RUBENS BIZARRO ROMARIZ
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“Patriotismo é cada um trabalhar no seu ofício com a maior fé, tão bom patriota é o soldado que dá a Pátria o sangue, como o operário que lhe dá o suor; o sábio, cujo nome se projeta na sua história, como o lavrador para sempre ignorado; o artista que a envolve no seu gênio, como o escritor que sobe com ela nos visos do pensamento.” ( Miguel Couto)
A morte de Tiradentes – Joaquim José da Silva Xavier dentista tropeiro, militar e ativista político, não foi de acidente de transito, não foi por doença e nem mesmo erro de julgamento. Foi sim, uma morte consciente, um entregar do corpo, uma dor sufocada num grito sem voz, um aperto da corda no aprisionamento do ar da vida. Foi também um acordar de um povo oprimido, escravo, analfabeto, pobre de espírito e cultura. Foi a semente a germinar o primeiro sentimento de Pátria, de amor a terra, da união de vontades e na fé em cada família formada.
Hoje, 131 anos depois, um povo perde aos poucos tão nobre sentimento do sentido da morte do Alferes. Fizeram nossos homens das leis o “feriado prolongado” com o escopo da justificativa sofista, que tão bem tentam justificar o feriado como um laser. Tempo em que Tiradentes preso, aguardava o julgamento final.
21 de abril, um dia de festa como tantos, uma morte vã, um povo que perde o passado do patriotismo, a esperança, a fé – alimento vital da alma da união de um povo. Festa sem dia de Pátria, uma Pátria sem herói, um herói sem dia. Fecham-se as escolas, apaga-se o passado, festeja-se a pobreza dos espíritos do presente sem a esperança do futuro.
Assim, conscientes, os paladinos do Congresso se fecham para descanso prolongado, cada um estudando a forma de fugir dos inquéritos descobertos nos inquéritos.
Ah! Brasil de Rui Barbosa, uma vergonha da honestidade, da perplexidade, quando percebo alguém cantar estando faminto, alguém contar sem saber números, alguém dizer sem saber ler, alguém pensar sem raciocinar, escolher sem pensar, gostar sem provar, trabalhar sem receber, receber sem trabalhar, ganhar sem vencer, vencer sem disputar, morrer sem roubar e roubar sem morrer.
Mais tarde, trinta anos depois da morte de Tiradentes, fez-se o ideal de sua morte – a proclamação da Independência do Brasil. Nasceu a liberdade. Uma liberdade pela morte de Tiradentes. Uma liberdade pela conquista da luta de um povo irmão. A liberdade do direito e do dever. A liberdade da justiça, da razão da igualdade. Aí está a liberdade de Tiradentes, do pensar, do trabalhar, do rir, do escolher, do dizer. Uma liberdade que nasce na família, na escola dos mestres, na igualdade entre os homens.
Em último suspiro Tiradentes: “ Des vidas eu tivesse, dez vidas eu daria ao Brasil.”
RUBENS ROMARIZ É PROFESSOR, CRONISTA E ESCRITOR

