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quarta-feira, maio 25, 2022

Comprar imóveis vai ficar mais caro

Rodrigo Andolfato

Há algum tempo eu escrevi vários artigos alertando para as questões das taxas de juros, adotadas pelo Banco Central do Brasil, estarem desalinhadas da realidade. Escrevi ainda que tal política monetária somada a abundancia de oferta de dinheiro, traria a inflação de volta. Pois bem, tais explicações assim parecem até um jogo de adivinhação. Mas não é. Infelizmente em economia tudo que acontece no mercado acaba por afetar o próprio mercado, na velha e boa verdade da correlação Oferta e Demanda.
Vou tentar explicar melhor de forma bem sucinta para que todos entendam uma máxima interessante do mercado: FAZER DÍVIDAS PODE SER BOM! (E não apenas pode ser bom, como pode te fazer ganhar riqueza)
À primeira vista a pergunta que vem é direta. Como fazer dívida pode fazer alguém ganhar dinheiro? Mas a resposta básica, e mais simples para essa pergunta é: Se você contrata uma dívida a 1% ao mês e aplica seu dinheiro a 2% ao mês, obviamente que está ganhando. Daí vem a segunda pergunta: Mas isso é impossível. Ninguém empresa dinheiro a uma taxa menor de juros que o valor que pagará para aplicação futura.
Aí leitores é que vem a surpresa não muito boa. Existe uma entidade que quanto mais dívidas faz, mais ele acredita estar se enriquecendo. Essa entidade é o Estado, e já vou explicar. O Estado produz nada mais e nada menos que dinheiro. Essa é a única e verdadeira produção estatal que todo mundo acredita ter valor no modelo de moeda fiduciária como vivemos hoje em dia. Assim sendo, o Estado imprime papel moeda e paga suas contas. Quanto mais papel moeda ele imprime, mais conta ele paga. Quanto mais dinheiro ele imprime mais dinheiro ele coloca no mercado, e assim mais oferta de dinheiro aparece para todo mundo.
No mercado vale a regra da oferta e da demanda para tudo, incluindo o dinheiro. Quanto mais de uma coisa existe menos ela vale. Ou seja, quando o Estado imprime muita moeda para pagar suas contas ele faz com que essa moeda desvalorize e perca valor. Isso não é muito bom para ele, já que esse é o seu grande ativo, e nem é bom para ninguém que receba nesta moeda, pois é como se os salários das pessoas diminuíssem a cada mês.
Com muito dinheiro em oferta no mercado o preço do dinheiro cai. “Espere aí Rodrigo. Como assim o preço do dinheiro?” – Simples leitores. O preço do dinheiro é a taxa de juros. Quanto mais dinheiro ofertado, menor a taxa de juros. Assim sendo, em determinados momentos de sua expansão monetária, o governo joga muito dinheiro no mercado e cria uma situação de juros baixíssimos que por sua vez alimenta um consumo por bens reais, os quais são de fato escassos e de fato tem valor. Por exemplo, tudo que não pode ser produzido num passe de mágica como o Estado faz com o dinheiro.
“Mas como, Rodrigo, fazer dívidas pode ser um bom negócio para se fazer riqueza?” – Oras meus caros leitores, sabemos que o Estado faz essas políticas loucas por determinado período de tempo, e que ele não pode fazer isso para sempre, ou destrói por completo o valor de seu principal ativo. Assim, quando ele tenta esticar por muito tempo essa política de aumentar muito a base monetária, “imprimindo dinheiro”, ele deixa as taxas de juros muito baixas.
Um investidor antenado nestas questões sabe muito bem que, em certo momento o Estado precisará acabar com essa bagunça, e para tanto, deverá aumentar fortemente a taxa básica de juros do Banco Central, para conter a inflação gerada por ele. Assim sendo, quem consegue fazer empréstimos de longo prazo com juros pré-fixados, irá ganhar com a perda do valor da moeda e com o consequente aumento de inflação. Isto acontece porque o valor das prestações do imóvel fica fixo e o aluguel vai crescendo com a inflação.
Outro fato importantíssimo é quanto ao remédio usado pelo Estado para conter a inflação. O aumento da taxa de juros faz com que investimentos em renda fixa, ou nos próprios títulos do governo, voltem a ser atrativos e mais lucrativos que investir em novos negócios. Chega-se a ser mais lucrativo parar uma indústria e demitir todos os funcionários para investir no governo. Por isso, quando o governo aumenta a taxa de juros, ele já sabe que o mercado vai frear e pessoas perderão emprego. Essa é uma medida ruim, mas necessária no combate a inflação causada por ele mesmo, o Estado.
Seja como for, quando o Estado aumenta a taxa básica de juros, os bancos aumentam também a taxa do crédito imobiliário. E deste modo, quem ia pagar uma prestação de um determinado valor passa a pagar muito mais. Assim sendo, enquanto essas taxas não sobem, o melhor negócio é comprar um imóvel financiado pelos juros baixos no maior prazo possível. Isso fará com que você consiga comprar um bem que só ganha valor com a inflação, e que ficará com as prestações congeladas por muitos anos.

Rodrigo Andolfato é empresário, membro do Instituto Liberal da Alta Noroeste e idealizador do movimento #ARACATUBADOBEM

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