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quarta-feira, agosto 10, 2022

Alimentação saudável fica mais cara

Colocar alimentos saudáveis na mesa pesou mais no bolso em fevereiro do que no primeiro mês do ano. A constatação aparece em levantamento divulgado pela Educonsultoria, empresa de consultoria em diagnósticos e prognósticos socioeconômicos, localizada em São Paulo.
De acordo com o estudo, produtos in natura registraram alta de 8,14% no mês passado. O indicativo foi responsável pela elevação do preço dos alimentos no varejo durante o período: 2,79%. Os alimentos processados (como o arroz), por outro lado, tiveram uma queda de 2,56%.
Para chegar a essas concluões, os pesquisadores consideraram uma cesta de 70 alimentos in natura e 58 processados. Eles levantaram os preços dessa lista nos últimos finais de semana de cada mês em dois dos principais supermercados varejistas da cidade.
Os alimentos naturais que apresentaram as maiores altas no segundo mês de 2019, na comparação com janeiro, foram as uvas, com 81,64%. Em seguida, aparecem as mangas (52,74%), ameixas (46,18%) e os tomates (39,9%).
Produtos que figuram entre os mais consumidos da população também apresentaram altas. O alface subiu 32,60%.
Depois, aparecem banana nanica (21,87%), laranja pera (18,57%), cebola (17,80%) e as batatas (2,02%). O alho, por sua vez, caiu 23,77%. No geral, dos 70 produtos naturais pesquisados, 25 tiveram seus preços majorados, 18 apresentaram variações negativas e três não tiveram alterações em relação a janeiro. Vinte e quatro não tiveram cotações comparativas – estiveram indisponíveis nos mercados em pelo menos um dos levantamentos mensais.

PROCESSADOS
Quanto aos produtos processados, as altas mais expressivas foram do pão francês (14,51%) e do feijão carioca (11,27%). Do feijão, aliás, reportagem publicada por O LIBERAL REGIONAL em 16 de março já revelava uma tendência de alta desde novembro do ano passado. Conforme pesquisa feita pela reportagem, daquele mês até a primeira quinzena de março, o quilo do produto já tinha passado de R$ 3 para R$ 10, na média.
Entretanto, para a queda dos processados observada em fevereiro, a maior contribuição veio do café (-66,41%), da margarina (-20,57%), sobrecoxa de frango (-16,60%), refrigerentes (-15,24%), do sal (-11,03%), das salsichas (-10,87%) e das mortadelas (-10,59%). No setor dos processados, dos 58 produtos pesquisados, 35 apresentaram variações negativas, conforme a Educonsultoria.

Variação nos preços é atribuída ao clima

A disparada no preço dos produtos naturais é atribuída ao clima, conforme o pesquisador do IEA (Instituto de Economia Agrícola) do Estado de São Paulo, Danton Leonel Bini. Ele explica que o excesso de chuvas na segunda metade de fevereiro causou doenças em diferentes produtos, como os tomates. A força das águas, avalia o estudioso, impossibilitou também a colheita da batata. “As folhosas no verão também reduzem suas produtividades com o excessso de calor. Já algumas frutas de alta pericibilidade são acometidas por doenças”, analisa.
Quanto aos alimentos processados, que registraram queda, Danton avalia que, por usarem conservantes em suas fabricações, possuem um tempo de vida maior, não sofrendo influência direta das mudanças climáticas.
Questionado sobre as expectativas para os próximos meses, o pesquisador explicou que, no período de estiagem (normalmente, entre maio e setembro), folhosas e algumas leguminosas melhoram a oferta. “Contudo, carne e leite tendem a encarecer com a redução da oferta de pastagens para alimentação animal”, ponderou.
Ele fez ainda uma observação, de forma específica, sobre os ovos, que devem registrar valorização de seus preços entre março e abril. Isso, por uma razão muito simples: a mudança da dieta dos católicos na quaresma. Afinal, muitos deixam de comer carne nesse período.

ARNON GOMES
Araçatuba

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