RARO - Dr. Stelios Fikaris, infectologista, afirma que casos de reinfecção por uma mesma cepa são raros DIEGO FERNANDES

Araçatubenses testam positivo para covid-19 pela segunda vez; médico diz que reinfecções não são frequentes

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

A questão da reinfecção por covid-19 ainda causa muitas dúvidas na população. Ao mesmo tempo que especialistas dizem ser muito rara uma nova infecção pela mesma cepa do vírus, algumas pessoas já testaram positivo mais de uma vez para a doença. Em Araçatuba, há alguns exemplos de pessoas que receberam por duas vezes a informação de que estavam com a covid-19. Um médico ouvido pela reportagem afirma que este tipo de caso ainda é considerado raro.

A advogada araçatubense Marcela Alves Branco Pinto, de 39 anos, recebeu a notícia do teste positivo por duas vezes. A primeira delas ocorreu no dia 28 de junho de 2020 e a segunda pouco mais de 6 meses depois, em 30 de dezembro do mesmo ano.

À reportagem, Marcela contou que seus sintomas foram mais intensos na segunda oportunidade, tendo que passar, inclusive, algumas noites no Hospital Unimed tomando medicamentos para conseguir ter uma noite de sono.

“Na primeira vez eu tive sintomas leves, mas tive bastante dor de cabeça, dor no corpo, não tive sintomas respiratórios. Já na segunda vez, eu tive sintomas bem fortes, febre alta, cansaço, já tive um pouco mais de sintomas respiratórios. Desde o início o meu nariz entupiu, tive falta de ar, meu pulmão foi acometido pela segunda vez então eu tive que alguns dias dormir no hospital porque era uma dor nas costas terrível, não tinha posição para dormir, eu ia até o hospital, tomava medicação e passava a noite, foram 4 noites no hospital”, contou Marcela à reportagem.

A advogada já está curada, porém, afirma que ainda trata sequelas do tratamento contra a doença que ficaram em seu fígado, por causa das medicações, e também lamenta a queda de cabelos causada pela doença.

“Acho que por conta da quantidade de medicamentos foi pesado para o meu corpo. Eu fiquei com sequela no meu fígado que eu estou tratando. E o mais difícil pra mim está sendo enfrentar queda de cabelo, porque como eu tive duas infecções o meu cabelo sofreu muito”, afirmou Marcela, que disse que sua dermatologista comentou que os fios que caíram voltam a crescer, em media, 6 meses após a infecção por covid-19.

Outro caso relatado à reportagem foi do casal araçatubense formado pelo professor Newton Mitsuo Ida, de 53 anos, e pela pedagoga Marcia Regina Ida, de 49 anos. Ambos tiveram a notícia da infecção pela covid-19 pela segunda vez e ainda estão com a doença. Newton está em quarentena em sua casa, enquanto Marcia está internada na enfermaria da Santa Casa com baixa saturação.

“Eu estou melhor, com falta de ar, dor no corpo, mas quando toma o remédio melhora. A Marcia teve que ser internada, mas graças a Deus não é grave”, explicou.

Segundo Newton, ambos registraram resultados positivos de covid-19 em dezembro e em maio. Newton, inclusive, tomou as duas doses da vacina CoronaVac, por ser professor.

“Eu tomei as duas doses da CoronaVac, já faz mais de 15 dias, inclusive minha visita ao médico foi no dia 25 de maio, e eu tinha tomado a segunda dose no dia 10 de maio”, afirmou Ida.

Tem sido raros os casos de reinfecção por covid-19 divulgados pelos serviços de saúde. Em dezembro foi divulgado o primeiro caso de reinfecção no estado de São Paulo. A reportagem questionou o governo paulista sobre o número de casos de reinfecção detectados até o momento, porém, não obteve resposta. Em Araçatuba, a prefeitura também não respondeu a questionamento sobre casos de reinfecção no município.

Médico afirma que casos de reinfecção são raros

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL ouviu o especialista Dr. Stelios Fikaris, médico infectologista que atua há várias décadas em Araçatuba. De acordo com ele, os casos de reinfecção são raros e em alguns deles pode haver uma má interpretação dos exames.

“Os casos de reinfecção são bastante infrequentes, são extremamente raros, e é importante que a gente caracterize o caso em que ele tenha sido positivo, com exames positivos, quadro clínico da doença compatível, depois ele tenha sarado, então a pessoa tenha exames negativos nesse meio tempo, para depois posteriormente ele ter um novo quadro clínico da doença, com um novo exame positivo. Só nessa situação que você pode pensar em uma reinfecção, e essas situações são muito pouco frequentes, felizmente”, explicou o médico.

De acordo com o especialista, em Araçatuba há o predomínio da cepa chamada de P1 e, segundo ele, é difícil que haja uma nova infecção pela mesma cepa, embora elas possam ocorrer.

“Você tendo essa chance de positivo, negativo e positivo, aí você vai avaliar a possibilidade de que realmente isso tenha acontecido, a reinfecção. Muitas vezes os exames são mal interpretados e com isso você acaba tendo falsas reinfecções”, afirmou o médico.

O Dr. Stelios Fikaris ainda alerta a população já vacinada para que siga com os cuidados como distanciamento, uso de máscaras e álcool em gel, já que a vacina não inibe a transmissão do vírus para outras pessoas que não estejam imunizadas.

“É importante que o distanciamento, o uso de máscaras persista porque a CoronaVac (vacina mais utilizada no Programa de Imunização até aqui), por exemplo, não é muito boa para impedir a transmissão do vírus um para o outro, mas ela é boa para poder minimizar os casos graves. É importante que todos se vacinem e mantenham os cuidados”, completou.

RELATO – Advogada relata que já testou positivo para a covid-19 por duas vezes em 6 meses
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