DIMINUIÇÃO - Depois de meses de alta, cortes de carne bovina sofrem queda nos preços

Carne bovina começa a apresentar queda de preço em Araçatuba

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Mesmo que de forma tímida, o preço de alguns cortes da carne bovina começou a cair em alguns estabelecimentos de Araçatuba. A diferença ainda é pequena, mas já é um movimento diferente do observado nos últimos meses, graças à alta do dólar e à pandemia.
Foram analisados pelo menos quatro cortes de carnes pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL em um determinado estabelecimento de Araçatuba.
Dois destes cortes de carne são bastante consumidos pela população e tiveram quedas significativas de preço nas duas últimas semanas. No último dia 23 de outubro, por exemplo, o quilo do Coxão Duro estava sendo vendido a R$ 35,98. Nesta quinta-feira (4), o preço no mesmo estabelecimento estava em R$ 33,98, uma queda de 5,5%.
Outro corte que teve uma baixa no preço foi o Coxão Mole. O quilo do produto estava sendo vendido neste mesmo estabelecimento em 23 de outubro a R$ 36,98 e ontem (4) estava a R$ 34,48, uma queda de quase 7%.
Em rápida pesquisa feita em outros estabelecimentos, a reportagem encontrou os dois cortes da carne a menos de R$ 30,00. Em um supermercado que estava com a carne bovina em promoção, o Coxão Mole podia ser comprado por R$ 29,90 o quilo, enquanto o Coxão Duro era encontrado a R$ 29,80. Neste caso, as quedas entre estabelecimentos ficam em quase 20%.
Outros cortes, considerados de segunda, também tiveram um decréscimo no preço neste período, porém em menor escala. Há duas semanas, a reportagem constatou que o preço por quilo do Miolo do Acém estava em R$ 27,90. Ao voltar ao mesmo local nesta quinta-feira (4), o preço do mesmo corte de carne estava em R$ 27,65. A queda foi de menos de 1%. Já para o Músculo, o preço observado há duas semanas era de R$ 27,98, enquanto nesta quinta-feira (4), o preço havia caído para R$ 27,90.
A queda nos preços da carne já era prevista devido ao embargo sobre a carne bovina brasileira no principal mercado consumidor, o da China. Neste período de duas semanas, houve nova queda no preço da arroba do boi. Se no dia 23 de outubro ela estava sendo comercializada a R$ 262, nesta quinta-feira o preço em Araçatuba estava em R$ 257.
Em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL em reportagem publicada na edição do dia 24 de outubro, o pecuarista araçatubense Thomaz Rocco já previa que a queda nos preços das carnes poderia acontecer no mês de novembro, caso o embargo continuasse.
“Por causa da baixa nas exportações para a China, a oferta de carne no mercado interno ficou maior, então é possível que na primeira quinzena de novembro o consumidor comece a sentir um pouco a diferença no preço”, disse à época em entrevista por telefone à reportagem.
O pecuarista também projetou que haverá mais oferta da carne para o final do ano, o que pode seguir diminuindo o preço destes produtos nos açougues e supermercados da cidade.
“Pode ser que agora com o final do ano, você tenha mais oferta de carne no mercado interno, o cara pode conseguir comprar a carne no mercado mais em conta”, explicou o pecuarista, que também afirmou que acreditava na regulagem do mercado com a volta das exportações para a China, o que ainda não ocorreu.

Queda esperada
De acordo com o economista da APAS, a Associação Paulista de Supermercados, Diego Pereira, dos 14 cortes de carne bovina que são monitorados pela instituição, o Acém apresentou uma deflação de -4,31% no mês de setembro e o Músculo teve uma deflação de -2,84% no mesmo período, sendo que este corte já apresentava uma baixa nos preços em agosto. Os índices foram observados em supermercados de todo o estado.
“A gente já vinha acompanhando estas quedas, então para nós não foi surpresa essa prévia do IPCA-15”, afirma o economista.
Em contrapartida, cortes de carne que têm maior relevância na cesta, como o contrafilé e a alcatra, ainda carregam uma inflação em torno de 13% no acumulado do ano.
A redução no preço internacional de commodities agrícolas, que representam 70% das rações animais, e os embargos internacionais da China, Rússia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Egito também foram os principais motivos apontados pelo economista da APAS para a redução dos preços.
“Com todos os sinais de desaquecimento que a economia chinesa vem apresentando nos últimos dias e o aumento de oferta no mercado interno, por conta da quebra destes acordos comerciais, essa redução será sentida ainda mais nos próximos meses”, prevê Diego Pereira.

Exportações
A Secretaria Comércio Exterior reportou que a média diária exportada de carne bovina ficou em 4,1 mil toneladas em outubro, um recuo de 49,48% frente à média do mesmo período do ano passado, que ficou em 8,1 mil toneladas.
O valor negociado para o produto encerrou o mês de outubro de 2021 em US$ 424.691 milhões, tendo em vista que o preço comercializado durante o mês de outubro do ano anterior foi de US$ 690.444 milhões. A média diária ficou em US$ 21.231 milhões e registrou uma desvalorização de 38,50%, frente ao observado no mês de outubro do ano passado, que ficou em US$ 34.522 milhões.

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