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    Home»Cidades»Araçatuba»COMO O GALO CARNISÉ
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    COMO O GALO CARNISÉ

    By jornalistacrispim24 de junho de 2023Nenhum comentário4 Mins Read
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    Rubens Bizarro Romariz

             “O que se adquire na infância – virtude ou vício- integra-se no caráter e nele se desenvolve, tornando –se, com o tempo, hábito ou feição moral.”              ( Coelho Neto).

             Certa vez, um homem da roça de nome Agenor, cultivador de café, achou lindo e comprou por duas moedas um belo galo garnisé, cuja balança acusou uma massa de 500 gramas.

    Liberto no terreno, o homem achava com alegria ver no pequeno galo infernizar todo o galináceo. Intrometido, porém corajoso, enfrentava e galava todas as galinhas ao menor descuido. Era certo que apanhava das chocas e dos grandes galos, porém, ágil e muito esperto sempre fugia, empoleirando sobre as cercas, carroças, galpões. Descia como um gavião na captura de pintainhos, e sem nenhum cortejo, apoderava-se das fêmeas ciscantes no terreno de café, para o riso alegre do Agenor, que afirmava: – Pequeno, mas muito macho.

    O tempo foi passando, terminava o inverno e começava uma nova primavera, o cafezal se vestia de branco em flores. Agenor era um homem magro, como todo carpidor de café, voltava sempre ao cair das tarde para a casa, com a esperança de encontrar o cheiro da polenta, do torresmo na panela de ferro na beira do fogão de lenha. Era sempre assim sem antes parar, para ouvir o último cantar do garnisé, – “terror das galinhas do terreiro.”

    Com a chegada do Natal, Agenor trancou os galináceos no salão, sem antes de atraí-los com um cordão de milhos que ia deixando cair pelo caminho. Foi nesse dia que Agenor percebeu que a maioria dos frangos deixados para a venda no Natal estavam pequenos, e de pouco peso.

    Agenor nem precisou entender de genética. Naquele instante a pena de morte foi decretada: – o pequeno galo com o pescoço destroncado foi jogado aos porcos.

     

    Hoje ao ouvir uma senhora que afirmava que a liberdade do “ir e vir” da nossa constituição fez com que toda a sociedade se desestruturasse. Concluía que as drogas são as raízes de todos os desajustes da juventude. O álcool, o cigarro, a maconha, a cocaína consomem a juventude em todos os rincões da pátria.

     

    O filho sem o pai, a mãe solteira, a educação sem a aprendizagem, a liberdade da criança o do adolescente de desafiar o mestre, de poder permanecer pelas ruas principalmente nos fins de semana, de dirigir um carro com os altos – falantes ao som insuportável pelas ruas, com o incentivo de todas as cervejarias para o consumo de cervejas, sem contar com os canais televisivos que divulgam todos os crimes.

    A educação para a herança da Pátria e como diz Coelho Neto:- “O que se adquire na infância…” Ou como diz Rui Barbosa:- “A vida humana é como a árvore. Árvore que absorve do solo, onde mergulhou as raízes, a seiva bruta que vai elaborar, mas que também retira da atmosfera, onde expande a copa ao sol, o oxigênio necessário.”

    Pena mesmo foi com o Agenor que deixou o garnisé solto no “ir e vir”, pois apesar de morto, depois de tantos anos, ainda continuam a nascerem frangos pequenos.

    Quando a sociedade permite que os homens “Carnisés” fiquem libertos, fica explicito entender  o nosso futuro.

    Salários imensos aos nossos políticos, menos de dezoito anos ainda é criança, os presos tem direitos de saideira na páscoa, no dia das mães, nos natais, nos anos novos… As prisões abrem as portas para as visitas, a justiça lenta dorme em berços esplêndidos, o professor com medo do adolescente, a escola que se fecha aos sábados.

    Somos 27% de analfabetos funcionais e nem mesmo os alfabetizados tem o hábito de ler. Somos a democracia que temos, e com muitos “Carnisés” espalhados no nosso imenso Brasil.

    RUBENS ROMARIZ É PROFESSOR, CRO-NISTA E ESCRITOR
    rb.romariz@gmail.com

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