Diego Fernandes – Araçatuba
O Conselho Fiscal da AEA reprovou as contas do exercício de 2024 do atual Presidente do Clube, Rodrigo Silva. Com isso, o mandatário da AEA pode passar por processo de impedimento a ser votado pelo Conselho Deliberativo. Entre as alegações do Conselho Fiscal estão: suspeita de improbidade administrativa e possível prática de nepotismo.
De acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira (24) por membros do Conselho Fiscal, cinco fatores fizeram com que as contas do ano passado da gestão de Rodrigo Silva fossem reprovadas.
Segundo o documento, houve omissão na entrega de balancete formal auditado por um contador, o que seria incompatível os princípios de transparência e da boa governança.
Além disso, o relatório aponta indícios de ato de improbidade administrativa, com “confusão patrimonial, com movimentações da entidade feitas em contas bancárias do presidente e de familiares”. Teriam sido feitos pagamentos incompatíveis com a finalidade da instituição e utilização de bens e recursos da associação para fins particulares de dirigentes e terceiros.
O relatório ainda aponta possível prática de nepotismo afirmando que foram contratados familiares para cargos e funções remuneradas na Associação.
Atrasos
O Conselho Fiscal também aponta dívidas feitas pelo atual presidente com os mais diversos credores.
“Este Conselho apurou que o Presidente Executivo contraiu recentemente dívidas de valores expressivos, lesando pessoas e empresas tanto do município quanto de outras localidades. Entre os débitos identificados, constam obrigações não quitadas com atletas, colaboradores e fornecedores, que resultaram em ações trabalhistas e cíveis contra a entidade”, cita.
Falta e intimidação
O não comparecimento do presidente Rodrigo Silva em Assembleia Geral no dia 24 de junho também é um dos motivos apontados. Segundo o relatório, Rodrigo além de não comparecer, teria intimidado um membro do Conselho Fiscal “em uma transferência de responsabilidade”.
O texto ainda cita que o comunicado tentando cancelar a assembleia teria sido enviado pelo presidente do mesmo dia de sua realização.
Próximos passos
Com a reprovação das contas da atual gestão pelo Conselho Fiscal, o próximo passo é a comunicação imediata ao Conselho Deliberativo, que deve adotar as providências previstas no Estatuto.
Agora, cabe ao presidente do Conselho Deliberativo da AEA, Márcio Romano, receber e aceitar ou não a denúncia encaminhada pelo Conselho Fiscal, dando início à apuração interna e à convocação da assembleia para análise e votação do impedimento do presidente executivo, Rodrigo Francisco da Silva.
“Essa ação é essencial para garantir a transparência, o cumprimento das normas estatutárias e a proteção da imagem da Associação”, afirma o Conselho em nota, onde afirma que a reprovação segue em análise e pode resultar em afastamento definitivo e responsabilização administrativa civil ou penal.
“Espera-se que o Conselho Deliberativo aja com urgência e responsabilidade, para evitar novos prejuízos institucionais e assegurar que as decisões sejam tomadas com base na legalidade e no interesse do clube”, finalizou a nota.
Outro lado
A reportagem fez contato com o presidente da AEA, Rodrigo Silva, que afirmou que não lhe foram fornecidos todos os documentos necessários para que a prestação de contas fosse feita de forma adequada e no dia marcado. Abaixo, a explicação transcrita do presidente dada em áudio.
“No dia 22 teve uma assembleia, só que, para completar o balanço foi pedido alguns documentos. Eu pedi para o financeiro, pedi para os fornecedores e não nos foram cedidos. Então, foi impossível fazer o procedimento total. Mas eu tenho aqui as cartas, os documentos, não foram cedidos para mim. Por esse motivo não teve a prestação de contas. Aí foi remarcado outra reunião, para outra data, os conselheiros marcaram, só que eles mesmos cancelaram. Eles não me passaram o motivo. Então agora vamos ver”, disse por áudio via aplicativo de mensagens.


