Close Menu
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Facebook X (Twitter) Instagram Pinterest Vimeo
    O LIBERAL REGIONALO LIBERAL REGIONAL
    Trending
    • Vereadores de Birigui votam criação de novos cargos efetivos a serem preenchidos por concurso
    • Fundo Social de Araçatuba beneficia crianças de duas instituições sociais com kits de inverno
    • Juninão 2026 reúne moradores no bairro Nossa Senhora Aparecida
    • Encontro de troca de figurinhas da Copa do Mundo reúne famílias e movimenta Praça de Andradina
    • Com grande adesão do público, Copa na Praça agita a noite em jogo do Brasil
    • Defesa Civil de Araçatuba orienta população para semana de chuvas e queda de temperatura
    • Linha de ônibus passa a oferecer trajeto entre Buritama, Araçatuba e Birigui
    • Homem é preso acusado de esfaquear outro em Araçatuba
    O LIBERAL REGIONALO LIBERAL REGIONAL
    Home»Cidades»Araçatuba»A poética da responsabilidade em Tempo de Colher Margaridas
    Araçatuba

    A poética da responsabilidade em Tempo de Colher Margaridas

    By dfernandesmr2 de março de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
    Share Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Reddit Telegram Email
    Share
    Facebook Twitter LinkedIn Pinterest Email

    *Marcelo Teixeira

    Há livros que não pedem aplauso, apenas consciência. Tempo de Colher Margaridas, de Marilurdes Martins Campesi (Lula), é desses. Em 134 páginas com 89 poemas, a autora constrói uma ética da colheita: tudo o que se planta — afetos, omissões, coragem, silêncio — retorna como margaridas no caminho. E colher, aqui, não é gesto bucólico. É prestação de contas.

    A margarida branca, repetida como símbolo, além de flor, é memória e juízo. A estrada, por sua vez, deixa de ser paisagem e torna-se escolha. Caminhar implica decidir, que implica responder pelas consequências. O livro sugere que o tempo não absolve — ele devolve. A colheita é prova de vida e também de responsabilidade. Em tempos que terceirizam culpas, a poeta lembra que cada gesto é semente.

    Um dos eixos mais instigantes é o poema da duplicidade, o “duas em mim”. Trata-se de condição humana. Somos feitos de comando e obediência, sonho e espera, chão e vertigem. A tensão não se resolve na teoria, mas na ação. A síntese possível é agir, mesmo sob conflito. A poetisa nos afasta da ilusão de pureza e nos aproxima da maturidade moral: escolher é sempre perder algo, mas é também afirmar-se.

    Quando Lula escreve que “roubaram o olhar brilhante”, desloca o debate para além da nostalgia individual. A infância surge como capital simbólico coletivo. Não é apenas memória privada; é patrimônio social. Toda sociedade que obscurece o olhar das suas crianças compromete o seu próprio futuro. Há aqui uma ética pública do cuidado, um chamado à responsabilidade histórica diante das perdas de inocência e de educação.

    A pedagogia do erro é outro ponto central. “Faça-se a sombra… faça-se a luz”, escreve a autora, sugerindo que ocultar pode evitar humilhações, mas expor pode impedir reincidências. Trata-se de uma ética madura da falibilidade. Errar não é fracassar; é oportunidade de consciência. Em uma cultura que exibe acertos e esconde quedas, o livro reivindica o valor formativo da falha. A sombra ensina; a luz orienta.

    O cotidiano comparece com força simbólica: varais ao vento, ondas, tacho de doce. Dentro de cada mulher, diz a poeta, há uma festa. Ela reconhece e ressalta no feminino uma potência interior que organiza afetos e sustenta o mundo. O cuidado, frequentemente invisível, é apresentado como motor civilizatório.

    No amor, a imagem de “um só vaso, uma só flor” aponta para comunhão sem anulação. E, na partida “em direção às estrelas”, a morte surge sem melodrama, como travessia inevitável. Colher, então, é rito de passagem entre o tempo vivido e o legado deixado.

    A tese que atravessa o livro é simples e exigente: colher é assumir. Tempo de Colher Margaridas convoca o leitor à lucidez. Transformar pedras em ideias, vincos em mapas, linhas na testa em testemunhos. Não se trata de esperar flores; trata-se de reconhecer que fomos nós que as plantamos.

    *Marcelo Teixeira é jornalista profissional diplomado e integrante da Academia Araçatubense de Letras, onde ocupa a Cadeira 11

    Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email
    Previous ArticleViva Mulher terá ações descentralizadas com palestras nas unidades dos Cras de Araçatuba
    Next Article Casal de médicos de Araçatuba aguarda posição de companhia aérea e resolução de conflito para voltar ao Brasil
    dfernandesmr

    Related Posts

    Birigui

    Vereadores de Birigui votam criação de novos cargos efetivos a serem preenchidos por concurso

    22 de junho de 2026
    Araçatuba

    Fundo Social de Araçatuba beneficia crianças de duas instituições sociais com kits de inverno

    22 de junho de 2026
    Araçatuba

    Juninão 2026 reúne moradores no bairro Nossa Senhora Aparecida

    22 de junho de 2026
    Add A Comment
    Leave A Reply Cancel Reply

    Facebook X (Twitter) Instagram
    © 2026 Desenvolvido por mSanders Tech.

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.