José Renato Nalini
A capital paulista é um símbolo dos contrastes que convivem num Brasil de tamanha complexidade. Seu dinamismo a converte na capital dos negócios, da cultura e da gastronomia. Nem todos sabem que ela possui a maior revendedora Ferrari do planeta. A segunda está em Los Angeles. Mas também a quarta revendedora Maseratti, a segunda Porsche e Lamborghini. A única cidade com filiais Rolls Royce e Bentley na América Latina.
Possui a maior frota de aviões agrícolas do mundo e a maior frota de jatos particulares, tendo ultrapassado Nova Iorque, assim como a de helicópteros. A única cidade com quatro lojas Tiffany’s, a única a possuir três lojas Bulgari, a mais lucrativa filial Louis Vuitton e a Montblanc que mais vende canetas fora da Suíça.
É a São Paulo onde residem cerca de oitenta mil moradores que têm a segunda residência na Europa e nos Estados Unidos. A cidade com a maior quantidade de cavalos árabes puro-sangue das Américas e que consome Romanée Conti e vinhos Grand Crus da Terra, assim como champanhes King Rosé, Cristal e Grande Dame.
Seu PIB alcança cento e quarenta e sete bilhões de dólares, equivalendo a quinze por cento do PIB nacional. Seu IDH é 0,841, considerado de alto desenvolvimento. É também a capital da pizza: mais de seis mil pizzarias, a produzir cerca de setecentos e vinte pizzas por minuto.
Poder-se-ia continuar a enumerar condições paulistanas para comprovar a verdade inequívoca de que se vive na mais instigante conurbação do planeta. Pois é essa a cidade que dispõe de um Plano de Ação Climática, orientador das ações do governo local e inspirador para a sociedade, para que sua população esteja preparada e consiga enfrentar as profundas mutações derivadas do aquecimento global.
A Prefeitura elaborou um plano completo, bem detalhado, para minimizar os efeitos dos fenômenos extremos já registrados e com frequência assustadora. Chuvas torrenciais, deslizamentos de terra, inundações, tudo a conviver com carência do mais precioso líquido: a água.
Mas é preciso que a sociedade se envolva nesse projeto ambicioso e faça a sua parte: interessando-se pelas mudanças climáticas, pela produção indiscriminada de resíduos sólidos, pela devastação causada nos remanescentes da Mata Atlântica, pela poluição do solo, atmosfera e água. Com o esforço de todos e a conscientização da cidadania, São Paulo conseguirá mitigar os efeitos daquilo que era prometido para o próximo século, mas que chegou até nós muito antes e com intensidade alarmante.
Vamos juntos, tornar São Paulo a capital mais preparada para o amanhã.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”.



