DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA
Com o início do horário especial de natal do comércio de Araçatuba nesta segunda-feira (7), a expectativa da Associação Comercial de Araçatuba é, assim como em todos os todos os últimos períodos natalinos, de crescimento nas vendas e de um ticket médio mais alto, mesmo com a pandemia do novo coronavírus.
A partir desta segunda-feira, as lojas em Araçatuba vão abrir uma hora mais tarde do que o habitual, às 10h, e estenderão o atendimento até às 20h, duas horas mais tarde em relação aos dias comuns. O novo horário persistirá até o próximo dia 23, para facilitar a vida do consumidor que pretende fazer as compras de natal e atende à determinação do Plano São Paulo, que não permite que lojas funcionem por mais de 10 horas por dia e com mais de 40% de suas capacidades de público previstas em alvará.
Mesmo com mais restrições e após um ano difícil, onde o comércio da cidade chegou a ficar 4 meses fechado nas fases mais rígidas da quarentena, a Associação Comercial de Araçatuba faz uma previsão bem otimista para as compras de final de ano. Segundo o diretor da ACIA, Osney Ferracioli, a expectativa é que haja um aumento de até 5% nas vendas neste ano em relação ao ano passado.
“Nós acreditamos de forma positiva que vai haver um aumento nas vendas de 4% a 5% comparado com o mesmo período do ano passado. Estamos acreditando muito que o natal será muito bom de vendas porque Araçatuba é um polo regional de compras e o nosso comércio vai estar aberto com promoções, facilidades no pagamento, variedades de produtos e mercadorias”, fez a previsão o diretor.
Apesar de citar que este ano, os presentes da Natal serão resumidos a “lembrancinhas”, a Associação mantém a previsão do mesmo ticket médio do ano passado, entre R$ 150 e R$ 200 por cliente para as compras de final de ano. A realização de confraternizações entre amigos e familiares, com amigo secreto, além dos presentes para filhos e netos são alguns dos motivos que fazem com que a entidade acredite em boas vendas.
Outro fator que também impulsiona a projeção otimista é o recebimento do 13º salário por parte de trabalhadores com carteira assinada. Mesmo com aposentados e pensionista não tendo este valor a mais neste final de ano, por já terem recebido entre abril e maio, a entidade crê que o dinheiro a mais em circulação será suficiente para manter as projeções otimistas.
Já a previsão da ALCA, Associação dos Lojistas do Calçadão, é bem mais modesta. Após reunião feita na última semana para definição do horário do comércio, a entidade fez a previsão de um ticket médio de R$ 50 para o Natal deste ano.
Para o diretor da ACIA, Osney Ferracioli, a variedade nas compras deverá marcar o natal deste ano, com muitos tipos sendo incluídos na lista de compras do consumidor de Araçatuba e região.
“Não vai sair daquele trivial, vão ter roupas e calçados para presente, vai ter o brinquedo que é essencial para as crianças, perfumes, e presentes diversificados”, projetou Ferracioli.
Aumento de 1% no estado
Mesmo em um ano marcado por incertezas na economia, o mês mais importante do comércio deve registrar crescimento de apenas 1% nas vendas em relação a 2019, estima a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, a Fecomercio SP, já levando em conta a volta à fase amarela do Plano São Paulo, anunciada pelo governo estadual na última segunda-feira (30).
Apesar de positivo, este crescimento poderia ser muito maior (cerca de 10%) se a injeção do décimo terceiro salário na economia, em 2020, seguisse os mesmos padrões de 2019 e, além disso, se o auxílio emergencial do governo federal tivesse mantido seu valor integral de R$ 600 até dezembro. Levando em conta todos estes parâmetros, a alta prevista pela Federação não pode ser comemorada.
Enquanto, em 2019, as famílias paulistas gastaram R$ 15,3 bilhões, do valor do décimo terceiro recebido, no consumo nesta época do ano, a previsão agora é que este montante seja de R$ 10,3 bilhões, ou seja, R$ 4,9 bilhões a menos na economia, o que significa uma redução de 32,4%.
O dado mais surpreendente é que o resultado do comércio paulista deve ser encabeçado por duas atividades que normalmente não estão ligadas às compras de Natal: as lojas de materiais de construção, que devem vender 43% a mais neste dezembro do que no mesmo mês do ano passado, e as de autopeças e acessórios para veículos (25%).
Em um momento de atenção por causa do aumento de casos de covid-19, em que as festas de fim de ano tendem a acontecer com maiores restrições, os supermercados também vão faturar mais: 15%, resultado que consolida um ano aquecido por causa da quarentena. A porcentagem é a mesma para lojas de móveis e decoração, também impactadas pelo isolamento social.
Entre os destaques negativos, estão as lojas de roupas e calçados, que vão vender 37% a menos do que em dezembro de 2019, e as concessionárias de veículos, cuja previsão é de queda de 14%.
A melhora em 1% nas vendas se deve também ao fato de que os preços de produtos geralmente demandados para presentes de Natal cairão 2,48% em 2020. Enquanto itens como computadores (19,7%), joias (17,01%) e televisores (11,36%) estão significativamente mais caros, os artigos de vestuário estão 6,81% mais baratos, mesma situação dos brinquedos (-8,14%).


