CARO - Preço da carne bovina está pesando no bolso dos consumidores

Consumidores diminuem consumo de carne; alta nos preços chega a mais de 80% em um ano

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Com o preço da carne bovina em constante alta, consumidores de Araçatuba já estão buscando outras alternativas para substituição do alimento à mesa, principalmente por conta da crise econômica. A alta do dólar, que provocou aumento da arroba do boi gordo, é um dos fatores do aumento do produto, que tem chegado cada vez mais caro na casa do consumidor.

Nesta semana, a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL conversou com o encarregado do açougue da unidade 2 do Supermercado Rondon, que fica na Cobrac, Leonel Júnior. Segundo ele, houve uma migração em torno de 20% dos clientes para outros tipos de carne como a suína e a de frango.

“Os clientes têm migrado para a carne de segunda, que está um pouco mais em conta, para carne suína e para as aves também, como a carne de frango, que é um pouco mais em conta em relação às outras”, explicou Leonel Júnior. “O cliente economiza uma media de 25% a 30% nesta migração”, afirmou.

O encarregado da área de açougue do supermercado afirma que a diminuição da renda dos consumidores devido à pandemia, aliado ao aumento de preço na base para compra tem acarretado na diminuição do consumo por parte dos clientes.

“A falta de renda para os consumidores vem afetando bastante. Mas eles vem fazendo a aquisição de acordo com o seu poder aquisitivo. Por isso que eles estão migrando para produtos de menor custo”, explicou.

Leonel, porém, afirma que o supermercado é obrigado a repassar o aumento de preço ao consumidor para que compense financeiramente seguir comercializando o produto.

“Está tendo reajuste direto na base, por isso os preços têm tido uma alta também. Devido às exportações, o aumento na ração, o milho, esses fatores é que estão fazendo aumentar o preço final das mercadorias”, justificou.

Alta nos preços

Em rápida pesquisa feita pelo jornal O LIBERAL REGIONAL, é possível constatar que o preço da carne bovina tem crescido substancialmente nos últimos 12 meses nos açougues e supermercados de Araçatuba.

Um dos cortes da carne mais comercializado é a fraldinha comum. Em maio de 2020, o preço do quilo deste produto podia ser encontrado em açougues ou supermercados da região por R$ 17,90. Este mesmo produto subiu para R$ 23,98 em agosto do ano passado. Nesta semana, a media de venda do quilo de fraldinha está em R$ 32,98. A alta do produto chega a mais de 84% em 12 meses.

O mesmo fenômeno de aumento de preço ocorreu também com outros cortes, como o patinho. Vendido em maio do ano passado a R$ 21,98 o quilo, o produto está sendo comercializado, em media, a R$ 39,98, alta de mais de 81%.

Um dos cortes de carne com preço mais acessível, o miolo do acém também sofreu um grande reajuste nos últimos 12 meses. O produto era comercializado a R$ 18,58 há um ano atrás, e agora, a media do preço é de R$ 28,98. O reajuste foi de mais de 55%.

Mercado externo mais rentável para produtores

De acordo com dados da Scot Consultoria, nesta terça-feira, a arroba do boi gordo estava sendo comercializada em Araçatuba a mais de R$ 300. O valor é o mais caro do país ao lado de outros mercados como Barretos e o Oeste de Santa Catarina, e é um valor recorde de acordo com o CEPEA, o Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada.

Este preço reflete diretamente no preço ao consumidor final. Como efeito de comparação, em janeiro de 2020, antes da pandemia, o preço da arroba do boi era comercializado a R$ 170.

Para o pecuarista e produtor rural de Araçatuba, Thomaz Neves Rocco, quem determina o preço para o mercado interno é o dólar – na cotação atual está em R$ 5,31 – , que controla as exportações da carne bovina brasileira e reflete nos preços do mercado interno.

“Quem vai ditar o ritmo do mercado é o câmbio e a China, de acordo com as exportações. À medida que esse câmbio vá ficando mais apreciado, o chinês vai comprar mais carne e essa carne vai encarecer no mercado interno para nós”, explicou o pecuarista. “O custo dos insumos alto faz com que o pecuarista fique um pouco mais retraído como ele não esteve o ano passado”, disse.

Rocco afirma que quase toda a produção está voltada para as exportações, já que o ciclo do alto preço da carne está fazendo com que o consumo diminua no país, ao passo que a venda para o mercado asiático e demais mercados internacionais segue mais rentável pelo preço do dólar.

“Nós já voltamos todo o nosso ciclo pecuário com destino à exportação, principalmente ao mercado da China e dos Emirados Árabes. Isso vem desde a escolha do animal, no caso o bezerro, até todo o manejo que a gente vai encurtando o ciclo de produção, para que a gente possa ofertar aos frigoríficos animais no padrão de compra da China, esse mercado é mais favorável que o mercado interno”, detalhou.

 


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