*Rodrigo Andolfato
São Tomás de Aquino afirmava que é imoral aquele que não fica com raiva quando há um motivo justo para isso. Essa frase, proferida pelo mais santo entre os doutos e o mais douto entre os santos da igreja Católica, nos convida a uma profunda reflexão sobre a passividade diante das injustiças que permeiam a nossa sociedade. Vivemos em um mundo no qual a desigualdade, a corrupção e a falta de ética são recorrentes, mas muitos de nós optam por uma postura de espectadores, ignorando a nossa responsabilidade em promover alterações significativas e necessárias.
É inegável que a mudança ideológica, social, política e econômica começa dentro de cada um de nós e na área de convivência, no nosso próprio “quintal”. Ocorre que somos rápidos em apontar o dedo e criticar figuras públicas distantes, como presidentes, governadores, deputados e senadores, mas negligenciamos a importância de agir localmente, de fiscalizar e cobrar responsabilidades dos representantes que elegemos no nível municipal, como os vereadores.
Embora atuem em uma esfera mais próxima da população, esses parlamentares muitas vezes passam despercebidos no nosso radar de cobrança e fiscalização. Mas são eles, em primeira instância, que têm o poder de propor leis, fiscalizar o Executivo municipal e representar os interesses da comunidade. No entanto, é comum vermos vereadores envolvidos em escândalos de corrupção, negligenciando as suas responsabilidades e agindo em benefício próprio em detrimento do bem comum. E lamentavelmente nos calamos.
É preciso romper com essa inação e assumir o que nos cabe como cidadãos ativos na construção de uma sociedade mais justa e ética. Isso inclui não apenas criticar, mas também agir, seja participando da vida política local, cobrando transparência e prestação de contas dos vereadores, ou mesmo apoiando iniciativas e projetos que visem o bem-estar coletivo. Temos que colocar sim o dedo nas feridas e propor remédios para situações que nos atormentam desde sempre na política local e mais intensa e descaradamente neste momento.
O filósofo político britânico John Stuart Mill, pai da Teoria Utilitarista, afirmou que “o único propósito pelo qual o poder pode ser exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra sua vontade, é evitar danos aos outros”. Essa máxima ressalta a importância da ação individual pautada no bem comum e na justiça. Não podemos nos acomodar na indignação passiva, mas sim transformá-la em ação proativa e construtiva.
Não tenho receio algum em afirmar que hoje a política partidária-eletiva araçatubense está nas mãos de um grupo que nos prejudica a todos (salvo exceção a si próprio, assim como os seus comissionados e apaniguados). Sou tão indignado com isso como com a indiferença e a inércia que percebo em pessoas com acesso à informação e formadoras de opinião.
Ao olharmos para São Tomás de Aquino e sua visão sobre a raiva justa diante da injustiça, percebemos que a indignação deve ser o combustível para a ação, e não o pretexto para a inércia. Cada um de nós tem o poder de fazer a diferença, de influenciar positivamente nosso entorno e de contribuir para uma sociedade mais equitativa e digna. A mudança começa nas nossas mãos, nas nossas atitudes e escolhas cotidianas.
*Rodrigo Andolfato é empresário e presidente do Instituto Liberal da alta Noroeste (Ilan)



