PRAZO - Com previsão de conclusão em 12 meses, contrato da obra prevê 18 meses

Com obra quase parando, empreiteira já teve aditamentos de contrato e recebeu mais de R$ 8 milhões

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

O pacote de obras de canalização do Córrego Machadinho e o prolongamento da Avenida Joaquim Pompeu de Toledo, entre as ruas Tupinambás/Sarjob Mendes e Anhanguera (marginal da Rodovia Marechal Rondon) e mais o canal de reforço entre a rotatória da Avenida Saudade e o cruzamento com a Tupinambás/Sarjob Mendes, foi apresentado como grande realização da administração Dilador Borges Damasceno. Porém, está se transformando em símbolo da ineficiência administrativa e de escoamento do dinheiro público pelo ralo. Como está sendo executado com dinheiro emprestado, futuras administrações terão de pagar pela obra que se arrasta desde 2019 e não tem prazo para terminar.
A primeira empresa – a TMK Engenharia S.A. que começou a obra em abril de 2019, tinha 18 meses para terminar. Não foi adiante e o contrato foi rescindido. Em agosto do ano passado, após conturbado processo licitatório com vários recursos, a Acxel Engenharia Ltda. assinou contrato para execução da obra. Embora no site da Prefeitura a notícia da assinatura do contrato indica 12 meses de trabalho para conclusão, o contrato prevê 18 meses. Como foi firmado em agosto, o prazo termina em fevereiro de 2022. Porém, a obra está em ritmo bastante lento.
O vereador Evandro Molina apresentou requerimento na sessão de quarta-feira cobrando informações sobre a paralisação da obra. Já moradores daquela região da cidade lamentam o longo período com ruas interditadas. As ruas Argentina, Chile e Paraguai estão com passagem interditada sobre o córrego. Assim, as únicas alternativas são a Tupinambás/Sarjob Mendes e América do Sul, que também está com passagem comprometida e acaba provocando filas de carros, aumentando a insatisfação.

CONTRATO
O contrato com a Acxel Engenharia Ltda foi assinado no início de agosto do ano passado no valor de R$ 8.710.043,32. A empresa teve a segunda melhor proposta. A empresa que ficou em primeiro lugar foi desclassificada por supostas irregularidades na elaboração da proposta. No entanto, nesse período de 15 meses de contrato, já foram feitos quatro termos aditivos de valor. O valor atual do contrato é de R$ 11.146.563,21, o que representa um acréscimo de 27,97%. Até o momento a empresa já recebeu R$ 8.376.683,50, conforme dados constantes do Portal da Transparência.

PAVIMENTAÇÃO
Em 2019, a Prefeitura assinou contrato com a empresa Sanches Sanchez para pavimentação. Este ano a empresa começou o trabalho, já com bastante atraso devido ao ocorrido com a canalização. A pavimentação depende da canalização. O valor inicial do contrato, assinado em março de 2019, é de R$ 2.986.175,02. Já teve aditamento e hoje o valor é de R$ 3.683.269,85, o que equivale a 23,34%. Não há histórico de pagamento para essa obra.

HISTÓRICO
A canalização do Córrego Machadinho e o prolongamento da Pompeu de Toledo foram anunciados pelo prefeito Dilador Borges Damasceno em abril de 2017 ao completar 100 dias de governo. Na época, disse que jamais a Pompeu seria usada em campanha eleitoral. A expectativa era concluir a obra antes das eleições de 2020. Em março do ano seguinte – 2018 – a Câmara autorizou o financiamento. Em julho de 2018, foi anunciada a liberação do empréstimo de R$ 12.521.754,68 pela InvestSP.
Devido à necessidade de negociar com os proprietários de áreas às margens do córrego, o processo foi encerrado em março de 2019, quando foram assinados os contratos.
O prazo para conclusão total da obra é de 18 meses. Na primeira etapa foi iniciada a canalização, prevendo em seguida a pavimentação, cuja previsão era de seis meses.
A empresa TMK Engenharia S.A. foi contratada pelo valor de R$8.333.057,61 para fazer a canalização e a Construtora Sanches Sanchez LTDA pelo valor de R$ 2.986.175,02 para pavimentar a avenida.
A obra começou efetivamente no fim de abril. Porém, desde o início a empresa não conseguia cumprir os prazos. O cronograma chegou a ficar atrasado em vários meses. Houve a rescisão e nova licitação. Foram muitos recursos, mas o resultado foi homologado dando a vitória à empresa que ficou em segundo lugar.
O atraso da obra traz consequências, como elevação do custo e o transtorno para os moradores. A obra, que poderia ter avançado com a longa estiagem e deveria terminar em 18 meses, já passa de 30 meses e não há previsão de término.

 

ADITAMENTO – Contrato já teve quatro aditamentos e chega a mais de R$ 11 milhões
DINHEIRO – Só este ano empresa já recebeu mais de R$ 6,2 milhões

 

Veja também

Região tem pouco mais de 72% da sua população totalmente imunizada contra a covid-19

Diego Fernandes – Araçatuba Durante esta semana, ao decidir sobre a flexibilização do uso de …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *