Por Marcelo Teixeira
Tenho recebido pelo WhatsApp pequenas crônicas do meu confrade da Academia Araçatubense de Letras, Hélio Consolaro. Curtas mesmo, comparadas com as que ele publicava em jornais e livros. De 3 mil caracteres, as antigas, as novas têm 750 toques, mais ou menos. Mandei mensagem de voz ao meu padrinho na AAL para saber o motivo da redução. Na ligação de volta, explicou-me que continua a escrever no formato anterior, mas os usuários de redes sociais e aplicativos de mensagens não gostam de textos longos. Para ser lido, Hélio se adaptou. Agora, escreve das duas formas.
Vivemos em uma época de mudanças vertiginosas, em que a velocidade da vida moderna é acelerada pela incessante evolução tecnológica, notadamente a internet. Diante deste panorama dinâmico, a capacidade de reinvenção acaba sendo importante para a sobrevivência humana, especialmente no âmbito profissional, mais ainda para quem busca audiência.
A sociedade atual é caracterizada por uma constante metamorfose, impulsionada por avanços que transformam o jeito como vivemos, trabalhamos e nos conectamos. Neste contexto, a capacidade de se reinventar figura como diferencial para a continuidade do indivíduo no cenário profissional. Aqueles que resistem à mudança correm o risco de ficar obsoletos, à margem das oportunidades que o mundo de hoje oferece.
A internet, em especial, desempenha papel fundamental nesse processo de transformação. Ela não apenas conecta indivíduos em escala global, mas também redefine as expectativas e demandas do público. Profissionais de todos os setores precisam estar atentos aos anseios do seu público-alvo, compreendendo as nuances de uma audiência que se torna cada vez mais exigente (ou não) e informada (ou não). A reinvenção, neste contexto, não é apenas uma opção, mas uma necessidade.
No âmbito profissional, a adaptabilidade torna-se uma valiosa moeda de troca. As carreiras que prosperam são aquelas que conseguem antecipar e atender às demandas emergentes, alinhando-se às expectativas do público. A era da informação trouxe consigo uma consciência coletiva aguçada – a quem não concorda, já sigo que essa era ao menos gera debate -, na qual as escolhas do consumidor são moldadas por valores, ética e responsabilidade social. Os profissionais que compreendem e abraçam esses princípios estão mais propensos a alcançar o sucesso.
Atrevo-me a dizer que a reinvenção não se limita apenas ao domínio técnico. A empatia e a inteligência emocional desempenham função relevante na construção de relacionamentos com o público. Entender as emoções e aspirações dos consumidores torna-se tão essencial quanto dominar as habilidades técnicas. A capacidade de se comunicar de maneira autêntica e construir conexões genuínas também é diferencial em um mundo saturado de informações.
Salvo exceção, pois ainda há espaço para o contrário de tudo o que exponho aqui – a academia que o diga, por exemplo -, a resistência à mudança pode ser vista como obstáculo à sobrevivência profissional. Aqueles que permanecem arraigados em metodologias tradicionais e relutam em se adaptar estão fadados a serem ultrapassados por concorrentes mais flexíveis e inovadores. A história nos ensina isso. A reinvenção, portanto, não é apenas uma escolha estratégica, mas uma necessidade imperativa para enfrentar os desafios da contemporaneidade.
Reverencio, portanto, o septuagenário Hélio Consolaro pela sua sabedoria, disposição e capacidade de se reinventar, habilidade indispensável na busca pela continuação, especialmente em um contexto marcado pela rapidez das mudanças e pela influência crescente da tecnologia. Aqueles que compreendem e abraçam a necessidade de adaptação estão mais bem posicionados para prosperar em um mundo em constante evolução.
*Marcelo Teixeira é jornalista, escritor e membro da Academia Araçatubense de Letras

