidade. Essas situações podem ocasionar diversos problemas, como hipertensão, níveis elevados de colesterol e triglicérides, problemas no coração, fígado, articulações etc. Portanto, é preciso alimentar-se bem, praticar atividades físicas, tem um sono regrado e visitar o médico regularmente”, finaliza.

